Lembrando Robin Williams

“Lembrando a interpretação do professor de Inglês John Keating em “The Dead Poets’ Society” Robin Williams nos leva de volta a outra época, uma época em que o professor podia ser visto como uma fonte de sabedoria e inspiração, um rebelde e um não-conformista. Aqui está o trailer. Robin Williams representou o professor como o que de melhor se pode esperar que ela seja: não apenas um homem que ensinou língua e literatura, mas um homem que mudou vidas.”

Diane Ravitch

Publicado em Assuntos gerais | 1 comentário

A correção das provas no ENEM

Matéria do Estadão, obtida pela lei de informação, revela dados sobre o número de corretores de redação que trabalham no ENEM. Segundo os dados fornecidos os corretores são monitorados constantemente e são avaliados pelo seu trabalho. Quando a sua nota, como corretor, é menor que 5, eles são trocados; quando está entre 5 e 7, entram em recuperação. A última edição do ENEM reprovou 12% dos corretores – mais do que anos anteriores. Segundo o INEP, a instituição ficou mais exigente.

Veja matéria aqui.

Mas, cabe perguntar, e quando o INEP era menos exigente, alguém foi prejudicado? Em certas profissões, a disputa no vestibular é por centésimos e o ENEM é chave.

É por isso que os especialistas em avaliação não recomendam que se decida sobre a vida das pessoas a partir de uma única avaliação pontual. Elas são falhas em vários aspectos, não só na correção. Que os técnicos consigam conhecer as falhas, não significa que as eliminam. Elas são apenas mantidas entre margens de tolerância. Mas tolerância para quem? Certamente não para o aluno que foi prejudicado.

Uma discrepância entre os dois corretores de uma prova em 100 pontos, considerada normal hoje pelo INEP, quanto impacta a nota de um estudante? Se a prova não tem alto impacto na vida do aluno, isso poderia até ser aceito. Mas, se tem, como é o caso do ENEM, não importa se falamos de um ou de mais de um estudante – para ele isso foi fundamental na sua vida. Margens de segurança não consolam o estudante que ficou sem vaga na Universidade por conta de centésimos no ranqueamento.

Os corretores são comandados por coordenadores e supervisores que monitoram se as notas são muito altas ou muito baixas e se há lentidão na correção.

“Eu vou citar a Bíblia: “pelos teus frutos te conhecerei”. Eu só posso saber se você corrige bem se você me mostrou corrigindo redações e produziu resultados adequados”, disse o presidente do INEP José Francisco Soares.”

A propósito desta objetividade, vale a pena ler o livro de Farley que mencionamos em outro post. Segundo o autor:

“…se você conhecesse o que eu conheço sobre esta indústria, você ficaria horrorizado com a ideia de um teste padronizado ser um fator decisivo no futuro de até mesmo um único estudante, professor, distrito ou estado. Eu, pessoalmente, fico absolutamente perplexo com esta possibilidade. A ideia dos formuladores de política de ignorar as avaliações dos professores nas salas de aula, os quais passam dias com seus alunos nos distritos, e ouvir a opinião de alguma indústria de teste (frequentemente empresas “lucrativas”) distante em um estado é, em minha opinião, estupidez. É jocoso.“

Publicado em Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

A não legitimidade da Falconi em Campinas

Blog da Helena examina a situação da rede municipal de Campinas:

“Já são duas as escolas municipais de Campinas cujos profissionais se manifestaram publicamente de forma corajosa, pela rejeição à consultoria privada das empresas Falconi/Comunitas, por considera-la um retrocesso frente às formas de organização e construção da gestão escolar democrática e participativa em desenvolvimento na rede municipal: a EMEF Edson Luís Lima Souto e EMEF Prof. Zeferino Vaz.”

Continue lendo aqui.

Publicado em Privatização | Deixe um comentário

Pelotas suspende contrato com Falconi

Sob fogo cruzado da Câmara de Vereadores, o Prefeito de Pelotas suspendeu o contrato com a consultoria Falconi que atuaria na rede municipal de ensino daquela cidade. Mas vai recorrer ao TJ.

Veja matéria aqui.

Veja aqui outro vídeo do debate sobre o tema na Câmara de Vereadores de Pelotas.

Publicado em Privatização | Deixe um comentário

Campinas: escolas reagem a consultoria

Duas das dez escolas indicadas para receber a consultoria gerencial da Falconi na Rede Municipal de Ensino de Campinas reagem e aderem ao Fora Falconi.

FotoCaic

FotoEdson

Publicado em Privatização | Deixe um comentário

Aprender com os outros

“Eu me preocupo com o futuro da nossa sociedade [americana] quando vejo que a política educacional está sendo moldada por pessoas que não sabem nada – nada – sobre educação. Elas nunca ensinaram em uma escola. Elas nunca estudaram educação. Elas não sabem nada sobre a pesquisa. Elas são ignorantes da história, política e economia da educação. No entanto, elas sentem que sua posição de celebridade (big name) as capacita para influenciar as decisões legislativas e judiciais sobre as condições de trabalho nas escolas.

Elas fazem pronunciamentos sobre “maus professores” sem indicação de que eles saibam algo sobre qualquer professor. Vamos enfrentá-las: Se você é uma estrela de Hollywood ou um advogado de renome mundial, quantos professores são susceptíveis de existirem em seu círculo social? Quantas horas você acha que as celebridades passaram como voluntárias em suas escolas públicas locais? Será que eles sabem do que estão falando?

Imagine um talk show de televisão convidando celebridades para falarem sobre como tratar pacientes que têm certas doenças. Você não deve saber algo sobre um assunto antes de apresentar-se na televisão nacional como qualificado para comentá-lo? Os talk shows televisivos de hoje são os nossos grandes equalizadores sociais: aqueles com experiência genuína terão o mesmo tempo que aqueles que são totalmente ignorantes. O que a Britney Spears pensa sobre a estabilidade [no cargo]? George Clooney? Kim Kardashian? Beyonce? Outras nações deixam estas questões para os educadores, mas nós não!”

Diane Ravitch

Nos Estados Unidos, Bill Gates determina a política do Departamento de Educação juntamente com um punhado de fundações de grandes empresários nacionais. Eles fazem doações às escolas e aos estados e moldam a política educacional.

Existem os que operam mais ideologicamente, financiando, e existem os que faturam na esteira dos doadores, avançando para o erário público transformando a atividade educativa em um grande mercado. Ambos desenvolvem um “staff” de confiança para ocupar postos em lugares estratégicos da definição das políticas – incluindo celebridades na mídia.

Uma das ferramentas para isto, é a meritocracia dos ranqueamentos. Uma vez implementada, ela se torna a forma mais eficaz de destruir a escola pública, submetê-la à execração pública, envergonhar professores e escolas, e abrir mercado para a iniciativa privada.

Nos Estados Unidos este mapa já pode ser observado claramente e ele termina em Wall Street. É para lá que vão os re$ultado$, não para as escolas.

Publicado em Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Campinas: professores questionam

COLETIVO DE EDUCADORES DA REDE MUNICIPAL DE CAMPINAS

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO

A LUTA POR UMA ESCOLA PÚBLICA DE QUALIDADE É DE TODOS!

No início do ano 2013, a Prefeitura de Campinas assinou um convênio com a organização FALCONI/COMUNITAS, que prevê a implantação de um modelo de gestão empresarial na rede municipal de ensino de campinas.

Nós, do Coletivo de Educadores, somos contra este convênio e a atuação de consultoria privada na gestão de nossas escolas!

Não queremos isso para a nossa rede! Então, o que nós queremos?

Queremos uma educação pública de qualidade para todos e gerida pelo poder público. E isso significa:

  • Escolas com estrutura física bem cuidada; com laboratórios de informática com equipamentos novos e acesso à internet em todos os computadores; com biblioteca funcionando em todos os períodos; salas de aula bem cuidadas, com iluminação e ventilação adequadas;
  • Escolas com quadro completo de funcionários e professores;
    • Escolas com professores com boa formação, com bons salários e com tempos adequados para prepararem e planejarem suas aulas;
    • Escolas com gestão democrática, que possibilita a participação de toda a comunidade na gestão e tomada de decisões sobre o projeto da escola;
    • Escolas com material didático e pedagógico de qualidade que contribua para a aprendizagem de todas as crianças;
    • Escolas onde os alunos são respeitados e tem garantido o seu direito de aprender.

Mas… Essa assessoria não ajudaria nisso? Não! Não é essa a intenção deles.

O que tem sido divulgado é que a assessoria irá atuar apenas na gestão administrativa das escolas com o objetivo de aumentar índices (notas) gerados a partir de provas aplicadas pelo governo (chamado de IDEB). Argumento que não se sustenta, sabem por quê?

  • Porque aumentar a nota numa prova aplicada pelo Ministério da Educação não significa ampliar a qualidade de educação. Já conhecemos casos em que a pressão por melhor desempenho em provas é tão forte, que professores e crianças adoecem, ficam deprimidos, tem síndrome do pânico. Em outros casos, para não chegarem nesse patamar, as respostas das provas são passadas para as crianças, o IDEB aumenta e elas continuam sem aprender.
  • Porque o interesse maior das empresas é sempre o lucro. Esse lucro chegará através de várias formas, inclusive da venda de materiais para as escolas, especialmente os sistemas apostilados.
  • A intervenção pontual dessas empresas não resolveu o problema de nenhuma rede. Não existem resultados para comprovarem isso. Aliás, nos EUA, que foi precursor desta política, atualmente o que mais existem são estudos mostrando a ineficácia deste tipo de política e os malefícios que qualquer um pode ter acesso a essas informações através da internet. Por isso esse convênio não resolverá também o problema das escolas de campinas!

Então, como resolveremos os problemas na educação de campinas?

Temos em nossa rede, em cada escola, Comissões Próprias de Avaliação formadas por pais, funcionários, professores, alunos e gestores que se dedicam a avaliar o trabalho realizado: a partir dos objetivos de trabalho discutidos e ações planejadas e aprovadas pelo Conselho de Escola, cada Comissão tem condições de reconhecer os problemas de sua unidade, apontar quais são os desafios que precisam ser enfrentados e quais seriam as soluções possíveis. Mas…

Como em qualquer outro lugar do mundo, para melhorar a educação é necessário investimento público por muitos anos!

A Finlândia é considerada modelo de educação para o mundo. Lá, são décadas de investimento para se chegar onde chegou!

Publicado em Privatização | Deixe um comentário

Alfabetização: avaliando Foz

Leitora do Blog disponibiliza artigo que trata da adoção de cartilha de alfabetização em Foz do Iguaçu e as relações com as avaliações em larga escala. Foz do Iguaçu foi festejada pelo MEC no passado pelos avanços no IDEB que em 2011 foi 7. “Trata-se de uma crítica ao Método Fônico e às avaliações em larga escala, por produzirem práticas pedagógicas que não ajudam a lidar com as variações linguísticas. “

O título do artigo é “Avaliação em larga escala e alfabetização: a adoção do método fônico em Foz do Iguaçu”. O link pode apresentar problemas, por isto disponibilizo outro que leva diretamente à tese de doutorado que motivou o artigo.

Publicado em Ideb, Links para pesquisas, Responsabilização/accountability | 1 comentário

Privatização e portadores de necessidades especiais

Recebi a seguinte observação de uma leitora:

“Estranho que, em momento algum, a questão da educação especial é abordada por você. Estou falando de uma população crescente que, na rede municipal de ensino, não dispõe de material pedagógico como, por exemplo, material em Braille. A evasão de crianças com deficiência da rede municipal é apontada pelo MEC de forma assustadora. Hoje, estão na rede particular mais que o dobro do número de crianças com deficiência em relação à rede municipal. Por que isto vem acontecendo? As deficiências são mais frequentes em crianças com maior poder aquisitivo? Não, claro que não. Deficiência em crianças tem, basicamente, uma causa: a pobreza. São os desdobramentos do estado de absoluta miséria que traz em si as deficiências em crianças. Como, então, se mantém em escolas particulares. São educadas por CARIDADE dos proprietários das escolas e nunca pelo cumprimento dos DIREITOS que estas crianças têm por uma única razão, qual seja, cidadania. Gostaria de ouvir você!”

A questão colocada merece toda a atenção. Entretanto, não tenho competência para estabelecer um debate fundamentado nesta temática. Por outro lado, é preciso preservar os objetivos deste blog para ele não perder a referência da avaliação e de seu papel no processo de privatização da escola pública.

O ponto de contato deste blog com a questão colocada é apenas indireto, ou seja, os processos de privatização em curso penalizam ainda mais as crianças com deficiência ou portadores de necessidades especiais.

O local neste blog em que esta questão aparece é na seção de Segregação. Clicando lá, vamos encontrar considerações e estudos que mostram que a privatização faz com que as escolas públicas operadas por gestão privada, nos Estados Unidos, por exemplo, tendem a expulsar tais crianças (das escolas ou dos testes) pelo fato delas terem um custo mais alto na sua formação e pelo fato de que elas terminam “derrubando a média nos testes da escola”. Efeitos semelhantes precisam ser investigados no Brasil e denunciados.

No entanto, contrariamente à situação que você relata, ou seja, de evasão dos portadores de necessidades especiais da escola pública em direção à privada, é preciso ficar atento aos efeitos que se instalarão à medida que os processos de privatização, meritocracia e testagem aumentem dentro das escolas públicas, pois com isso, as crianças com problemas de disciplina, habilidades ou necessidades especiais tenderão a ser direcionadas para as escolas que não estão com processos de privatização e meritocracia, criando bolsões de excluídos, ou ainda para determinadas escolas que adquirem tal função no próprio sistema público. Um efeito parecido no Estado de São Paulo, amante da privatização e da meritocracia,  já está identificado em estudos do CENPEC. Isso é feito por processos formais e informais de seleção.

Publicado em Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Segregação/exclusão | 1 comentário

Campinas: frente parlamentar em defesa da educação pública

“Um grupo de parlamentares de Campinas criou nesta quinta (31/7), uma ‘Frente Legislativa em Defesa da Educação Pública’. A frente é composta pelo vereador Carlão do PT, Pedro Tourinho (PT), Paulo Búfalo (PSol), Professor Ronaldo (PCdoB) e pelo deputado federal Renato Simões(PT).

Eles acrescentaram mais documentos à Representação protocolada no Ministério Público Estadual (MPE), na semana passada, pelo vereador Carlão do PT e o deputado federal Renato Simões (PT), em que pedem a apuração da legalidade do convênio firmado entre a Prefeitura e a Comunitas-Parcerias para o Desenvolvimento Solidário. O convênio foi assinado dia 18 de abril de 2013, para implantação do projeto “Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável”, destinado ao gerenciamento da rede municipal de ensino.

A expectativa é de que todos os parlamentares assinem a juntada de documentos ao MPE. Os novos documentos, dirigidos ao promotor Marcos Grella Vieira, da Comarca de Campinas, incluem requerimentos de informação sobre o convênio firmado entre a Prefeitura e a Comunitas e parceiros, feitos pelos vereadores Pedro Tourinho e Gustavo Petta (PCdoB), em 2013.

Os integrantes da Frente entendem que as respostas aos requerimentos indicam que a Secretaria de Educação, que seria a principal interessada, não tinha informações fundamentais sobre os serviços prestados pelos conveniados, como por exemplo quais as empresas privadas que financiariam a instituição e os valores pagos pela Prefeitura até então e no futuro. Entre os parceiros da Comunitas no convênio estão o Instituto de Desenvolvimento Social S/A Falconi, o Instituto Tellus e a Associação de Estudos de Liderança Pública (CLP).”

Matéria completa aqui.

Publicado em Links para pesquisas, Privatização | Deixe um comentário

Enquanto isso…

Há quase dois meses que várias escolas no Rio de Janeiro, municipais, não contam com serviço de portaria. É que o contrato com a terceirizada venceu. A prefeitura diz que uma nova terceirizada deve assumir o serviço, mas que “até o final do ano, fica a cargo de cada escola decidir como substituir o serviço”.

“O sentimento de insegurança entre professores e pais de alunos é visível. Na Escola Municipal Mário Kroeff, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, a fuga de estudantes pelos muros, que já era comum, se tornou prática diária. A entrada de pessoas estranhas, brigas e confusões, dentro e fora do local, também estão mais habituais, segundo Eduardo Serra, professor de educação física da unidade.

“Trabalhar vem sendo frustrante, pois as condições são péssimas. Estamos sobrecarregados e cada um se vira como pode, ajuda, fica um pouco na porta. Temos também uma mãe, dona de casa, que tem nos ajudado voluntariamente, mas é difícil. A segurança aqui é péssima”, diz o professor.”

Como se vê, é mais fácil responsabilizar o professor pelos resultados…

Publicado em Privatização | Deixe um comentário

Leitora comenta situação no Rio de Janeiro

Uma leitora envia informações sobre o que está acontecendo no Rio de Janeiro:

”A educação sob controle dos homens de negócios” se consolida. Sob o pretexto de melhorar o IDEB acumulam-se engodos como o dessa consultoria [em Campinas] e amplia-se a escalada das estratégias de negócios e modismos na educação. As avaliações de larga escala, por exemplo, parecem estar entrando em uma nova fase, avançando, para além da medição de habilidades cognitivas para a medição de “habilidades não cognitivas, ou socioemocionais”.

O Instituto Ayrton Senna em parceria com a OCDE, Mec e Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, desenvolveu um estudo junto à rede de escolas do Rio para mensurar o desenvolvimento socioemocional dos alunos e relacioná-lo com o desempenho educacional/cognitivo. Dizem os idealizadores do estudo que a intenção é apoiar políticas públicas preocupadas em preparar as crianças para os desafios do século 21.

Tenho procurado entender melhor o assunto e temo que avaliar atributos de personalidade, como perseverança, extroversão, autocontrole, entre outros, possa se transformar em estratégia de reforço à exclusão.

Os instrumentos que o Instituto A. Senna usou com alunos da rede escolar do Rio de Janeiro se baseiam em aspectos psicométricos utilizados correntemente em setores de RH das empresas e corporações. Ou seja, são atributos desejáveis para o mercado de trabalho. Mas, se utilizados para mensurar alunos em fase de escolarização e em larga escala, como evitar que se tornem fatores de exclusão desde a escola?

Economistas de plantão e “intelectuais” ligados a grupos empresariais estão puxando a conversa, defendendo que é possível também medir esses traços, porque eles têm impacto no sucesso escolar e vida futura; que contribuem para melhorar o ambiente escolar e para a formação da identidade e projetos de vida.

O MEC e a Capes estão envolvidos na discussão. A Capes lançou uma linha de pesquisa para incentivar as universidades a abrirem espaço para pesquisas nessa área, com distribuição de bolsas de estudo.

Tem um economista americano (James Hackman) trabalhando com a OCDE que diz que os testes de larga escala corromperam os sistemas educacionais ao induzir gestores, professores e alunos a desenvolver o ensino e a aprendizagem a partir dos testes e que o importante é mostrar quais habilidades são mais importantes para a vida e o quanto elas impactam na aquisição de conhecimentos.

Como a intenção dos economistas e empresários ocupados com a questão é influenciar as políticas públicas, acho que devemos ficar atentos.”

Publicado em Privatização | Deixe um comentário

Campinas: projetos antagônicos em jogo

O Blog da Formação do Professor analisa os projetos em jogo na contratação de assessorias privadas em Campinas (SP).

Falconi e educadores: dois projetos antagônicos

Publicado em Privatização | Deixe um comentário

Campinas revela “ligações perigosas”

Em um total desconhecimento da capacidade existente no interior da rede municipal de educação de Campinas, o prefeito Jonas Donizetti contrata empresa de consultoria para melhorar o IDEB.

A medida revela o total desconhecimento sobre como se introduzem inovações e melhorias no âmbito da educação. Trata-se de gasto que não reverterá em benefício para o município, como mostra a literatura em outros espaços que utilizaram a mesma abordagem. Contratam-se “soluções” sem pensar nas consequências e sem levar em conta as evidências. Os recursos públicos que deveriam ser destinados às escolas, acabam indo para o bolso de empresários que operam no mercado educacional. Esta drenagem contribui para a piora da educação pública a qual alimenta o ciclo vicioso da privatização.

A contratação, no entanto, contribui para esclarecer uma série de ligações perigosas que marcam a constituição do bloco dos reformadores empresariais no Brasil e a constituição, em paralelo, do mercado educacional operado por empresas, fundações e ONGs ligados ao ideário dos reformadores. As mesmas figuras que aparecem em um campo, tendem a aparecer no outro. Nos Estados Unidos este mercado é de quase 1 trilhão de dólares. E por aqui, vem pre-sal…

A empresa contratada em Campinas tem ligações históricas com Jorge Gerdau, o atual presidente do Movimento Todos pela Educação que antes de ser chamado por Dilma chegou a presidir o grupo INDG ao qual está ligada a atual consultoria. Aécio Neves a contratou também para o tal “choque de gestão” de Minas. À época tinha o nome de INDG e após mudou para Falconi. Só no governo federal o faturamento da Falconi foi de quase 60 milhões de reais, sem contar o faturamento em Minas com Aécio.

Gerdau entende que a varinha mágica da iniciativa privada quando toca quaisquer setores do serviço público o transforma, lhe dá eficiência. Anda pelos governos estaduais abrindo frentes para projetos financiados por empresários. Trabalha de graça para Dilma, sem salário. Não precisa. A questão é que ele é uma ponta de lança ideológica que abre o mercado abaixo dele. Sobre isso já falamos neste blog (veja aqui e aqui).

A empresa contratada em Campinas é a mesma que foi recusada no RS (veja matéria aqui). Veja também aqui matéria completa sobre o contrato em Campinas.

Publicado em Links para pesquisas, Privatização | 2 Comentários

COLE aprova moção de repúdio

O Congresso de Leitura promovido na UNICAMP pela Associação de Leitura do Brasil aprovou a seguinte moção.

 Moção de repúdio à atuação da empresa de consultoria privada Falconi junto à Rede Municipal de Ensino de Campinas

A assembleia geral da ALB – Associação de Leitura do Brasil – vem a público manifestar o seu repúdio ao ataque à educação pública representado pela parceria firmada entre a Secretaria Municipal de Educação de Campinas e a empresa Falconi – Consultores de Resultados. O convênio tem por objetivo a transferência do modelo de gestão empresarial para o serviço público.

O plano de trabalho da Falconi junto às escolas da Rede Municipal prevê a realização de diagnósticos dos problemas das unidades, a definição de metas, o acompanhamento das ações dos educadores para a consecução das metas, a padronização de procedimentos identificados como exitosos. Em tal modelo os indicadores de qualidade se restringem as variáveis do âmbito interno das escolas e a seus sujeitos, silenciando sobre as responsabilidades do poder público. Negando a complexidade do processo educativo escolar, o choque de gestão privada elege como principal indicador de qualidade os índices de desempenho dos alunos em testes de avaliação padronizados. O modelo sustenta a imposição de metas definidas por técnicos sem a participação da comunidade escolar, metas estas que não contemplam quaisquer indicadores que não possam ser mensuráveis.

Na lógica da gestão privada são descartados princípios caros à história da Rede Municipal de Ensino de Campinas tais como a gestão democrática e a formação humana concebida de forma ampla. Os valores do mercado – eficiência, produtividade, competitividade – substituem os valores que sustentam a esfera pública e dos direitos: participação, solidariedade, co-responsabilidade na qualificação do espaço público.

Os educadores da Rede Municipal de Campinas vêm se empenhando no fortalecimento do caráter público da educação oferecida na Rede Municipal através do trabalho coletivo de construção dos projetos político pedagógicos nas unidades, das diretrizes curriculares das diferentes modalidades de ensino, da avaliação institucional participativa. A qualificação da educação pública também se dá através da participação dos docentes em várias frentes de formação continuada e na luta pela implementação da Lei do Piso, mediante a instituição de uma jornada condizente com as atribuições docentes. Essa história e o amplo leque de variáveis envolvidas na construção de uma escola pública de qualidade social são desqualificados pela Falconi quando a empresa propõe um projeto de trabalho sustentado na ideia de que a solução para os problemas educacionais restringe-se à simples aplicação de um modelo de gestão de resultados. Estudos acadêmicos e as experiências de várias redes de ensino têm demonstrado que parcerias como a firmada entre a empresa Falconi e a Secretaria Municipal de Educação de Campinas representam a abertura dos serviços públicos aos interesses do mercado, resultando num grave ataque à educação pública.

É por todo o exposto que, reunidos em assembleia geral, repudiamos a parceria em questão.

Publicado em Links para pesquisas, Privatização, Responsabilização/accountability | 5 Comentários

19º. COLE: alfabetização “pré-fabricada”

A décima nona versão do Congresso de Leitura promovido pela Associação de Leitura do Brasil na Unicamp que encerrou no dia de ontem criticou em uma de suas atividades a “alfabetização pré-fabricada”. O renomado educador Ezequiel Theodoro da Silva da Faculdade de Educação da UNICAMP afirmou que:

“Você tem uma série de prescrições e disciplinamento de metodologias pré-fabricadas para alfabetizar e os resultados não são os melhores. Segundo Ezequiel quando o professor recebe uma carga como cartilhas e metodologias prontas ele se torna um mero repetidor de conteúdos.”

Cartilhas e apostilas têm se tornado cada vez mais frequentes nas redes de ensino contribuindo para a desqualificação dos professores que passam a ser dependentes de tais materiais. Sua proliferação se dá a partir da transferência do pensamento empresarial para a educação, baseado na padronização de processos. O produto mais visível disso são as apostilas e a constante ênfase nos processos de gestão.

Publicado em Privatização, Responsabilização/accountability | 1 comentário

Campinas segue o caminho de Pelotas

A mesma empresa que está sendo questionada em Pelotas, está agora sendo chamada para analisar o sistema de ensino de Campinas e introduzir melhorias. Na cidade, a administração municipal é do PSB de Eduardo Campos, partido que é organicamente comprometido com ações de privatização na área da educação.

Esta mesma empresa cobra em Pelotas mais de dois milhões de reais para analisar 20 escolas do sistema de ensino municipal. Em Campinas ela envolverá 10 escolas. Aqui o contrato é mais amplo envolvendo outros setores da Prefeitura.

O Coletivo de Educadores da Rede Municipal de Educação de Campinas tem mais informações.

Aqui, os vereadores Renato Simões e Carlão entraram com representação junto ao Ministério Público, seguindo o caminho de Pelotas.

Publicado em Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Pelotas: video sobre consultoria

A cidade de Pelotas através da sua Câmara Municipal de Vereadores questiona a contratação de empresa de consultoria para aumentar o IDEB do município. Em post anterior, tratamos isso.

Recebemos um link para o vídeo em que o vereador Marcus Cunha questiona, na Câmara, a contratação.

No vídeo o vereador questiona se a Secretaria de Educação de Pelotas não tem competência para encaminhar os processos de melhoria dos índices do IDEB. Se o Secretário não tem liderança suficiente para conduzir o processo. Se não há outras instituições na cidade que poderiam estar nessa empreitada. Até mesmo coloca em questão se é através da melhoria dos índices do IDEB que devemos procurar assegurar a melhoria da qualidade da educação.

Em sua argumentação diz:

“A empresa contratada tem atuação em todos os segmentos… É uma empresa especializada em quase tudo. Ela é especializada em Alimentos, especializada em Comunicação, em Construção, especializada em Esportes, Sistema Financeiro, Médico Hospitalar, Papel e Celulose, uma empresa especializada em Química e Petroquímica, Saúde Pública, Segurança Pública, Siderurgia e Metalurgia, Varejo, sendo que no próprio quadro apresentado, o que ela menos faz é Ensino, 2%…”

 Vale a pena ver.

Publicado em Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

TRF: pelo ensino público gratuito

Baseado em ação impetrada por uma estudante, o TRF reafirmou que os cursos de especialização nas universidades públicas não podem ser pagos.

“A 6ª turma de desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, localizado em Brasília, decidiu, por unanimidade, considerar como “ilegítima” a cobrança de mensalidades nos cursos de pós-graduação em nível de especialização e MBA (da sigla em inglês, Master Business Administration) realizados em universidades públicas.”

“O juiz federal Urbano Leal Berquó Neto cita em sua sentença que “o fato de a Constituição não impor [às universidades] a oferta do curso de especialização não afasta sua característica de ensino público. Mesmo que ele não se enquadre como de prestação obrigatória pelo Estado [uma das principais alegações defendidas pelas universidades na defesa pela cobrança], todo ele, quando prestado em estabelecimento oficial, há de ser gracioso [gratuito]“.”

A decisão serve para ajudar, se não for derrubada, a conter a mercantilização do ensino em ambiente público.

Veja matéria completa aqui.

Publicado em Privatização | 2 Comentários

RS: consultoria sofre revés

“Por unanimidade, os desembargadores da Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul deram razão aos argumentos dos vereadores de Pelotas e concederam a liminar requerida pelo Ministério Público, suspendendo “os efeitos do contrato firmado entre o Município de Pelotas e o Instituto de Desenvolvimento Gerencial S/A”, que faz parte do Grupo Falconi, e que, desde fevereiro deste ano prestava consultoria às escolas do município.”

O valor cobrado pela consultoria é superior a dois milhões de reais e o Tribunal ainda entendeu que existiriam outras alternativas no próprio cotidiano do ensino municipal que onerariam bem menos os cofres públicos.

“Para o vereador Marcus Cunha (PDT), a decisão do Tribunal faz justiça a tudo que o Legislativo apresentou desde que o contrato entre a Prefeitura e a Falconi foi divulgado. “Mostramos que não havia necessidade de contratar uma empresa de fora, que não é especializada em educação, para prestar consultoria em nossas escolas, quando temos instituições reconhecidas na área da Educação, como as universidades Federal e Católica e o IFSul”, afirma o parlamentar.”

Veja matéria completa aqui.

Publicado em Links para pesquisas, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

E se a bola não chegar?

Que ensinamentos podemos tirar da copa do mundo para a educação? Vários, mas vou escolher um. A área do esporte é a da educação amanhã, se submetida à mesma privatização. O fracasso da seleção brasileira sensibilizou a todos, mas as razões deste foram somente arranhadas.

Um dos problemas centrais reside na privatização do setor – além de sua propensão ao esporte de alto rendimento, portanto, seletivo. A lei Pelé colocou os jogadores na mão do mercado. E como o mercado não tem pátria, é claro que investir na base do esporte, na formação de novos jogadores – tarefa que os clubes faziam – virou coisa de trouxa. Um clube investe na preparação e o outro compra os melhores, deixando os piores para quem investiu. A própria compra e venda de jogadores tem vida própria independentemente do que se espera de uma área como o esporte nacional. A Copa só denunciou esta mercantilização do esporte e destruiu a “nobreza da seleção canarinho” que ocultava esta realidade.

Em uma profissão efêmera, de curta duração, e tentada por salários de um milhão ao mês, não há política que resista à fixação dos melhores no país ou nos clubes. Restou juntá-los nas vésperas das competições, mas o resultado é o que se tem hoje com a seleção brasileira. Não há conjunto.

Como diz Gilmar, novo coordenador de seleções da CBF:

“Em diversos momentos da entrevista coletiva, Gilmar ressaltou o foco no trabalho coletivo. O dirigente, inclusive, utilizou a Alemanha como exemplo de como o individual deve ficar em segundo plano diante do trabalho em equipe.”

Não vai ser fácil, pois aí entra em cena outro aspecto da privatização. A competição. Quando se privatiza, instala-se a competição como princípio e meio de funcionamento da área.

Porém, ocorre que “um time” exige colaboração. É o que se diz que foi o diferencial da Alemanha: eles tinham conjunto e não apenas talentos individuais.

Mas a competição gera talentos individuais. Todos querem ser Neymar – marcar gols bonitos e serem contratados por milhões. Poucos se dispõem a ser goleiros e a ocupar outras posições em campo. São apenas posições de apoio. Não rendem. Só conta quem marca gol. Cooperação quando se mira a competição? Colaboração quando se valorizam as “boas práticas” de Neymar na finalização?

A queixa dos “atacantes” resume-se em dizer que “a bola não chegou”. Ou seja, a culpa é dos outros que não apoiaram os grandes marcadores de gol. Mas, por que eles deveriam fazer isso se quem marca gol (o “craque”) é quem fica com o suce$$o e não a equipe?

Não podemos dizer que todo o fracasso se resumiu à privatização. Mas que ela tem uma boa parte de culpa no processo ela tem.

E imagine-se esta filosofia em uma escola – um ambiente que exige colaboração e que deve ensinar a colaboração…

E se também na educação “a bola não chegar”? O que farão os “professores campeões”?

Publicado em Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | 3 Comentários

SP: antidoping nas escolas?

A questão do uso da Ritalina (Metilfenidato) nas escolas é um fenômeno conhecido. Parabéns ao Haddad por enfrentá-lo. Melhor ainda seria se tivéssemos ido mais diretamente a uma das causas da ampliação de seu uso nas redes públicas (a competição e pressão gerada pela corrida às metas do IDEB e outras avaliações). Mas valeu.

No esporte, criou-se a figura do antidoping para barrar o uso de medicamentos que alteram o desempenho dos competidores ilegalmente.  O que se discute aqui é o uso indiscriminado do remédio, sua generalização para atender a pressões de desempenho seja da família ou da escola que visam aumentar a atenção da criança em sala de aula para elevar, posteriormente, o desempenho da criança nos testes. Segundo alguns, o medicamento tem implicações para o próprio crescimento da criança.

É louvável a iniciativa de Haddad. Há alguns meses publiquei um post por aqui sobre esta questão. E antes dele já havia tocado no assunto mostrando a dimensão internacional que ele tem. Os Estados Unidos vivem o mesmo problema, afinal a política pública de avaliação vai na mesma direção.

Um médico americano é bem claro:

“Eu não tenho muita opção”, disse Anderson, um pediatra de muitas famílias pobres no condado de Cherokee, ao norte de Atlanta, nos Estados Unidos. “Nós como uma sociedade decidimos que é muito caro modificar o ambiente no qual a criança se encontra. Então, temos que modificar a criança”.

No Brasil, como indiquei em post anterior, considero a situação alarmante:

“A Ritalina (Metilfenidato) indicado para combater a “hiperatividade” e que prejudica o crescimento das crianças teve 3.880 indicações em 2005, e em 2011 passou para 83.400 indicações, só na cidade de Campinas (SP).

No Brasil, o número de caixas vendidas deste princípio ativo saltou de 71.000 em 2000 para 2.000.000 em 2010 (www.idum.org.br).

Na rede pública de São Paulo as indicações deste medicamento saltaram de 45.320 em 2005 para 702.942 em 2010 e para 2011 estima-se que tenha chegado a mais de 1.000.000 .”

Esta é a dimensão do problema. De há muito sabemos da predileção de docentes e diretores pela medicalização dos problemas escolares quando submetidos a pressão dos testes.

Estamos gerando uma “educação de alto rendimento”, parafraseando tempos de copa. E como lá, no esporte, aqui também temos nosso doping (substância química que se ministra ilicitamente a um atleta, a fim de alterar-lhe por momentos o condicionamento físico, aumentando-lhe a resistência e o desempenho muscular, diz o dicionário).

Haddad mexeu com a corporação médica. Vão gritar. A mídia vai condenar Haddad ou no máximo se abster. Cabe perguntar, aqui, pelo direito da criança aprender livre de doping. É fato corriqueiro que a escola é chata, não encanta as crianças, desmotiva, quebra a autoestima. E muitos querem resolver este problema aumentando a concentração e a atenção da criança na sala de aula a partir de medicamentos.

A medida de controle indicada por Haddad não retira o médico, apenas compartilha a decisão com outros profissionais. O que é correto. Mas será considerada absurda pela corporação médica. A Prefeitura Municipal precisa envolver os pais nesta luta, divulgar os dados e os riscos da medicação – inclusive no cenário internacional.

Temos literatura sobre isso também:

Moisés, M. A. A institucionalização invisível: crianças que não aprendem na escola, Campinas: Mercado das Letras, 2008; Collares, C. A. L.;

Moyses, M. A. A. e Ribeiro, M. C. F (Orgs.) Novas capturas, antigos diagnósticos na era dos transtornos. Campinas: Mercado das Letras, 2013;

Conselho Regional de Psicologia (SP), Medicalização de crianças e adolescentes: conflitos silenciados pela redução de questões sociais a doenças de indivíduos. SP: Casa do Psicólogo, 2011.)

Publicado em Meritocracia, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão | Deixe um comentário

Base Nacional Comum: personagens

Blog da Ação Educativa relata reunião sobre Base Nacional Comum CEE/São Paulo em 2013. Ela permite vermos a posição de alguns personagens que estão envolvidos nesta atividade. Destaque-se a fala de Guionar Namo de Mello, do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, indicando que a base nacional comum tem por finalidade “ser orientadora da avaliação nacional e da formação de professores”. Ela será orientadora, portanto, da Avaliação da Alfabetização aos 8 anos, da Prova Brasil, ENEM e da Prova de Avaliação Docente (em elaboração no INEP).

Entretanto, ao contrário dos Parâmetros Curriculares, ela deverá ter caráter obrigatório – na linha que Obama está implementando o Common Core.

Qualquer discussão sobre base nacional comum ou currículo deveria responder antes uma pergunta extremamente importante: o que entendemos por boa educação? Como orientadora de avaliações, a base nacional comum vai nascer comprometida de início, em seu fundamento, pois ela tem o pressuposto de que a qualidade da educação é medida pela média obtida nas avaliações que ela orienta. E como tem sido dito insistentemente, nota mais alta não é sinônimo de boa educação.

 “Base nacional comum para currículo da educação básica é debatida no CEE-SP – NOVEMBRO 6, 2013

Na sessão plenária da quarta-feira 30/10, a presidenta do Conselho Estadual de Educação de São Paulo (CEE-SP), Guiomar Namo de Mello, informou que esteve presente recentemente em duas reuniões para discutir uma base nacional comum dos currículos da educação básica. De acordo com Guiomar, compareceram à reunião membros do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), parlamentares da Comissão de Educação da Câmara e do Senado Federal, representantes de organizações não-governamentais e do poder público.

A presidenta informou que a discussão em processo está vinculada ao debate do Sistema Nacional de Educação (SNE). “Essa base nacional comum não é um currículo. Os currículos são dos estados e municípios, que são muito mais do que uma base. Essa base comum vai ser orientadora da avaliação nacional e da formação de professores, que é um assunto de âmbito nacional”, afirmou.

O conselheiro Francisco Poli questionou se o excesso de componentes curriculares, especialmente no ensino médio, foi tratado e Guiomar lembrou que os parlamentares presentes na reunião são os mesmos que produziram um parecer rejeitando projetos de lei que abordavam a criação de novas disciplinas para a educação básica, como já foi debatido no CEE-SP e divulgado em matéria no De Olhos nos Conselhos em 6 de setembro deste ano.

Para a conselheira Maria Helena, que também acompanhou a reunião, o ponto importante do encontro foi agregar pessoas e organizações diferentes na tentativa de “avançar em direção a um denominador comum” no tema.

O conselheiro João Cardoso Palma Filho afirmou que é “muito cético em relação a uma base nacional comum que fique no nível das expectativas de aprendizagem”. Ele acredita que os parâmetros curriculares nacionais, tanto para o ensino fundamental, como para o médio, podem servir de referência para os diferentes sistemas.

Segundo a conselheira Rose Neubauer, foi no fim dos anos 1980 que apareceu com mais força a autonomia escolar, em que as propostas curriculares seriam orientadoras e cada estado e escola teria o direito de construir seu próprio currículo de acordo com suas necessidades. “Essa história do que a criança aprende detalhadamente significa qual é o compromisso dessa sociedade e da escola [...] com as habilidades e competências que as crianças vão dominar ao sair da escola, para poder ingressar no mercado de trabalho para sobreviver.”

Guiomar afirmou que a recomendação do grupo presente na reunião é que a referência inicial seja os parâmetros nacionais e pontuou, mais uma vez, que os avanços estão centrados em agregar pessoas à discussão. Segundo a presidenta, há uma “firme disposição de continuar esse caminho”. Ela acrescentou que é provável que o processo seja liderado por um fórum interfederativo, com a participação do Ministério, dos estados e dos municípios. “A base nacional comum é um projeto de país, o que nós queremos que nossos alunos aprendam para sobreviver no século XXI. E mais, o grupo está propondo que a liderança do processo não seja do governo federal, do MEC”.

Publicado em Avaliação de professores, Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | 1 comentário

Interesses, fé e evidências

Diane Ravitch divulga artigo de Arthur Camins, Diretor do Center for Innovation in Engineering and Science Education, Stevens Institute of Technology: “Reforma da Educação – reivindicações de benefícios infundadas; efeitos colaterais não declarados.”

Navegando pelo nevoeiro criado pelos reformadores empresariais da educação em relação à qualidade da educação e suas receitas milagrosas, os educadores profissionais precisam retomar estas temáticas e mostrar a fragilidade das reivindicações feitas por aqueles, como forma de orientar a formulação das políticas educacionais.

Mais uma vez aponta-se a falta de evidência empírica das soluções alardeadas pelos reformadores. Interesses políticos e comerciais de grupos estão ocultos na fé com que estes divulgam seus remédios educacionais.

Aqui vai um pequeno trecho de sua argumentação:

“Comerciantes de drogas distraem com sucesso a atenção dos clientes desconfiados dos efeitos colaterais deletérios, com imagens de pacientes saudáveis ​​saltitando através de campos floridos e famílias sorridentes. Da mesma forma, os defensores de um sistema de ensino orientado para o mercado contam histórias convincentes de exemplos e de flagrantes melhorias de incompetência. No entanto, eles estão livres para fazer alegações infundadas e esconder os efeitos colaterais de suas medidas de melhoria viesadas porque nenhuma lei exige a verdade no marketing educacional.”

“Uma arma no arsenal dos adversários das políticas atuais [política dos reformadores empresariais] tem sido a de apontar a ausência de evidência empírica. Na verdade, não existe um sistema dentro dos EUA ou ao redor do mundo que tenha feito progressos substanciais sistêmicos através de escolas charters, pagamento por mérito ou responsabilização orientada a testes. A resistência está crescendo, mas até agora esta linha de ataque não construiu o suficiente entendimento generalizado do público para deter os responsáveis ​​políticos. Talvez seja porque os defensores destas políticas têm efetivamente obscurecido seus objetivos e valores reais.”

O texto de Camins prossegue examinando:

“Primeiro, vamos olhar se estas políticas de educação priorizam o progresso individual em detrimento do bem comum. Esta não é uma contraposição nova. Individualismo e responsabilidade social têm estado em tensão ao longo da história dos EUA. Em seguida, vamos examinar se estas políticas demonstram confiança na governança democrática. Mais uma vez, a contraposição entre a confiança em peritos auto-nomeados versus confiança nas pessoas não é nova. O que determina qual perspectiva é ascendente no nível político é quem tem influência e como eles definem os seus interesses. Quando o público está confuso, os interesses de poucos sempre ganham. Precisamos virar esse jogo.”

Poderíamos agregar outras batalhas a serem dadas, mas esta, especificamente, cabe à academia e às entidades científicas.

Publicado em Links para pesquisas, Responsabilização participativa, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Base Nacional Comum americana

Os Estados Unidos estão implementando sua base nacional comum – currículo para a educação básica. Diane Ravitch pergunta:

“Por que os testes da base nacional comum requerem 8 a 10 horas? Alguém sabe? Por que deveria esperar-se que alunos da terceira série, crianças de 8 ou 9 anos de idade, se sentassem por oito horas fazendo testes? Isso é loucura!”

Leia mais aqui (em inglês).

Publicado em Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Educação e competitividade

Em agosto de 2013 a OCDE divulgou relatório sobre os atuais países considerados emergentes. Segundo ela, estes (Brasil, Russia, China, Índia) perderam fôlego e o ritmo de crescimento está desacelerado na maior parte dos países emergentes – menos na Índia.

Uma seguradora francesa chamada Conface, do grupo Natixis, banco de investimento francês, decidiu que agora teremos os neoemergentes: um grupo de países chamado PPICS (composto por Peru (média no PISA 2012 em matemática 368; leitura 384; ciências 373), Filipinas (não participa do PISA), Indonésia (matemática 375; leitura 396; ciências 382), Colômbia (matemática 376; leitura 403; ciências 399) e Sri Lanka (não participa do PISA). Segundo a análise todos têm elevado potencial de crescimento, superior a 4% e alguma resistência a choques – além do sistema financeiro em bom estado.

Há também uma outra lista a dos MINT e que inclui México (média no PISA 2012 em matemática 413; leitura 424; ciências 415), Indonésia (penúltima colocada no PISA), Nigéria (não participa do PISA) e Turquia (matemática 448; leitura 475; ciências 463), feita pela MSCI, uma sociedade de investimentos.

Dos candidatos a neoemergentes ninguém está na média do PISA (500), todos estão abaixo. Colômbia é a última colocada no PISA 2012 antecedida pela Indonésia que é a penúltima colocada no ranking. Apenas México e Turquia estão acima do Brasil, mas ainda abaixo da média.

Estes dados são importantes para entendermos que a tão alardeada competitividade internacional tem outros elementos e não depende só da educação. Chile, por exemplo, que está acima do Brasil não é candidato a neoemergente. Isso deve ser lembrado quando disserem que o Brasil está perdendo a posição de emergente (o que é ainda duvidoso) por causa da qualidade da educação.

Embora a questão da educação não deva ser desconsiderada, não é condição fundante da posição de emergente ou neoemergente. Ou a Austrália que está acima da média do PISA deveria estar entre os candidatos a neoemergentes.

Portanto, devemos exigir um pouco mais daqueles que têm o discurso pronto da garantia da competitividade internacional através da educação. De fato, os empresários sabem que a competividade internacional é algo mais complexo e depende muito mais de inovação científica. Contraditoriamente, inovação não se desenvolve só com leitura e matemática ou com apostilamento das redes, ou seja, a política educacional dos empresários não está focada na geração de inovação, já que focar em leitura, ciências e matemática estreita o currículo e faz com que a escola não desenvolva uma matriz formativa mais alargada que inclua a criatividade. Sem exercitação da criatividade (desde os níveis mais elementares de ensino e não apenas nos laboratórios de ciências do ensino médio ou das Universidades) e habilidades interpessoais, não há inovação. Isso deveria, por si, causar alguma indagação dos políticos brasileiros no poder.

Pode-se dizer, então, que estão certos os que assinaram manifesto questionando o papel que o PISA está jogando na educação dos países que fazem o teste. Entre eles, o mais danoso: o estreitamento curricular que o PISA gera em leitura, matemática e ciências, produzindo uma eliminação ou secundarização das artes e das ciências humanas, sem as quais não se desenvolve criatividade e inovação.

Isso é corroborado por Levin:

“Na realidade, as relações entre os resultados medidos em testes e os ganhos de produtividade são modestas e explicam uma parcela relativamente pequena da maior ligação entre nível educacional e os resultados econômicos. O que é omitido em tais avaliações estreitas são os efeitos que a educação tem sobre o desenvolvimento das capacidades e habilidades interpessoais e intrapessoais e que afetam a qualidade e a produtividade da força de trabalho.”

Como afirma Ravitch:

“O mais importante nas próximas décadas é a extensão em que vamos cultivar a criatividade, a engenhosidade, a curiosidade, a inovação e formas de pensar de forma diferentes. Estas qualidades têm produzido a genialidade da cultura americana. Essas características não são medidas por testes padronizados. Os alunos que aprendem a selecionar quadradinhos em uma questão de múltipla escolha não serão os inventores e inovadores do futuro” Veja aqui.

Publicado em Estreitamento Curricular, Pisa, Responsabilização/accountability | 5 Comentários

ENEM e Ciência Sem Fronteira

A instituição do ENEM como critério para se entrar no Programa Ciência Sem Fronteiras sofreu questionamento jurídico que resultou no seguinte pronunciamento em segunda instância:

“Não me parece revestida de legitimidade a exigência de pontuação mínima no Enem a fim de eleger os melhores candidatos aptos a participarem do programa Ciência sem Fronteiras, pois aquele exame tem como fim avaliar os conhecimentos do aluno do ensino médio, enquanto o Ciência sem Fronteiras é voltado ao ensino superior, ou seja, o Enem não avalia os melhores alunos dos respectivos cursos de graduação”, sentencia o magistrado.”

“A inserção de exigência atrelada à realização do Enem inibe, sumariamente, aqueles alunos que eventualmente não se submeteram a tal exame, por se tratar de participação facultativa”, diz texto de outro desembargador, o magistrado Antônio de Souza Prudente, que serviu de embasamento para Meguerian.”

O governo vai recorrer, é claro. O assunto deve ir ao STJ ou ao STF. Mesmo que seja derrubado em instância superior, valeu pela crítica acertadamente feita pela magistratura.

Publicado em Enem | Deixe um comentário

Aécio: privatização da educação?

Samuel Pessoa defende na Folha de São Paulo a Universidade paga. Samuel Pessoa é membro da equipe que está elaborando o programa da candidatura do PSDB que oficializou Aécio Neves. Diz a notícia:

“O time que formulará o capítulo econômico, um dos mais sensíveis para o debate eleitoral, tem à frente o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, mas Aécio também tem destacado colaborações dos economistas Mansueto Almeida, Samuel Pessoa, José Roberto Mendonça de Barros e Edmar Bacha, um dos formuladores do Plano Real.”

Logo, a ideia da Universidade pública paga faz parte do horizonte da equipe do candidato.

No mesmo texto, Samuel Pessoa defende que a educação fundamental não seja paga. Certo, mas não é o que pensamos. Ocorre que para o entendimento deles educação fundamental pública inclui alternativas de pagamento por vouchers e a terceirização da gestão da escola, coerente com a ideia de privatização por concessão.

Publicado em Privatização | 1 comentário

SINESP: carta de 2014

CARTA DO FÓRUM EDUCACIONAL E SINDICAL 2014 DO SINESP, QUE TEVE COMO TEMA “POLÍTICAS DE RESPONSABILIZAÇÃO E SEUS IMPACTOS NAS ESCOLAS”

 No vigésimo segundo ano de sua fundação, o SINESP elegeu como princípios norteadores do Fórum Educacional e Sindical:

Analisar e refletir sobre as políticas públicas de Educação do nosso país, o seu impacto nas Unidades Educacionais, no trabalho dos Educadores, na sua saúde e na qualidade do ensino oferecido às crianças, jovens e adultos.

Explicitar a origem dessas políticas e os interesses implícitos em sua aplicação neste momento histórico.

Tendo em vista o direito da população à Educação Pública de qualidade, encaminhar aos governos propostas de melhorias nas políticas educacionais e valorização da Escola Pública e de seus Educadores.

O Fórum Educacional e Sindical do SINESP 2014, realizado nos dias 7 e 8 de maio, no Teatro Gazeta, contou com 700 filiados. Os trabalhos foram coordenados pela Diretoria do SINESP, e contaram com a participação de profissionais convidados, altamente qualificados em sua área de atuação.

Conclusões do Fórum:

- Hoje em nosso país há na Educação uma disputa de agendas entre os educadores profissionais e os chamados reformadores empresariais. São economistas, novos especialistas, muitos dos quais vivem do comércio da educação.

- Trazem para o setor educacional práticas e métodos usados na iniciativa privada, e vêm exercendo influência nas políticas públicas da Educação, sem evidências empíricas que comprovem a eficácia e a eficiência de suas propostas e modelos. Ao contrário, fracassaram onde foram testados e estão sendo abandonados.

- Punição, competição, discriminação, são paradigmas implícitos nessas políticas, que rotulam o trabalho da escola e dos educadores, sem atingir a tão almejada qualidade da educação.

- Essas políticas de responsabilização fomentam um processo de desprestígio crescente dos educadores, pois colocam o sucesso da Educação brasileira estritamente sob a sua responsabilidade, eximindo governos e governantes da sua parcela.

- Educação é fenômeno multideterminado, depende de inúmeras variáveis, muitas delas afeitas tão somente ao poder público: nível sócio-econômico do aluno, planos de carreira atraentes ao magistério, salários dignos aos quadros da Educação, formação inicial e continuada dos educadores, cuidados com a saúde de alunos e educadores, quadros completos de profissionais nas escolas, educação em tempo integral, apoio pedagógico, infraestrutura das Unidades Educacionais, e tantas outras.

- Os educadores brasileiros não temem a avaliação externa ou o monitoramento da qualidade pelo poder público. Endossariam uma política participativa, que reunisse os demais atores com seus devidos papeis.

- Algumas lendas com relação às políticas de responsabilização precisam ser denunciadas e varridas da agenda da Educação: nota alta em testes padronizados não quer dizer boa educação; o IDEB não é uma boa medida, o modelo de análise é falho; o professor não pode ser responsabilizado pela crise na Educação, estudos disponíveis dizem que 60% dos fatores do rendimento escolar estão fora da escola, sendo a miséria a causa mais relevante; fomentar a competição entre escolas não melhora a qualidade da educação, trata-se de lógica nefasta, que aumenta a segregação, alunos com pior desempenho são deslocados para determinadas escolas para que outras possam se sair bem; a simples avaliação externa não melhora o sistema; não há evidência de que o pagamento de bônus fixa os melhores profissionais nas escolas.

- Essas políticas de responsabilização verticalizadas produzem impactos indesejáveis nas escolas:

- Não garantem o “direito de aprender”, que não ocorre isolado, mas faz parte do binômio “ensinar em condições decentes”. Há mais atores nessa relação, que são ocultados: não há salário digno, condições dignas de trabalho, relação de formação apropriada para ocorrer o que se estabelece entre professor e aluno.

- Provocam estreitamento curricular, medem apenas avanços em português e matemática. Hoje, os países são competitivos pela inovação, pela criatividade, e o estreitamento curricular vai na contramão disso.

- Instalam a disputa numa instituição estritamente colaborativa, que é a escola, com impacto negativo não só para professores, mas para os alunos: há tensão prejudicial, pressão com testes preparatórios, com aumento de medicalização para a concentração.

- Provocam a fraude. O caso mais emblemático ocorreu em Atlanta, nos Estados Unidos da América, em que autoridades da Educação respondem a processo por fraude nas notas dos alunos.

- Contribuem para a destruição moral do professor, responsável pela formação dos alunos. No Japão, só o professor não se curva diante do imperador. Aqui, segundo pesquisas, aumentam casos de agressão a educadores. O professor é chamado para dar conta, sozinho, da tarefa de ensinar. Tudo isso tem um simbolismo.

- Provocam a destruição do sistema público de educação, ao direcionar recursos públicos para a iniciativa privada, como se esta fosse melhor que a pública. Onde as políticas de responsabilização foram intensificadas, nos Estados Unidos da América, no Chile, os mais pobres recebem dinheiro para escolher a escola dos filhos. Acontece que essas escolas não aceitam qualquer aluno. Pesquisas apontam que elas têm menos alunos com necessidades especiais, menos crianças socialmente vulneráveis. Em condições semelhantes não há diferença de desempenho entre escolas públicas e privadas. Onde as escolas particulares operam com financiamento público (escolas charter), muitas escolas públicas são fechadas.

- Por esses motivos, as políticas de responsabilização são uma séria ameaça à Democracia, que só a escola pública pode garantir. Escolas públicas são um bem público. As escolas privadas defendem interesses diversos e não universais.

Acesse o Jornal do Sinesp com o texto aqui.

Publicado em Estreitamento Curricular, Fraudes, Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão | 1 comentário

PNE: Diário Oficial publica texto final

O Diário Oficial da União publicou hoje o texto final do PNE.

Publicado em Assuntos gerais | Deixe um comentário