Para ficar esperto com números…

Fique esperto com números. A manipulação destes é frequente, em especial no campo da avaliação. Como alerta, segue matéria de Luis Nassif comentando manipulação de dados com o comércio de natal.

Como os jornalões estragaram um natal surpreendente…

por Luis Nassif — publicado 27/12/2013

Leia aqui.

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Nossa curva é outra

A relação pobreza/mau desempenho é bastante conhecida e investigada ao redor do mundo. Em geral, os pesquisadores concordam em que elas são variáveis associadas. Em geral, novamente, mau desempenho acompanha a pobreza e vice-versa. Dito de outra forma, quanto maior é a pobreza, maior é a probabilidade de insucesso escolar.

Os reformadores empresariais reconhecem isso. Mas… pensam que a escola pode suplantar a pobreza com a sua ação eficaz. Daí sua ênfase na figura do professor como aquele que vai ajudar a superar a condição da criança. Baseiam-se em experiências exitosas isoladas as quais elevam à categoria de comprovação de sua tese.

Os reformadores empresariais são por excelência, liberais. Qualquer um que estudou esta proposta social sabe que ela propõe que todos tenham apenas igualdade de oportunidades. Não pode ir além disso. Não está em seu ideário a igualdade de resultados – nem mesmo acadêmicos, quanto mais econômico-sociais. A palavra chave da ideologia liberal chama-se: esforço pessoal. Isso conduziria ao sucesso. Transliterado para a ação da escola, professores deveriam ser bons estimuladores e motivadores de seus estudantes para que eles, apoiados em esforço pessoal, fossem então bem sucedidos. Claro: como as pessoas não são iguais, também os resultados não seriam iguais. Mas… tiveram oportunidade.

A curva normal é a representação perfeita da ideologia liberal: 20% abaixo da média; 60% em torno da média, e 20% acima da média – ou algo próximo disso. O “desvio padrão” posiciona cada um no seu lugar (positiva ou negativamente em relação à média). Através deste conceito, a vida é compreendida como uma dedução “normal” destas distâncias que situa as pessoas em suas variadas posições acadêmicas, econômicas e sociais, produto de seu esforço pessoal.

 Os liberais são os detentores do poder econômico e social em nossa sociedade. Advogam em causa própria. De sua posição de bem sucedidos, contemplam os demais não tão bem sucedidos e os medem pelo seu próprio “esforço pessoal”. Quanto de fato foi esforço pessoal próprio é esclarecido pela obra de variados autores da sociologia, incluindo Bourdieu.

Curiosamente, é em nome da curva normal – que orienta a elaboração dos testes padronizados aplicados nas escolas – que os liberais avaliam a atuação das redes de ensino e emitem seus vereditos expressos nos ranqueamentos. Como bem explica Diane Ravitch abaixo, a curva normal não é indutora de equidade pela sua própria natureza. Como também já apontou Bloom há 42 anos, ela não é uma boa representação do fenômeno educacional, pois o que se quer é igualdade de resultados, ou seja, algo começando com 100% acima do ponto médio, aumentando positivamente e gradativamente a cada desvio padrão, com concentração na ponta extrema, após algum tempo. 95% das crianças que estão na escola podem aprender tudo se lhes dermos o tempo que precisam e os meios adequados. A ideia dos ciclos de formação tem este embrião em sua base.

Esta é a exigência que falta aos liberais e aos reformadores empresariais. A eficácia que pregam é a da curva normal. Não serve. Pois ela distribui os desempenhos e é ela que está na base dos testes padronizados utilizados. Em educação, não há curva normal. Todos devem aprender tudo a seu tempo.

Mas voltando à questão da relação pobreza/desempenho, é interessante ver abaixo a resposta de Diane Ravitch a esta questão, respondendo a um leitor de seu Blog:

“Primeiro, ele se opõe à minha afirmação de que a pobreza é o mais importante preditor de mau desempenho escolar, mesmo que ela seja empiricamente precisa. Ele afirma que estou dando desculpas para o mau ensino e que eu estou dizendo que não podemos melhorar as escolas até eliminar a pobreza. Mas, no meu livro, eu deixo claro que devemos tanto reduzir a pobreza como melhorar as escolas, não escolher um antes do outro. Ele diz que os professores não podem reduzir a pobreza, não podem reduzir o tamanho das turmas, não podem controlar quem inclui aulas de artes, e não têm controle sobre as circunstâncias externas. Isso é verdade, mas ele não parece perceber que o meu livro não foi escrito como um guia para o professor, mas como um guia para a política nacional e estadual. Os formuladores de políticas podem controlar o tamanho das turmas; podem controlar os recursos; podem tomar decisões para melhorar a vida das crianças e ajudar as famílias a sair da pobreza, ou podem dar de ombros e dizer “deixe que as escolas façam isso.” Não há nenhum país do mundo onde a reforma da escola acabou com a pobreza, e nem a reforma da escola vai acabar com isso aqui. Ele não parece entender que eu estou tentando abrir as mentes dos congressistas, senadores, funcionários de gabinete, governadores e Legislativos Estaduais; que eu quero que eles tomem medidas para melhorar a vida das crianças e das famílias, e eu quero que eles entendam que eles não devem cortar os postos de trabalho dos bibliotecários e enfermeiros e aumentar o tamanho das turmas, e que eles não devem amarrar a remuneração dos professores a resultados de testes. Concordo em que os professores fazem uma diferença enorme na vida das crianças, mas eu quero que ele reconheça que o jogo está contra as crianças pobres. É marcado pelas circunstâncias, e é marcado pela dependência obsessiva de nossas escolas por testes padronizados. Testes padronizados são baseados na curva normal. A curva normal não produz igualdade de oportunidades educacionais. Ela favorece a vantagem sobre os mais desfavorecidos. Nós, como sociedade, temos a obrigação de fazer algo sobre isso.”

Portanto, se de fato queremos combater a reprovação, se queremos favorecer a equidade, temos que começar por uma crítica a um conceito estatístico que não se adequa ao fenômeno educativo: a própria curva normal que está na base dos testes padronizados. Não dá para ser contra a reprovação do aluno e ser ao mesmo tempo a favor dos testes padronizadas com ranqueamento de escolas e distribuição de bônus. O ranqueamento de escolas é só uma extensão da mesma lógica do ranqueamento dos estudantes (dentro ou fora da sala de aula), pretensamente negado por quem prega a não reprovação do aluno, mas defende os ranqueamentos de escola e professores regados a bônus. Testes padronizados só devem ser amostrais e para orientar a política pública e não para avaliar escolas, professores e alunos.

Não lidamos com sacas de café, plantio de batata ou produção de pregos. Lidamos com a formação humana a qual deve ser a mais elevada para todos e não elevada “em média”. Esta é a exigência que temos que ter e não a exigência de escalas de proficiência que oficializam a falta de equidade. Não queremos a “garantia de aprender o básico” para depois talvez aprender o “não básico”, mas que é, de fato, o definidor do sucesso na sociedade. Não queremos o discurso da equidade associado às escalas de proficiência que acolhem a não equidade acadêmica. Não basta ser contra a reprovação e a favor do ranqueamento em escalas. Aprovar escalonadamente é ocultar o não ensino no discurso da não reprovação. Não queremos substituir a nota de 0-10 pela localização do aluno em escalas de proficiência igualmente segregadoras. Nossa curva é outra.

Pobreza/reprovação/desempenho estão associados. Por que não colocarmos metas anuais para a redução da pobreza? Melhor ainda, por que não um ranqueamento de municípios e estados pela pobreza (não falo do IDH) seguido de uma Lei de Responsabilidade Social que obrigue o cumprimento destas metas?

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Final de ano

A todos os que nos acompanharam por este blog, desejamos um excelente final de ano e um grande 2014, lutando pela escola pública e contra o uso do campo da avaliação para justificar a privatização do público e a desmoralização do magistério.

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USA: ranqueamento do IMPACT contém erros

Valerie Strauss divulgou hoje erros encontrados no ranqueamento dos professores de Washington, feito por cálculo de valor agregado. Pelo menos 35% dos salários dos professores está baseado nestes resultados – já foram 50% nos tempos da reformadora empresarial Michelle Rhee. Ela inventou este sistema de avaliação de professores que é conhecido com o nome de IMPACT.

Já escrevi sobre ele aqui. O Secretário de Educação do Rio, Risolia, estava testando o sistema com os professores no Estado.

Vejamos o que está ocorrendo lá pela matriz que já usa o sistema desde 2009:

“Erros foram encontrados na forma como algumas avaliações dos professores foram feitas no período 2012-2013, de acordo com uma carta do presidente do Sindicato dos Professores de Washington, Elizabeth A. Davis, para a Secretária de Educação de Washington DC  Kaya Henderson.

Não está claro quantos professores estão envolvidos ou qual a gravidade dos erros, mas o sindicato está pedindo à Secretária para obter informações sobre os erros que foram encontrados por Mathematica Policy Research, um parceiro do sistema escolar. Os erros foram encontrados em pontuações de “valor agregado” individual dos professores, que são calculados através de uma fórmula complicada, que inclui o resultado de testes padronizados dos estudantes. Esta fórmula “VAM” é parte do sistema de avaliação chamado IMPACT, iniciado pelo ex-secretária Michelle Rhee, em 2009. Henderson, sucessora de Rhee, continuou com o sistema IMPACT, embora este ano, ela tenha reduzido a quantidade de peso dado a estes testes de 50 por cento, para pelo menos 35 por cento.”

Não sei como anda o ensaio de Risolia com este sistema IMPACT, mas é preciso que o sindicato desconfie dos ranqueamentos se eles estão existindo. Contratem estatísticos, exijam a divulgação dos microdados dos testes e das fórmulas usadas. Recalculem – encontrarão variações. Como já divulgamos aqui inúmeras vezes, a fórmula de valor agregado é instável.

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USA: politicagens referendadas por “estatísticas”

Diane Ravitch divulga hoje informações sobre os escândalos em New Orleans, tida como a reforma empresarial de sucesso nos Estados Unidos – imposta depois do furação Katrina ter liquidado a cidade. Ela diz:

“Mercedes Schneider foi convidada a depor a um comitê legislativo de Michigan sobre o suposto “milagre de New Orleans”, que ela explica é, na verdade, uma miragem. Além de apresentar seus pontos de vista em um vídeo de cinco minutos, ela fez um vídeo de dez minutos especificamente dirigido aos pais em Michigan. Ela explica o que está acontecendo em Louisiana, a manipulação de dados, os jogos políticos envolvendo estatísticas para reforçar a privatização.
Se você quer conhecer Mercedes Schneider, assista aos vídeos.
Mercedes ensina Inglês em Louisiana e ela tem um Ph.D. em métodos de pesquisa. Ela também não tem medo, o que é incomum nos dias de hoje.”

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Nota mais alta em testes significa habilidade cognitiva alta?

“Para avaliar a qualidade da escola, estados exigem que os alunos façam testes padronizados, em muitos casos, passando nos testes é suficiente para obter um diploma do ensino médio. Estes testes de alto impacto também foram elaborados para prever o futuro sucesso escolar dos alunos, bem como sua empregabilidade quando adultos e sua renda.

Em um estudo com cerca de 1.400 estudantes da oitava série no sistema escolar público de Boston, os pesquisadores descobriram que algumas escolas têm aumentado com sucesso a pontuação de seus alunos no Sistema de Avaliação Compreensiva de Massachusetts (MCAS). No entanto, essas escolas não tiveram quase nenhum efeito sobre o desempenho dos alunos nos testes de habilidades de inteligência fluida, como a capacidade de trabalho com a memória, velocidade de processamento de informação e capacidade de resolver problemas abstratos.”

Veja matéria aqui.

Leia o estudo Cognitive Skills, Student Achievement Tests, and Schools aqui.

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Suécia: modelo de privatização em cheque

“ESTOCOLMO (Reuters) – Quando uma das maiores empresas privadas de educação da Suécia foi à falência no início deste ano, ela deixou 11.000 estudantes na mão e fez Estocolmo repensar sua reforma de mercado pioneira do sistema de escolas públicas.

Paralisações escolares e piora dos resultados roubaram o brilho de um modelo de educação admirado e imitado em todo o mundo, na Grã-Bretanha, em particular.”

Veja matéria aqui.

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Bônus: nunca funciona e nunca morre

Estudo mostra que pagamento de bônus para professores não tem impacto no desempenho dos estudantes. É só para lembrar a galera entusiasta dos bônus…

Resumo do estudo

“Fornecer incentivos financeiros aos professores para aumentar o desempenho dos alunos é cada vez mais uma política de educação popular em todo o mundo. Este artigo descreve um estudo randomizado com mais de duzentas escolas públicas de Nova York projetado para entender melhor o impacto de incentivos dados ao professor no desempenho do aluno. Não encontrei nenhuma evidência de que os incentivos dados aos professores aumentasse o desempenho do estudante, a assiduidade, ou a sua graduação, nem foi encontrada qualquer evidência de que os incentivos mudem o comportamento do estudante ou dos professores. Se alguma coisa foi possível encontrar é que os incentivos dados aos professores pode diminuir o desempenho dos estudantes especialmente nas escolas maiores. O artigo conclui com uma discussão especulativa de teorias que podem explicar esses resultados.”

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PISA sob ataque

“O professor Svend Kreiner, um estatístico da Universidade de Copenhague na Dinamarca, disse que um modelo impróprio é usado para calcular o ranking do Pisa a cada três anos. Em um artigo publicado este verão, ele desafia a confiabilidade do Pisa e mostra como ele flutua significativamente de acordo com as perguntas do teste que são usadas. Ele revela como, no ranking de leitura de 2006, o Canadá poderia ter sido colocado em qualquer lugar entre o segundo e o 25, o Japão entre oitavo e 40 e o Reino Unido entre o décimo quarto e o 30.

O Dr. Hugh Morrison, do Queens University Belfast, na Irlanda do Norte, vai mais longe dizendo que o modelo do Pisa utilizado para calcular o ranking é, em seus próprios termos, “totalmente errado”, porque contém um “profundo” erro conceitual. Por esta razão, argumenta o matemático, o “Pisa nunca funciona”.

Veja matéria aqui.

É bom parar com este colonialismo cultural brasileiro do PISA, antes que passemos vergonha…

Estudos de Svend Kreiner.

Estudos de Hugh Morrison.

Mais estudos de outros autores.

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Privatização também avança na esfera federal

Mais um golpe na educação pública foi concretizado hoje no Senado Federal. Veja que é sempre o legislativo (a mando ou não dos governos) que faz o trabalho de induzir a privatização.

“De acordo com a nova redação, em vez de obrigar o governo federal a investir em educação pública, o texto do PNE aprovado no Senado exige investimento público em educação.  De um modo geral, a troca de alguns trechos fez com que o Estado pudesse incluir no orçamento da educação verbas de programas que incluem parcerias com entidades privadas.

“Hoje o PNE foi gravemente desconstruído pelo Senado Federal. O texto tanto diminui o recurso para educação pública como o governo não vai ter a obrigação de criar uma matrícula nova no ensino técnico nem no ensino superior”, afirma Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e colunista do UOL Educação.”

Matéria completa aqui.

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Privatização avança pelos municípios

O município de Santos no Estado de São Paulo aprovou o repasse de recursos da Saúde para organizações sociais administrarem a estrutura pública da cidade.

“Mesmo com forte pressão dos servidores contrários a decisão, os vereadores de Santos aprovaram, nesta segunda-feira (16), o projeto de lei de autoria do prefeito Paulo Alexandre Barbosa que permite o gerenciamento de equipamentos públicos municipais por organizações sociais (OSs)
O projeto teve 14 votos a favor, 5 votos contrários e uma abstenção. A sessão extraordinária desta tarde teve duração de 1h30 e foi interrompida por pelo menos duas vezes. Um dos momentos mais tensos foi a queda de um manifestante na plenária.”

Veja matéria completa aqui.

Se é possível na saúde, por que não na educação?

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Retrocesso na Espanha

Espanha tem manifestações contra a nova lei da educação proposta pelo Ministro José Wert. A lei permite que os diretores (indicados) possam contratar diretamente os professores, entre outros aspectos como o aumento de avaliações externas.

A nova lei inclui, segundo resumo divulgado por Carta Maior:

  1. Primazia do castelhano: O governo espanhol determina os conteúdos e as horas letivas da cadeira de língua castelhana que é considerada primordial. O basco é relegado à condição de matéria de especialidade (ao mesmo nível que a educação física).
  2. Centralização: mais controle do Ministério. As comunidades autônomas só poderão decidir os conteúdos e horários das matérias chamadas específicas (educação física, música). O governo central decide 65% a 75% dos conteúdos.
  3. Peso da religião católica. Religião passa a ser uma matéria de especialidade, contará para a nota média e terá em horas a média do resto das matérias. Deixa de existir a Educação para a Cidadania e estabelece-se uma alternativa à Religião: Valores culturais e sociais, na primária, e Valores éticos, no secundário.
  4. Avaliações: Passa a haver várias avaliações externas – exames preparados e corrigidos fora do centro e que os alunos terão de ser aprovados para passar de ciclo. As universidades também poderão fazer provas de acesso.
  5. Escola menos participativa: o peso do Conselho Escolar (formado por diferentes agentes da comunidade educativa) passa a ser meramente consultivo, perdendo a força que tinha.
  6. Reforço do papel do diretor: os diretores de centros serão nomeados pelo governo, aumentando-se assim o controle institucional dos centros. Os diretores poderão contratar diretamente os professores.
  7. Condições laborais: aumenta o horário letivo dos professores. Sobe em dez por cento o número de alunos por turma.
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Chile: Bachelet é eleita

Bachelet é a nova presidenta do Chile com uma votação recorde: 63% dos votos. Piñeira sofre uma grande derrota e com ela a visão privatista de educação chilena. Nos planos de Bachelet está a criação de uma sistema educacional público e gratuito em atenção às manifestações de estudantes massivas que ocorreram naquele país recentemente.

O Chile é hoje um país marcadamente segregado socialmente, fruto das políticas que tiveram sua origem nos anos Pinochet.

O movimento anti-privatista tem razões para comemorar: cai Nova York e cai Chile. Estes dois locais foram até agora peças importantes nas mãos de governos que incentivaram e testaram à exaustão as teses dos reformadores empresariais da educação. A resposta a tais experiências foi dada nas urnas em ambos os casos.

Veja aqui nosso comentário em 2011 sobre o Chile.

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USA: escolas privatizadas têm menor desempenho

“Os defensores da escolha da escola pelos pais argumentam que as crianças vão ter uma educação melhor se eles puderem sair das escolas públicas e ir para escolar privadas ou para escolas charters, especialmente nas áreas urbanas. O Modelo de Indiana conta uma história diferente.

Ele sugere que as escolas públicas, em geral, estão se saindo melhor do que as escolas charters ou as escolas privadas – a maioria delas escolas religiosas – que estão recebendo vouchers estaduais.”

Veja matéria completa aqui (em inglês).

Cada vez mais vão se avolumando dados que mostram que as escolas públicas entregues para serem administradas pela iniciativa privada têm, em geral,  desempenho igual ou menor do que as públicas.

Interessante estudo divulgado por Diane Ravitch coloca em debate o impacto das crianças que vivem sob condição de miséria no desempenho da educação americana.

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Agora é o Chile

Tal como em Nova York, amanhã é a vez dos privatistas chilenos serem afastados do poder. Bachelet tem possibilidade de obter até 63% dos votos contra a direita que administrou o Chile com Piñeira, atual presidente, representada por Matthei.

Na pauta, ensino público e gratuito, o que conta com amplo apoio da população.

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USA: reformadores empresariais preparam ofensiva

Valerie Strauss em seu blog Answer Sheet divulga plano para desenvolver a política de privatização dos reformadores empresariais em várias áreas em uma ofensiva nacional nos EUA contra o setor público. O documento apareceu no The Guardian como revela no texto que segue:

“O jornal The Guardian informou nesta história sobre uma rede de grupos conservadores de extrema direita estaduais nos Estados Unidos “planejando um ataque coordenado contra os direitos e serviços públicos nas áreas-chave da educação, saúde, imposto de renda, fundos de pensão dos trabalhadores e o meio ambiente. “No mundo da educação, documentos obtidos pelo The Guardian revelaram planos para incluir propostas nas legislaturas estaduais para impulsionar os vouchers que usariam dinheiro de impostos para pagar mensalidades públicas em escolas particulares. The Guardian, em parceria com a Texas Observer e o Portland Press Herald, em Maine, publicou um resumo da rede de todas as propostas políticas que revela estado por estado os planos conservadores.”

Matéria completa aqui (em inglês).

Documentos do The Guardian aqui (em inglês).

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Desinformado ou tendencioso? Escolha.

O Deputado Raul Henry deu a seguinte declaração à Revista Veja, em uma entrevista sobre a Lei de Responsabilidade Educacional que ele está fazendo:

“Dizem que melhoramos em relação a nós mesmos, quando até os dados do MEC apontam para uma estagnação e até retrocesso em algumas séries. E pergunto: não estamos em plena era da competição global? A corrida é com os outros. Vi os últimos dados da Organização Internacional do Trabalho e fiquei espantado. A produtividade do brasileiro é baixa: corresponde a 18% da americana, e vem caindo. Evidentemente, isso não é fruto de um país que está fazendo seu dever de casa em relação à Educação. Às vezes, indago a meus colegas de Câmara: “O Brasil está na rabeira e não vamos fazer nada?”. É preciso quebrar essa lógica silenciosa que perpetua o fracasso.”

Ver matéria integral aqui.

 Bem, veja agora, o que dizem os estudos sobre a produtividade brasileira:

O Brasil no World Competitiveness Yearbook 2013

2012

2013

2012

2013

Performance Econômica

47

42

Eficiência dos Negócios

27

37

Economia Doméstica

25

31

Produtividade e Eficiência

52

58

Comércio Internacional

56

59

Mercado de Trabalho

17

23

Investimento internacional

30

20

Finanças

28

27

Emprego

6

6

Práticas Gerenciais

20

27

Preços

55

56

Atitudes e Valores

15

32

Eficiência do Gov.

55

58

Infraestrutura

45

50

Finanças públicas

41

45

Básica

50

55

Política Fiscal

37

38

Tecnológica

54

57

Marco Regulatório

55

58

Cientifica

33

36

Legislação dos negócios

55

58

Saúde e Meio-Ambiente

35

35

Estrutura Social

53

55

Educação

54

56

Primeiro, não é só educação que interfere com o cálculo da produtividade de um país.

Segundo, o indicador educação como se pode ver acima, não piorou. Só melhorou.

Houve queda na performance econômica (47 para 42 nos últimos dois anos), queda em investimento internacional, estagnação em emprego, estagnação em saúde e meio-ambiente e queda em finanças. Outros aspectos cresceram tanto quanto a educação (dois pontos): preços, política fiscal, estrutura social.

Nenhum destes fatores foi lembrado pelo nobre deputado…

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PE: privatismo de Campos declina no PISA

Louvado pelos reformadores empresariais por seus experimentos de privatização do ensino médio, Eduardo Campos no Estado de Pernambuco recua no PISA 2012 em relação a 2009.

Em 2006 o desempenho em matemática marcou 335, subiu para 368 em 2009 e agora, em 2012, recuou para 363. Em leitura, de 352 em 2006 foi para 389 em 2009 e agora recuou para 383 e em ciências no ano de 2006 marcou 355, em 2009 foi para 384 e agora recuou para 374.

Mais uma vez fica perceptível o limite destas políticas de pressão. Depois de um arranque, empacam.

O Estado de São Paulo que anda flertando com as políticas de Eduardo Campos deve ficar atento.

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PISA: confira tendências dos países

O jornal “O Globo” disponibiliza uma página para você observar as tendências dos países no PISA  desde 2000, quando iniciou, até 2012. Segue o link abaixo.

http://oglobo.globo.com/educacao/ranking-de-desempenho-dos-paises-no-pisa-desde-2000-10950604

Observe as tendências do Chile (que entrou no PISA apenas em 2006) e dos Estados Unidos ao longo do tempo. O Chile está empacado e os Estados Unidos têm, hoje, um desempenho menor do que tinham em 2000 quando o PISA começou.

Nos ranqueamentos globais, desconsidere as cidades chinesas. Elas não representam a China e sim especificidades locais. Não são comparáveis com países.

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RJ: PISA do Estado despenca

O Rio de Janeiro vive seu “day after” após ter despencado no PISA de 2012. O PISA é um programa de avaliação internacional de estudantes com 15-16 anos em leitura, matemática e ciências, conduzido pela OCDE e realizado a cada três anos. Claudia Costin e Risólia, ambos Secretários de Educação no município e no estado respectivamente, estão calados. A imprensa também calou.

Em matemática, as médias caíram de 391 em 2006 para 389 em 2012; em leitura, caíram de 427 para acachapantes 408, e em ciências caíram de 411 para 401. Como Claudia e Risolia acreditam em ranqueamentos como o do PISA, devem estar bastante preocupados.

Em um dos Estados que mais aplica de forma violenta as teses dos reformadores empresariais e que investe na desmoralização dos seus professores, os resultados estão coerentes. Que isso sirva de alerta para centenas de prefeitos que assistem palestras de Claudia Costin para aprender com ela os milagres dos reformadores empresariais. E não esqueçamos que quase virou Secretária da Educação Básica no MEC.

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Amanhã tem PISA!!!

Amanhã a OCDE divulga os resultados do PISA. O mundo desenvolvido está ansioso. Normalmente, os resultados são de conhecimento prévio das Nações as quais os distribuem para alguns especialistas e jornalistas para que sejam previamente examinados… e as justificativas do fracasso ou a comemoração do sucesso sejam adequadamente preparadas.

É ridículo que uma organização voltada para o controle da economia mundial seja a que faça a avaliação da educação nos países. Mais ridículo ainda é eles aceitarem.

A manchete do Guardian na Inglaterra é, pelo menos, altiva: “Não deixem o impreciso ranking do PISA ditar como nós educamos nossas crianças.” A Inglaterra já sabe que não melhorou.

Os Estados Unidos provavelmente continuarão como sempre na média, mas distribuiu os resultados para um conjunto de organizações que advogam pelas políticas públicas dos reformadores empresariais para que eles preparem o discurso de que um desastre se aproxima e que é necessário implementar ainda mais a política que estão aplicando, ou seja privatizar mais, fazer mais exames, punir mais gestores etc. etc…

No Brasil não sei quem está recebendo e preparando o discurso. Mas não deve ser muito diferente deste. Não espero nada diferente sob clima pré-eleitoral.

Depois da pirotecnia do ENEM, vem aí a pirotecnia do PISA.

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SP: confirmada a saida de Palma

O Secretário Adjunto da Educação Paulista João Cardoso Palma não continua no governo. Sua exoneração saiu hoje no Diário Oficial.  Fernando Pádula Novaes, chefe de gabinete, passa a responder interinamente pelo expediente do cargo até nova designação. O motivo foi a posição de Palma em uma Comissão Paritária que tratava de critérios de promoção na carreira.

O tema em questão era decidir se profissionais da rede com representação sindical participarem nas reuniões sindicais durante o ano seria ou não considerado falta justificada. Caso não fossem julgadas justificadas, haveria prejuízo para o avanço na carreira dos profissionais que participassem das reuniões nas entidades. Como são reuniões autorizadas pela Secretaria, tudo indicaria que deveriam ser falta justificada. Não considerar justificada traria um desestímulo à participação nas entidades. Quem esteve na reunião conta que Palma acompanhou o voto das entidades representativas do magistério em uma votação apertada (6 a 5 a favor de considerar as faltas justificadas).

Quem defendia o contrário? Pessoas como Guiomar Namo de Mello, é claro. Segundo observadores, ela chegou a dizer que “não vivemos em um estado sindical” portanto, não deveria o Estado financiar reuniões sindicais.

Curioso é que a gestão Herman destacou-se nestes anos por ouvir o magistério e solicitar a participação da rede nas decisões. Mas, certos setores do PSDB paulista não podem ouvir falar em sindicatos. Lembrem-se que Paulo Renato foi elogiado pelo The Economist quando saiu da Secretaria de Educação no começo da gestão Alckmin por enfrentar os sindicatos. As viúvas políticas daquele secretário seguem a tradição.

Estas parecem ter sido as razões. Como se vê, sempre que há retrocesso em SP há alguém do triunvirato (Rose/Guiomar/Eunice) por perto… Há alguns dias, abordei esta questão neste blog.

Palma caiu. Mas, caiu de pé.

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SP: a caminho do retrocesso?

Rumores dão conta de que João Cardoso Palma, Subsecretário de Educação do Estado de SP, estaria demissionário. Caso se confirme, é um indício de que SP pode estar a caminho do retrocesso na área educacional. Os poucos avanços obtidos na administração mais recente foram certamente produto do envolvimento de pessoal com a experiência do Prof. Palma, profundo conhecedor da educação paulista e da realidade da rede paulista. A conferir…

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TFA: professores a granel…

Em 2010 informei aqui neste blog que a Teach For America estava no Rio de Janeiro operando sob o nome de Ensina!, com verba do BID para formar “tutores”. Em 2012, reproduzi matéria do blog de Diane Ravitch avaliando a ação da TFA nos Estados Unidos.

Agora ouço dizer – no Congresso da Redestrado em Vitória que acaba de se realizar – que a Ensina! (TFA) está negociando grandes contratos na região. Os links para as matérias anteriores estão acima.

A TFA é uma ONG que opera nos Estados Unidos “formando” professores, 8 ou 10 mil por ano, com um curso que dura cinco semanas – eu disse 5. Eles dizem que estão estimulando talentos para ingressarem no campo da educação. Graças a isso, a taxa de rotatividade de professores nos Estados Unidos nos primeiros quatro anos da profissão beira 50%. Ficam em torno de dois anos na profissão, até que arrumam emprego em suas respectivas áreas e abandonam a escola.

Seria bom rastrear esta informação e procurar saber mais…

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ENEM: besteirol de sempre….

O besteirol da comparação entre escolas privadas e públicas a partir do ENEM se repete sempre. Não utilizamos uma metodologia de avaliação que nos permita comparar escola pública com particulares. Para tal teríamos que congelar o desempenho do aluno no momento de ingresso na escola e depois medir ao final. A diferença, que pode ser calculada de várias formas, seria então um indicador do “valor agregado” pela escola.

A metodologia existe, mas não é aplicada pelo INEP ou pelos Estados brasileiros. Portanto, qualquer comparação entre escolas públicas ou privadas a partir de uma única medida ao final de um período é balela de gente que quer fazer pirotecnia para vender jornal ou alardear escolas particulares.

Um exemplo. Uma escola pública, como se sabe recebe alunos com maior gap cultural. Digamos que o teste de entrada na escola mostrasse que um aluno acumulou 100 pontos em matemática. Depois de dois anos de aprendizagem, medimos novamente. Suponhamos que agora o aluno conseguiu obter 350 pontos. Houve portanto um acréscimo de 250 pontos no período.

Suponha agora que uma escola privada que recebe alunos de maior poder aquisitivo receba alunos que no ponto de ingresso tenha 200 pontos. Medido depois de dois anos, o aluno apresenta 450 pontos. A diferença entre a entrada e a medição posterior seria exatamente a mesma da escola pública 250 pontos. Não haveria nenhuma diferença favorável à escola privada.

Isso mostra a importância de se ter uma prova de controle na entrada do aluno na escola. Congelada a entrada, então podemos ver quanto ela agregou. É assim que funciona. Uma escola privada pode receber alunos tão bons que não pode fazer com que eles avancem muito mais. Já uma escola pública pode receber alunos com menor desempenho e com isso fazer com que progridam mais, em tese. O valor agregado da escola pública seria maior do que a privada.

Não temos a aplicação desta metodologia por aqui, portanto, vamos parar com esta farsa de comparação entre escola pública e privada a partir da posição destas nos ranqueamentos com uma única medição ao final.

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Reclamos da Sra. Rose

Afastada das decisões do governo paulista, pelo menos no que se refere à política educacional, a ex-secretária da Educação que implantou a Progressão Continuada, Rose Neubauer, ocupa a página três da Folha de São Paulo (“Culpar a Vítima é Escapismo”) do dia 24-11-2013 para reclamar dos caminhos da política paulista para a área da Educação.

Membro do Conselho Estadual de Educação paulista a ex-secretária, procura manter-se influenciando a política local, num esforço para recompor a hegemonia perdida, tarefa para a qual conta com suas parceiras históricas Eunice Durham e Guiomar Namo de Mello (atual presidente do Conselho). De lá fustigam o governo e as universidades (p. ex. a Deliberação 111 que afeta a formação de professores). Como sempre, tentam impor suas ideias pela canetada e não pelo diálogo. Não foi assim também que a ex-secretária Rose implantou a progressão continuada no Estado?

A ex-secretária discorda da mudança da progressão continuada para a organização por ciclos promovida pelo atual governo, endossa o coro contra a reprovação dos alunos, acusa o também ex-secretário Chalita de ter desmantelado a política de acompanhamento dos alunos, qualifica tudo de retrocesso e enaltece a política de bônus para os professores que ela considera a “única medida de impacto na década” da educação paulista.

Como se pode ver, pela própria pena de uma ex-secretária tucana, fica claro o pouco ou quase nada que se fez na década de educação paulista. E, convenhamos, se a implantação da política de bônus foi a única medida de impacto na década, então não se fez nada mesmo. Tal política, copiada de Nova York, lá, na matriz, já foi suspensa. Aqui não é paralisada somente por questões políticas – não que se reconheça seus efeitos benéficos na educação paulista. O SARESP que o diga. Suspendê-la causaria uma gritaria destes setores antigos do PSDB jamais vista no Estado, certamente com a ex-secretária Rose à frente.

Mas o que temos de fato de novidade na educação paulista? Uma mudança de estilo de grande relevância: pela primeira vez o Secretário saiu do claustro e foi para as escolas ouvir os profissionais da educação de forma presencial e sistemática e não casual ou por “email”. Colocou nas assessorias diretas pessoal que conhece a rede por dentro e não “free-lancers”. Fortaleceu as estruturas de gestão pedagógica das escolas e teve a coragem de reconhecer que a progressão continuada da ex-secretária é um fracasso. E principalmente, democratizou e arejou a Secretaria.

O episódio mostra como é difícil para o PSDB inovar e sair da mesmice. Cada vez que se ouve o pessoal que no passado administrou a Secretaria de Educação do Estado falar tem-se a impressão de ouvir mais do mesmo que não funcionou. Mais bônus, mais progressão continuada, etc. Um discurso que já começa a ficar velho.

A progressão continuada foi um modelo do tipo “abre a porta e deixa passar” retirando-se as avaliações entre os anos de estudo da clássica estrutura educacional das séries iniciais e séries finais – 5 + 4. Tal estrutura não está sintonizada com o desenvolvimento da criança cujas fases acontecem em média a cada três anos: infância, pre-adolescência, adolescência. A nova estruturação 3+3+3 respeita melhor os tempos da vida. Não é tudo, é claro. Falta agora alterar o currículo para que ele também leve em conta os tempos da vida e aumentar as condições para que se possa acompanhar e diversificar os tempos de aprendizagem –  e torcer para que a escola fique mais interessante para os estudantes.

Não devemos ser favoráveis à reprovação. Mas quem é? O fato de se introduzir mais avaliações em sala de aula (e perder a ilusão de que é o SARESP que avalia – outra invenção do passado), cria a oportunidade para se agir antes e depois das avaliações em sala de aula. Disso não se pode deduzir que o que se pretende é reprovar. A questão é diagnosticar e criar a estrutura para que as escolas possam desenvolver este trabalho. Aliás, sem isso, pode-se se chamar como quiser (Progressão ou Ciclo) e nada de novo acontecerá. Adiar a eliminação do aluno para o final da quinta ou da nona série – ou pior, aprovar ao final sem que o aluno esteja preparado – não é a melhor forma de se lidar com as dificuldades que os alunos naturalmente apresentam em sua caminhada. Isso sim é escapismo

A reação da ex-secretária Rose é típica de certa política paulista tucana. Tudo que se fez no passado é sagrado e nada pode ser mudado sem autorização dos criadores.

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CENPEC divulga novas pesquisas

Cenpec apresenta novos estudos da sua pesquisa “Desigualdades socioespaciais e escolares nas grandes cidades”

Processos de seleção de alunos e concorrência de professores nas escolas públicas são temas para pesquisadores, educadores e gestores públicos da educação

São Paulo, 8 de novembro de 2013 – Estudos realizados pelo Centro de Estudos em Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) revelam que alunos de escolas públicas nas periferias das grandes cidades têm seu desempenho escolar afetado pelas características dos territórios onde vivem. Três novos estudos: Processos velados de seleção de alunos em escolas públicas, Concorrência de professores por escolas e esforços educativos de famílias de localidades vulneráveis trazem à luz temas que impactam milhares de famílias cujos filhos estudam em escolas públicas.

Esses novos estudos têm origem na pesquisa Educação em territórios de alta vulnerabilidade social na metrópole, iniciativa da Fundação Tide Setubal e Fundação Itaú Social com coordenação técnica do Cenpec que, desde 2011, investiga as relações entre desigualdades socioespaciais e escolares na Subprefeitura de São Miguel Paulista, no município de São Paulo. “Os estudos recentes revelam as relações de interdependência competitiva nas escolas públicas paulistanas: as escolas concorrem por alunos cujo perfil não irá conturbar sua frágil ordem disciplinar. Além disso, os professores quando se removem tendem a sair de locais mais vulneráveis para localidades mais centrais. Há indícios de que tais mecanismos ocorrem em detrimento de escolas de regiões mais vulneráveis” explica Antonio Augusto Batista, coordenador de pesquisas do Cenpec.

A pesquisa original apontou, entre outros resultados, que alunos com os mesmos recursos culturais familiares têm melhor desempenho quando estudam em escolas situadas em territórios não vulneráveis; quando alunos com maiores recursos estudam em escolas localizadas em meios vulneráveis, seu desempenho tende a cair. A partir dessa evidência principal continuou-se a investigação para apreender os mecanismos sociais e escolares que fazem com que crianças de um mesmo nível sociocultural tenham desempenhos diferentes conforme o nível de vulnerabilidade social do local em que se situa a escola em que estudam.

Pesquisas sobre desigualdades socioespaciais e escolares

O estudo Processos de seleção de alunos em escolas públicas revela que, à margem da legislação, escolas do Ensino Fundamental selecionam os estudantes inviabilizando as matrículas ou expulsando os alunos considerados “indesejados”.  Esses alunos são avaliados por critérios subjetivos como comportamento do aluno ou do responsável, local de moradia (favela ou região onde há tráfico de drogas), ter irmão que já esteve na escola e que gerou distúrbios disciplinares, escola de origem, período em que a transferência ocorre, entre outros critérios. Pressupõe-se que esses são indícios que o aluno conturbará o ambiente escolar.

O segundo estudo Concorrência de professores por escolas foi realizado a partir das publicações do Diário Oficial referente aos concursos de remoções (transferências) de professores do Ensino Fundamental da Rede Municipal de São Paulo entre os anos de 2006 e 2011 nas escolas da Subprefeitura de São Miguel Paulista. Os resultados da análise evidenciam que escolas localizadas em regiões mais centrais e cujos alunos possuem maiores recursos culturais atraem os professores com mais experiência e mais diplomados. Por outro lado, as escolas dos territórios mais vulneráveis, em sua maioria, tendem a receber professores em início de carreira e menos experientes.

Publicação Família, escola, território vulnerável

Lançada no seminário, a publicação Família, escola, território vulnerável aborda as relações de mães que vivem em territórios vulneráveis da periferia de São Paulo com a escolarização de seus filhos. “Ao contrário da ideia de que as famílias desses territórios dão pouco valor à escola, os resultados da pesquisa mostram que as mães depositam grandes aspirações na escolarização de suas crianças e desenvolvem esforços para que elas sejam bem-sucedidas. Esses esforços podem não ser efetivos quando a situação de vulnerabilidade da família é muito intensa” explica Antonio Augusto Batista.

Sobre o Cenpec – Organização da sociedade civil sem fins lucrativos criada em 1987 que busca, por meio do desenvolvimento de programas, projetos, estudos e pesquisas, contribuir com as políticas públicas educacionais para o enfrentamento das desigualdades sociais. Saiba mais: www.cenpec.org.br

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Torturando dados…

Relatório sobre escolha “New York School Choice” confunde correlação com causação

Revisão feita pelo NEPC do relatório conclui que comete erros

Boulder, CO (19 de Novembro de 2013) – Um relatório recente do Brookings Institution afirmando que a escolha da escola pelos pais e a competição entre escolas ajudou a melhorar os resultados dos resultados dos testes na cidade de New York e a melhorar as taxas de graduação é mera “advocacia mal fundamentada” – e não uma pesquisa confiável.

Essa é a conclusão de uma nova revisão acadêmica do relatório. O comentário foi escrito por Patricia Burch da Universidade do Sul da Califórnia, Mary Stewart da Universidade de Wisconsin-Madison, e Jahni Smith também do USC .

Burch, Stewart e Smith revisaram o relatório “Escolha da Escola e Desempenho Escolar nas escolas pública de Nova York – Será o passado um prólogo? escrito para o Brookings por Grover (Russ) Whitehurst e Sarah Whitfield e publicado em outubro.

O relatório Brookings afirmava que a escolha da escola e a concorrência tinham contribuído para a melhoria das pontuações e das taxas de graduação em New York City. O prefeito Michael Bloomberg implementou a escolha no ensino médio em escolas públicas da cidade em 2004.

Os críticos apontam que, em contraste com uma longa secção introdutória do relatório que elogia os supostos benefícios da escolha e da concorrência, “apenas quatro páginas são dedicadas à discussão dos resultados, e muitas dessas afirmações são problemáticas.”

O relatório Brookings usou dados de vários outros relatórios recentes para concluir que a estratégia de reforma da escola feita por Bloomberg tem melhorado o desempenho acadêmico dos estudantes do distrito, incluindo estudantes de baixa renda e carentes .

“No entanto, estas conclusões baseiam-se principalmente em interpretações causais de dados correlacionais, e os resultados são apresentados de forma seletiva” apontam os revisores . De fato, apesar dos autores do Brookings reconhecerem a importância de não confundir correlação com causalidade, no entanto, continuam a fazer inferências causais injustificadas ao interpretarem os dados da cidade de Nova York.

Além disso, as recomendações do relatório fazem propaganda da ampliação da escolha e da concorrência de acordo com a estratégia de Bloomberg e com a “própria” defesa que o Brookings faz em seus documentos como “Escolha Educação e Índice de Competição” – mas sem qualquer ligação lógica com as provas apresentadas no relatório.

Ao produzirem “defesa fracamente fundamentada ao invés de pesquisa” os revisores do relatório concluem que o documento do Brookings tem pouco ou nada a oferecer em termos de orientação fundamentada para a política educacional.

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Aberta a temporada de trocas…

O Ministério da Educação vai passar por alterações até janeiro.

Sai Mercadante que deverá ir para a Casa Civil (cargo para o qual é candidato desde o dia que foi para o MEC) ou para o comando da campanha de reeleição de Dilma.

A questão é quem assumirá.

A disputa de agenda educacional pode acirrar-se…

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50.000 acessos

Atingimos hoje a marca de 50.000 acessos.

Agradecemos a confiança de todos.

Estamos nos esforçando para disponibilizar ao máximo os argumentos necessários para combater a política de destruição da escola pública proposta pelos reformadores empresariais da educação.

Somados aos anos de existência do Blog quando estávamos na UOL estamos na casa de 72.000 acessos, de fato.

Obrigado a todos.

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