“Democraticamente”, método fônico para todos

“O decreto da nova Política Nacional de Alfabetização do governo Jair Bolsonaro (PSL) manteve o foco no chamado método fônico, alvo de críticas. O texto inicial havia sido alterado nos últimos dias, com anuência de secretários de Educação, mas a versão final teve nova redação.”

Leia mais aqui.

Forçar (ainda que veladamente como faz o MEC na nova versão do Decreto) o uso de um método específico pelas escolas, pela chantagem do Estado que só distribui verbas federais se as redes “optarem” pelo uso do método fônico, disfarçado de instruções pedagógicas, deveria ser motivo de debate no Congresso, procurando-se estabelecer instrumentos legais que impedissem ao Estado de fazer isso.

Nos Estados Unidos, a nova lei que regula as relações no campo da educação entre o governo federal e os estados evoluiu em relação à lei anterior conhecida como No Child Left Behind e impediu que a nova versão condicione o acesso a recursos federais, à obediência de instruções centralizadas, por exemplo, na concepção da avaliação dos sistemas de ensino estaduais.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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5 respostas para “Democraticamente”, método fônico para todos

  1. Eloisa De Blasis disse:

    Um dos argumentos usados pelo MEC para defender a imposição do método fônico é o fracasso da alfabetização entre crianças e jovens. Atribui-se ao que chamam de “método construtivista” na alfabetização a razão desse fracasso. Não sei se existem estudos que apontem qual método, ou métodos de alfabetização prevalecem nas salas de aula brasileiras, mas tendo trabalhado por mais de 20 anos no Cenpec, dando consultoria em gestão educacional para municípios e estados, percorrendo as mais diversas localidades no Brasil, tive oportunidade de testemunhar o que chamaria de prevalência do tal método fônico, aquele mesmo da cartilha tradicional, que sem dúvida alguma tem seus méritos, mas que não necessariamente dá conta de garantir aos estudantes o bom domínio da escrita e da leitura. Seria interessante saber, portanto, como estão sendo alfabetizadas as crianças brasileiras? quais métodos de alfabetização predominam nas salas de aula? Se estes estudos já existem, por favor, aqueles que os conhecem divulguem.

    • jose ungaro disse:

      Olá Eloisa.
      Existem várias pesquisas pelas Universidades brasileiras. Posso citar Capovilla e Capovilla – Alfabetização: método fônico.
      Abraços
      Prof. José Ungaro

      • Eloisa De Blasis disse:

        Obrigada professor José. Buscarei conhecer este estudo e procurarei por outros. Mas me interessa mesmo saber estatisticamente qual método prevalece.
        Até onde empiricamente pude observar, os alfabetizadores mais bem sucedidos que conheço costumam integrar, ou lançar mão de métodos diversos ao longo do percurso da alfabetização, com o intuito de garantir que seus alunos adquiram tanto o domínio técnico da escrita e da leitura (juntar letras para formar palavras, associar letras e sons, produzir frases) quanto desenvolvam com proficiência as capacidades de ler e escrever.
        Por isso mesmo, acredito ser um tanto falacioso propor como politica publica apenas o método fônico como “salvador da lavoura.” Precisamos ir além e entender melhor o que se passa em nossas salas de aula.

    • jose ungaro disse:

      Olá Eloisa.
      Relendo o título encontrei essa citação que gostaria de compartilhar com você.

      Alessandra G. S. Capovilla 4ª edição revisada e Fernando C. Capovilla ampliada Colaboradores:Fernanda B.SilveiraIlza G. Seabra Alessandra R. Trombella Célia R. Correia Alfabetização: Método fônico MEMNON São Paulo, 2007
      • 2. 1. Por que a educação brasileira precisa do Método Fônico Alessandra G. S. Capovilla (Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo e Instituto de Psicopedagogia, Universidade de Santo Amaro) Fernando C. Capovilla (Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo) .. .. É um problema de pedagogia experimental decidir se a maneira de aprender a ler consiste em começar pelas letras, passando em seguida às palavras e finalmente às frases, segundo preceitua o método clássico chamado “analítico”, ou se é melhor proceder na ordem inversa, como recomenda método “global” de Decroly. Só o estudo paciente, metódico, aplicado a grupos comparáveis de assuntos em tempo igualmente comparável, neutralizando-se tanto quanto se possa os fatores adventícios (…), é capaz de permitir a solução do problema. (…) Este exemplo corriqueiro mostra a complexidade dos problemas colocados à pedagogia experimental quando se quer julgar os métodos segundo critérios objetivos e não apenas segundo as avaliações dos mestres interessados, dos inspetores ou dos pais de alunos. (…)

  2. Pingback: Educação em debate, edição 233 – Jornal Pensar a Educação em Pauta

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