Protegendo dados de nossos jovens

Para dificultar a organização das entidades estudantis que hoje fornecem a identificação (carteirinha) para os estudantes, o governo quer fornecer diretamente tais carteirinhas usando os dados dos estudantes que estão no INEP. Quer com isso, esvaziar as entidades.

O presidente do INEP anterior caiu em uma quebra de braço com a sua Procuradoria, tentando fazer uso destes dados que estão no INEP para a carteirinha do governo. O atual Ministro continua, é claro, com o mesmo propósito.

A Procuradoria do INEP está coberta de razões para proteger os dados dos estudantes, pois eles são coletados nestas condições de garantia de sigilo.

A questão é tratada também nos Estados Unidos onde o impacto das tecnologias da informação e da reforma empresarial da educação produzem os mesmos problemas. Já abordamos isso aqui. A luta por ampliar o sigilo dos dados dos estudantes é grande.

Alertados por esta ação do governo, o Congresso brasileiro deu um passo importante na direção de ampliar a proteção dos dados de nossos estudantes. Orlando Silva (PCdoB) relator da medida provisória que trata da proteção de dados pessoais, incluiu em seu relatório que a utilização dos dados dos estudantes sob a guarda do INEP deverá ser regulamentada especificamente não só pelo INEP, mas deverá envolver também a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, criada pela mesma Medida Provisória. O texto foi aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Este é um primeiro passo. Importante. Deveremos dar outros. Vai haver uma avalanche de “sistemas personalizados de ensino” sendo vendidos no Brasil, tanto para atender em ambientes escolares como para o ensino domiciliar. Tais sistemas, prometendo “personalização” incluem algoritmos que supostamente realizariam tal “personalização”. Mas, tais algoritmos são inacessíveis para as escolas, professores e estudantes.

Teremos que ter uma lei que obrigue tais sistemas a abrirem seus algoritmos para que sejam examinados por especialistas com a finalidade de verificar o que se está vendendo como “personalização”. Veremos que não há nada mais rígido do que um sistema de ensino dito “personalizado”.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Weintraub no Ministério e marcado , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Protegendo dados de nossos jovens

  1. Cecilia Goulart disse:

    Os “big brothers” não perdem tempo! Anseiam por uma sociedade do controle total.

  2. Pingback: Educação pelo Brasil, edição 240 – Jornal Pensar a Educação em Pauta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s