Cingapura: mais crianças doentes fazem currículo mudar

A geocultura meritocrática que a OCDE está impulsionando ao redor do mundo com a supervalorização de exames como o PISA e com o PISA Schools (este recém chegado ao Brasil) feito com escolas do ensino básico, está destinada a formar os jovens no espírito da concorrência, induzindo as escolas à competição e à concorrência através de intensivos processos de avaliação e responsabilização nas escolas.

As consequências previstas para tal geocultura meritocrática, já observadas em países como os Estados Unidos, foram captadas, agora, em Cingapura. Quando Cingapura despontou no PISA, foi alardeada pelos reformadores empresariais brasileiros como modelo. Os efeitos nefastos daquela política educacional não tiveram que esperar muito:

CINGAPURA – Líder em rankings mundiais que medem a qualidade da educação, Cingapura lançou uma reforma para tentar reduzir o estresse no ambiente escolar, dado o grande número de crianças que são vítimas de ansiedade desde a escola primária.”

Leia aqui.

Para amenizar a situação, este país está eliminando alguns testes na educação básica e fazendo modificações curriculares.

“Nos últimos anos (…) tenho visto mais e mais adolescentes vindo de escolas com boa reputação, mas eles são dominados pelo estresse”, disse Lim Choon Guan, do Instituto de Saúde Mental, em Cingapura.”

Além disso, haverá uma valorização da educação artística e musical, bem como da educação física.

Se as escolas forem entregues às empresas educacionais, o compromisso com os acionistas virá antes do que a própria saúde de nossas crianças. quanto mais rapidamente os pais se convencerem disso, mais rapidamente evitarão ter seus filhos nas mesmas condições.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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