Bônus por desempenho declina nos USA

Como já é sabido, o país que mais usou a política de bônus para professores há tempos manda sinais de que isso não funciona. Não bastasse isso, há o fracasso dos bônus aqui mesmo em São Paulo. Mas a mania não para, não funciona mas não morre, pois mantem-se cada vez mais a fé na mão invisível do livre mercado e da concorrência como método gerador de qualidade. Depois do fracasso de vários formatos de pagamento de bônus nos Estados Unidos, inventou-se com Obama o pagamento por valor agregado baseado em resultados dos alunos em testes.

Uma década depois da reforma educacional de Obama (o Race to the Top – que vigorou enquanto o Congresso americano discutia o destino de outra reforma falida, a No Child Left Behind de Bush) ter exigido dos Estados que colocassem em prática uma política de avaliação de professores conhecida como “pagamento por valor agregado”, calculado a partir do resultado dos alunos do professor em testes, esta política começa a sair de cena. Ela foi alimentada pela competição por recursos adicionais da federação que, em troca, cobrava o engajamento dos estados em práticas de avaliação e pagamento complementar dos professores por valor agregado.

O National Education Policy Center faz um balanço deste declínio.

“A Flórida parou de exigir que os distritos fizessem isso em 2017. O Departamento de Educação de Nova Jersey anunciou em agosto que estava reduzindo sua dependência desta prática. E, 20 anos depois de ter sido introduzida pela primeira vez em Wyoming, a prática foi eliminada inteiramente este ano pelos legisladores desse estado.

Uma década após a agora extinta competição por subsídios do programa Race to the Top, que criou um incentivo financeiro para atrair as legislaturas em toda a América a adotar políticas de avaliação de professores que dependem de resultados de testes de estudantes, a reviravolta está ganhando velocidade.

Até mesmo a Fundação Bill e Melinda Gates – que investiu US $ 700 milhões em iniciativas relacionadas a avaliações de professores relacionadas ao desempenho dos alunos – anunciou em 2017 que estava se afastando da prática.

Os pesquisadores, incluindo os do National Education Policy Center, bem que alertaram desde o início desta prática. Em 2006, quando os defensores da utilização dos testes padronizados dos alunos para avaliar os professores estavam entusiasmadamente alardeando a abordagem, Edward Wiley do NEPC escreveu um guia prático onde identificou múltiplas preocupações com os chamados modelos de “valor agregado” que usavam resultados longitudinais de alunos para avaliar o desempenho do professor. Os professores não são designados aleatoriamente às turmas, e alguns grupos de alunos são mais propensos do que outros a exibir crescimento, independentemente da qualidade de instrução que recebem em um determinado ano letivo. Os testes de desempenho dos alunos tendem a não ser projetados para avaliar os professores. E os erros de avaliação também podem afetar os resultados.”

Leia aqui.

Leia também a posição da Associação Americana de Estatística.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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2 respostas para Bônus por desempenho declina nos USA

  1. hellitonsm disse:

    Mas não funciona mesmo. Não pela mérito e sim porque são dados facilmente manipulados e enviesados. É igual ao IDEB aonde mesmo estados com melhores notas perdem porque no outro tem aprovação automática. O certo é o modelo de Singapura. O professor está mal? Manda para reciclagem. Tentou e não melhorou? Manda pra rua.

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