Jornais denunciam projeto teocrático no MEC

Renata Cafardo (Estadão) reúne as ações que estão em curso no MEC sob controle do conservadorismo (religioso e Tradicionalista). A ideia é aprovar o homeschooling até o meio do ano no Congresso já que, segundo o ministro a pandemia mostrou que “as crianças aprendem bem em casa”. Além disso, o estudo sobre o “novo Ideb foi tirado do Inep” e “o que o indicador a partir de agora vai considerar bom e ruim no ensino brasileiro será decidido pela secretaria executiva do MEC, a turma do pastor e de Olavo de Carvalho”, diz Cafardo.

Leia aqui e aqui.

Os conservadores certamente estão vendo a possibilidade de impor, pelas ferramentas construídas pelos reformadores empresariais (BNCC, materiais didáticos, avaliação), uma política de salvação em um país que, para eles, teve a Grande Tradição profanada e que, agora, precisa ser regenerado.

O homeschooling, por exemplo, é a forma de educar os filhos preferida pelas famílias religiosas e conservadoras. Estas famílias também apoiam a implantação da ideia de voucher dos neoliberais pelo fato de permitir que elas escolham a escola dos filhos, isolando-os das “maldades e deturpações” que estão presentes nas escolas públicas e colocando-os em escolas religiosas financiadas com o voucher. Os mesmos vouchers também podem financiar o homeschooling para aquelas famílias que queiram educar os filhos em casa.

Em outra frente, o Presidente vetou integralmente o projeto aprovado no Congresso que previa implementar o acesso à banda larga nas escolas públicas e alega que isso romperia os esforços do governo para controlar o déficit, mas ao mesmo tempo registra que existem programas no MEC direcionados a garantir o acesso a internet nas escolas através do “Programa Brasil de Aprendizagem”. Imagino que isso de deva, para eles, à necessidade de proteger as escolas da degradação vigente no ocidente, mantendo sob controle do MEC o conteúdo que deverá ser enviado às escolas.

A atual escalada é denunciada por Ronilso Pacheco, no UOL, como a criação de um projeto teocrático no Brasil que também envolve a indicação de Sandra Ramos para cuidar dos materiais didáticos:

“O alerta se dá pelo histórico de Sandra Ramos, com sua defesa da “Escola Sem Partido”, sua batalha contra a chamada “ideologia de gênero” e sua tentativa de tornar o criacionismo uma teoria reconhecida e ensinada na grade curricular das escolas.”

Leia aqui e aqui.  

Os conservadores encontraram prontos no MEC os instrumentos de determinação de políticas criados pelos reformadores empresariais durante o governo Temer e, posteriormente a ele, via Conselho Nacional de Educação e vão usá-los para seus propósitos.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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Uma resposta para Jornais denunciam projeto teocrático no MEC

  1. Cleonice disse:

    Mais do que nunca, precisamos defender a escola pública.

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