Novo livro examina o fracasso da Base Comum americana

Um novo livro de Tom Loveless, “Between the State and the Schoolhouse: Understanding the Failure of Common Core,” será lançado em abril de 2021 pela Harvard Education Press. A introdução do livro pode ser lida aqui. Ele encontra-se em pré-venda na Amazon.

O livro cujo título pode ser traduzido por  “Entre o Estado e a Escola: compreendendo o fracasso da Base Comum” analisa a base comum curricular americana, que lá só existe para Inglês e Matemática. Há outra iniciativa para Ciências mas ela é independente do chamado “Comum Core” iniciado em 2010.

Em um post, Tom Loveless fala de seu livro:

“Mais de uma década após o lançamento em 2010 dos padrões da Base Comum para os estados, envolvendo língua inglesa e matemática, não existe nenhuma evidência convincente de que os padrões tiveram um impacto positivo significativo no desempenho dos alunos. Meu próximo livro no próximo mês – “Entre o Estado e a Escola: Compreendendo o Fracasso da Base Comum” – explora o Common Core desde o início promissor da iniciativa até seus resultados decepcionantes.”

Para ele:

“Embora o livro seja especificamente sobre a Base Comum, o fracasso dessa iniciativa ousada só pode ser compreendido no contexto da reforma baseada em padrões, da qual a Base Comum é o exemplo mais recente e famoso. Por três décadas, a reforma baseada em padrões tem se mantido como a política preferida dos reformadores da educação.”

Analisando a teoria que orienta esta reforma educacional, afirma:

“A teoria da reforma baseada em padrões repousa na crença de que padrões elevados nas disciplinas acadêmicas devem primeiro ser redigidos, orientando o desenvolvimento posterior de outros componentes-chave da educação – currículo, instrução, avaliação e responsabilização. Ao propiciar um conjunto articulado de resultados, argumentam os reformadores baseados em padrões que a fragmentação e a incoerência que assolaram os esforços das reforma anteriores podem ser evitadas.

A abordagem é inerentemente de cima para baixo e regulatória, com padrões desenvolvidos por elites políticas e especialistas em conteúdos no topo do sistema. Os outros componentes, todos eles aparafusados ​​aos padrões acadêmicos [escritos previamente], ganham importância posteriormente e muitas vezes estão sob o controle de [outros] profissionais (…).”

A ilusão de um sistema coerente e bem coordenado é adquirida às custas da flexibilidade dos professores em adaptar a instrução para atender a seus alunos. As salas de aula estão repletas de variações. Uma suposição dos defensores da Base Comum é que a variação na aprendizagem ocorre principalmente por causa das escolas e salas de aula que possuem padrões díspares, e muitas vezes, indefensavelmente baixos e que se as escolas fossem submetidas a um regime comum de altas expectativas, as crianças que estão ficando para trás as alcançariam ou nunca ficariam para trás.”

Este modelo fracassado, infelizmente, é o que está sendo implementado em vários países, mesmo sem evidência de que funcione, inclusive no Brasil. Seu único fundamento é uma fé inabalável na “coerência” como promotora da aprendizagem.

Não só as salas de aula possuem diferentes variações, as quais são impedidas pela padronização de serem pautadas pela criatividade e experiência dos professores, como além da variação, uma gama de outros fatores afetam o desenvolvimento das crianças, exigindo que professores e gestores tenham capacidade para analisar localmente estes impactos. Isso necessita de autonomia e criatividade e não de padronização e alinhamento a exames.

Por isso, a melhor reforma educacional não é a padronização, mas é a diminuição do número de alunos por professor em sala de aula, permitindo que ele tenha tempo para fazer a conexão entre o que se quer ensinar e as condições concretas de aprendizagem de seus estudantes – esta sempre variada. Para tal, temos que alterar também as condições de trabalho dos professores.

E não se pense que o ensino por plataformas digitais será a salvação da lavoura. Só professores bem formados e com condições de trabalho podem de fato personalizar a aprendizagem.

É isso, ou continuaremos colecionando décadas perdidas em educação. Nos Estados Unidos esta fé religiosa na padronização e alinhamento já gerou 30 anos de atraso. E o único resultado concreto destas políticas foi incentivar a privatização.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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