As plataformas híbridas na escola e o impacto na juventude

O entusiasmo das grandes corporações com a introdução das tecnologias na escola – p. ex. ensino hibrido – precisa ser detida. Em sua escalada para manter e ampliar as taxas de lucro, as corporações invadem e mercantilizam agora as próprias relações sociais e entre elas as relações entre professores e estudantes. São milhões de estudantes e professores plugados em plataformas – na escola e em casa – promovendo o faturamento de conglomerados financeiros (planos de telefonia, planos de internet, equipamentos, energia elétrica, etc.) Os pais, professores e os próprios estudantes precisam se mobilizar.

A recomendação da ciência é clara: antes de seis anos de idade – nada de tela. Depois, o tempo varia na dependência da qualidade da interação com as telas – mas sempre um tempo limitado que dificilmente será obedecido, sem resistência, pelas reformas em curso e pelas corporações.

Além das plataformas, a dificuldade está na própria concepção de formação humana usada pelas corporações em suas plataformas e que querem ajustar-se às chamadas “habilidades para o século XXI”, ou seja, a pressão do mundo do trabalho para padronizar o currículo de formação da juventude através de competências e habilidades estreitas e alinhá-las com as plataformas e com os testes de desempenho – através de Bases Nacionais, como é o caso da BNCC, reforma do ensino médio, BN das competências de Diretores, BN da Formação de Professores e sistemas de avaliação.

Todas estas Bases utilizam uma concepção de formação estreita e promovem a desqualificação tanto da formação de professores/diretores como a desqualificação da formação da juventude. A escola, que poderia ser um contraponto a estes efeitos das mídias não controlados que ocorrem fora do ambiente escolar, agora estará integrada a este processo de destruição física e psicológica dos jovens já em curso fora da escola.

Entrevista com o neurocientista Michel Desmurget mostra como os impactos da digitalização do trabalho e suas demandas sobre a escola afetarão o desenvolvimento da juventude. Pela primeira vez os testes de QI indicam que a nova geração tem QI inferior aos da geração passada. Embora uma gama de fatores contribuam para isso, o efeito do uso das medias sociais (telas) é significativo.

Ouça aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Estreitamento Curricular, Links para pesquisas, MEC sob Bolsonaro, Pastor Milton no MEC, Privatização, Segregação/exclusão e marcado , , . Guardar link permanente.

2 respostas para As plataformas híbridas na escola e o impacto na juventude

  1. Aaron disse:

    Muito grato pela contribuição, professor Luiz Carlos!

  2. Pingback: As plataformas híbridas na escola e o impacto na juventude – Grupo de Pesquisa em Avaliação e Organização do Trabalho Pedagógico

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