Postado originalmente na Uol em 20/09/2011
Aos poucos a sociedade vai se dando conta da precariedade dos ranqueamentos. O último ENEM está contribuindo para isso. Não só pela mudança na divulgação dos dados, incluindo a taxa de participação dos alunos e pela própria ação da Presidenta do INEP, Malvina Tutman, mas também porque os critérios para o ranqueamento do ENEM estão mais divulgados, permitindo ensaios que questionam a ordem das escolas no ranking.
A discordância diz respeito à nota da redação, 50% da composição da média final, o que para uns (usualmente os prejudicados) é considerado muito alto – frente aos outros 50% para avaliar todas as outras disciplina.
Independentemente da discussão sobre o valor atribuído à redação ser muito ou pouco, o fato que este debate põe em relevo é que por trás de um ranqueamento, existem decisões que podem favorecer a alguns e prejudicar a outros. Isso significa que não podemos aceitar os números – mesmo quando nos favorecem – sem perguntar pelas decisões que estão ocultas nos números.
Há mais coisas ocultas e que ainda não foram percebidas pela sociedade. Qualquer exame médico de laboratório indica as decisões técnicas e os limites destas decisões de forma pública. Isso tem a ver com a identificação de falsos positivos ou negativos. Todo teste é imperfeito. Tem margens de erro. Os especialistas procuram conhecer e controlar tais margens. Em educação, entretanto, tais estudos não são divulgados. Não sabemos qual a saúde da prova que está verificando o conhecimento dos alunos. É o caso do ENEM e de outros exames.
Há algum tempo classifiquei isso de “bomba relógio”. Vai explodir algum momento nos jornais. Basta que alguém fique insatisfeito com o ranqueamento do dia.
Portanto, o INEP precisa adiantar-se a isso e divulgar notas técnicas sobre os cálculos que faz e sobre a saúde das provas que aplica. Isso é muito mais grave do que o critério do ENEM que está sendo discutido.