O blog deseja um ótimo final de ano e um grande e proveitoso 2026.
Grande abraço.
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Grande abraço.
“Em entrevista à Folha, Marilena Chaui, filósofa e professora emérita da USP, analisa que condenação de Bolsonaro abre nova percepção sobre o Brasil, mas se declara pessimista sobre o país, em um momento em que a extrema direita se fortalece e a esquerda parece perdida e fragmentada, até mesmo pela ação dos movimentos identitários. Na conversa ela reafirma e reforça a famosa declaração de que odeia a classe média, defende a visão marxista de que a economia é o melhor método de pensar o mundo e compara o cancelamento a um assassinato.”
Leia mais aqui.
José Luis Fiori examina a nova ordem global que se desenvolve “definitivamente, enterrando a era da hegemonia unilateral“.
“E agora, ao lado desta releitura, Xi Jinping está reivindicando liderar a reorganização do próprio sistema das Nações Unidas, sem destruí-lo – pelo contrário, com a participação igualitária e proporcional de todos os povos, e com o fim definitivo da pretensão hegemônica das antigas potências europeias e dos Estados Unidos.”
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Estamos assistindo, hoje, a uma enorme disputa por afirmação de valores na educação – a “guerra” é por valores que justifiquem uma determinada ordem social (ou desejo de uma ordem) e, claro, por suas vantagens. A educação está no centro desta disputa porque é formadora da juventude – seja em sua forma mais ampla, seja na mais restrita – quando realizada em sala de aula.
Alguns propõem privatizar a educação, por exemplo, não apenas porque as empresas querem atuar nela para ganhar mais dinheiro ou para o governo gastar menos dinheiro, mas também porque, com isso, ela será realizada por agentes seguros aos olhos do sistema: militares, sacerdotes e empresários. Há, então, razões ideológicas adicionais ao faturamento.
O campo da política, que se expressa pelos partidos políticos que organizam os códigos e desejos sociais, passa por transformações e seus dilemas e enfrentamentos repercutirão cada vez mais na educação. Três grandes filosofias disputam o cenário: conservadores, liberais e socialistas – sem falarmos das interfaces.
Lenin dizia que a educação fora da política é hipocrisia. Por este entendimento, educação e política, ao contrário do desejo de muitos, não se separam. Compreender os projetos políticos é importante porque eles expressam valores que se assumidos pela educação determinam suas finalidades, objetivos e a própria organização do trabalho pedagógico.
Cada um dos projetos políticos procura, hoje, lidar com pelo menos dois terremotos sociais e políticos que estão se desenvolvendo há algum tempo: o esgotamento da hegemonia da América do Norte e o agravamento da crise estrutural do capital como regime de organização social.
G. Arrighi nos anos 90 do século passado já falava sobre o enfraquecimento da hegemonia americana. Naquela época o Japão chamava a atenção pelo seu desenvolvimento econômico acelerado sugerindo que uma troca de hegemonia na economia capitalista, ou seja uma quinta troca, poderia ocorrer por uma nova onda de expansão capitalista pelo leste asiático. Ao longo do século XXI, a China ultrapassou o Japão e hoje discute-se abertamente a possibilidade de que se concretize este processo de troca de hegemonia. Grande parte das ações do ditador Trump se devem a esta percepção de que a América precisa “ser grande de novo”. E se precisa ser “grande de novo”, então é porque está sendo superada.
O segundo terremoto é mais complexo ainda, pois envolve a paulatina e consistente crise estrutural do capital que está dificultando a manutenção da taxa média de lucro na área produtiva nos patamares históricos e cria dificuldades para a realização de investimentos.
Esta questão refere-se à contradição estrutural entre o aumento do capital investido em tecnologia mais sofisticada na produção, e a consequente redução do capital investido em mão de obra, a qual é substituída por novas tecnologias, gerando menos postos de trabalho ou postos mais simplificados e mais baratos, mas que a longo prazo produzem uma queda tendencial nas taxas médias globais de lucro, que pode ser adiada se fatores contrariantes forem acionados, mas que não pode ser postergada para sempre.
Sobre isso veja aqui.
Neste contexto, as possibilidades da social democracia são reduzidas, pois os problemas que afetam a população são mais de natureza estrutural do que de governo. A social democracia está em baixa no mundo todo na medida em que aumenta a massa de decepcionados por ela não ter condições de cumprir satisfatoriamente seu programa, abrindo espaço para a radicalização das direitas.
O complicador é que a atuação da social democracia ajudou a conter os partidos de esquerda. Foi para isso que nasceu o PT – Partido dos Trabalhadores -, para mostrar o caminho do meio, por entre os extremos, o caminho da ponderação, que é sempre o espaço preferido da democracia liberal: o capital explora e o Estado tenta consertar. Ocorre que está cada vez mais difícil corrigir as crises recorrentes do capital.
Tendo ajudado a fagocitar a esquerda e cada vez mais com dificuldade para transitar pelo caminho do meio, à social-democracia está restando, agora, justificar sua continuidade pela necessidade de conter os partidos chamados de extrema-direita, ou melhor dizer, a direita radical, tentando uma frente com a direita centrista. Dessa forma, ela continua operando pelo fortalecimento do caminho do meio, agora não apenas para conter a esquerda que considera radical, mas também como tentativa de conter a direita radical.
No entanto, as ações que agora são necessárias para proteger os trabalhadores e ao mesmo tempo postergar as crises do capital estão além do que é possível para a social democracia. Trump não é um maluco com projetos mirabolantes: ele está pondo em prática uma estratégia de salvação.
A crise estrutural do capital acelerou o processo de esgotamento da social democracia e está favorecendo, pelo menos por aqui, uma direita centrista que opera entre a social democracia e o espantalho da direita radical. Eduardo Bolsonaro critica este novo centro chamando-o de “direita permitida” – operacionalizada na pessoa de Tarcísio, governador de São Paulo, por exemplo -, em contraposição à direita radical bolsonarista.
Talvez a direita seja quem tem, hoje, consciente ou inconscientemente, uma noção mais clara das razões da crise atual e, consequentemente, da necessidade de caminhar para uma “nova” ordem mundial que, na visão deles, tente salvar o futuro do capital radicalizando seu programa.
Para o colunista Roberto Campos Neto, por exemplo, uma certeza emerge da situação atual:
“o debate fiscal ganhará centralidade, e o modelo de Estado assistencialista em seu formato extremo terá que ser repensado. Será necessário equilibrar as demandas sociais com equilíbrio fiscal. Sem uma estratégia para equilibrar a dívida global e promover políticas que expandam a oferta e elevem a produtividade, caminhamos para uma crise global da dívida.”
Leia mais aqui.
Ou seja, temos uma dívida progressiva que segundo ele é devida ao assistencialismo “extremo”. E isso, para ele, é uma equação insustentável. Nas suas palavras, uma situação de “mais dívida, juros mais elevados, alta da desigualdade, maior necessidade de recursos e pouca capacidade de elevar impostos.”
Não vamos aqui, entrar em um debate econômico de como “consertar o capitalismo”, pois não acreditamos nisso. Ao longo do último século pelo menos dois grandes modelos econômicos tentaram resolver este problema no âmbito do capitalismo: o neoliberalismo e o keynesianismo. E pela conclusão de nosso colunista, vê-se que não houve grande sucesso.
Milhares de Institutos de Economia nas universidades tentam formar economistas e prepará-los para lidar com estes limites do capital. Tais limites, no entanto, são do capital e não de governos, portanto são estruturais, pois vivemos um uma ordem social baseada nas regras do capital. Não são limites deste ou daquele governo. E, sendo limites estruturais, só podem ser rolados para frente, enquanto se agravam.
Qual a solução da direita radical? Como formulou muito bem Quin Slobodian (2025), o capital tinha ao longo destas últimas décadas duas preocupações centrais: primeiro conter o socialismo como modelo de superação dos problemas do capital e segundo, conter o Estado em seu papel de compensar as desigualdades produzidas pelo capital.
Vencida a primeira tarefa na década de 1990, está concentrado na segunda: privatizar as atividades do Estado e colocar a meritocracia como explicação das diferenças sociais atribuindo-as a uma disposição fundamental que conduz as pessoas ao sucesso ou ao fracasso:
“As crises que se seguiram a 2008 criaram as condições para novas mutações do pensamento neoliberal – bem como para novos cismas. A chegada de mais de um milhão de refugiados à Europa no decorrer de 2015 criou a oportunidade para um novo híbrido político vencedor que combinava xenofobia com valores de livre mercado. A nova diretiva que elabora sobre raça, cultura e nação veio a ser a cepa mais recente de uma filosofia pró-mercado baseada não na ideia de que somos todos iguais, mas que somos de uma forma fundamental – e, talvez, de forma permanente –, diferentes (Slobodian, 2025).
Isso implica em um upgrade do neoliberalismo especialmente na forma como foi aplicado pelos governos de Clinton e Obama nos Estados Unidos e Blair na Inglaterra, caminhando para a desresponsabilização da sociedade pela inclusão social via Estado. Pode-se dizer que a social democracia ajudou a cumprir a primeira tarefa e acabou sendo vítima da segunda.
Nas próximas eleições, vamos assistir como será configurado o programa de governo desta “direita permitida” que terá que transitar entre a social-democracia e a direita radical. Tudo isso dentro do contexto de agravamento da crise estrutural do capital e de uma eventual crise da hegemonia americana vigente nos últimos 80 anos (e suas guerras).
Mas certamente, ele incluirá um programa de médio e longo prazo destinado a viabilizar a privatização do Estado com desativação de serviços educacionais existentes, colocando a escola pública em linha de extinção pelo redirecionamento dos recursos orçamentários existentes para vouchers educacionais, de forma a favorecer sua realização através de agentes seguros; envolverá a ampliação do ensino domiciliar pago por vouchers, sob tutela dos pais; e o controle dos valores veiculados na sociedade para ajustá-los ao seu ideário.
Um programa deste tipo é o que está sendo desenvolvido neste momento pelo ditador Trump nos Estados Unidos e pode ser lido aqui. Ainda que possa começar mais brando por aqui, sua configuração final será a mesma.
A esquerda precisa se diferenciar e colocar-se como alternativa de futuro, apontando as causas mais profundas dos problemas que atormentam a população: o próprio capital e seu desejo pelo lucro infinito que esgota a natureza e os seres vivos – mesmo que isso não dê tantos votos agora. Devemos apoiar todas as frentes progressistas, mas preservar um programa diferenciado que nos prepare para enfrentar a barbárie que está em curso.
Se os valores da meritocracia, do individualismo, empreendedorismo e busca pelo lucro infinito, premiação do melhor, descarte dos “fracassados” moldarem os valores educacionais, eles irão definir também as finalidades da educação, seus objetivos e a própria organização do trabalho pedagógico da escola.
A melhor forma de se entender a ira da direita contra o Suprema Corte brasileira é olhar para a atuação do ditador Trump nos USA. A democracia liberal está em crise à medida que a hegemonia americana aprofunda sua crise e a lucratividade média mundial da área produtiva – deduzido o lucro fictício nas bolsas – tem tendência negativa – mesmo com a perspectiva de uso da inteligência artificial.
Diane Ravitch resume. Ela previa que Trump não poderia se livrar do Departamento de Educação, o equivalente de nosso Ministério de Educação, pois para isso ele teria que obter a aprovação do Congresso e precisaria de 60 votos, mas só teria 51. No entanto, o caminho seguido foi outro. Diz ela:
“Mas eu estava errada. Obviamente. Não me ocorreu que Trump demitiria metade da equipe do Departamento e o desmantelaria sem a aprovação do Congresso.
Ontem [15/07], a Suprema Corte decidiu, por 6 votos a 3, que o presidente poderia continuar a demitir funcionários do Departamento de Educação, deixando de lado a questão jurídica de seu poder de destruir um Departamento criado pelo Congresso há 45 anos. A decisão permitiu que ele alcançasse seu objetivo sem consultar o Congresso ou respeitar a Constituição.”
Leia aqui.
No caso americano, Trump já havia indicado no primeiro mandato novos membros para a Corte Suprema, de forma que hoje tem maioria lá.
A estratégia é a de sempre: se não pode eliminá-lo de vez, destrua-o fragilizando sua operação. Esta sempre foi a forma de atuação da direita privatista para extinguir as escolas públicas: fragilize primeiro e destrua depois pela avaliação externa.
É por isso que tem gente fazendo “cursinho” nos Estados Unidos. E isso explica também a ira da direita brasileira para com os Ministros da Suprema Corte.
Entre as formas de privatização e controle ideológico da educação pelos mais ricos está o “voucher universal”. Ele é fornecido a todos os estudantes das escolas de um municipio ou estado – independente de seu status socio-econômico.
Mas não começaram assim: a conversa inicial era que este expediente seria apenas para os estudantes mais pobres. Ohio, que desde os anos 1990 sofre com estas práticas, conta sua história mostrando que, hoje, os vouchers, já em sua forma universal, cumprem esta função de financiar igualmente os ricos que frequentam escolas particulares, retirando financiamento da esfera pública. A finalidade oculta, hoje plenamente revelada pelo ditador Trump, é eliminar a escola pública.
A história de Ohio é clara:
“No início da década de 1990, os defensores dos vouchers enganaram os moradores de Ohio, fazendo-os acreditar que eles colocariam as crianças pobres, que viviam em distritos escolares de alta pobreza, em escolas particulares de alto desempenho.”
A conversa sempre começa com a defesa dos direitos das crianças pobres a ter uma boa escola privada como os ricos têm. A ideia, portanto, nunca foi melhorar a escola pública. O tempo revelou que isto era apenas uma forma de tornar palatável a introdução dos vouchers, avançando depois para a universalização dos vouchers, danificando e enfraquecendo o orçamento das escolas públicas.
“O objetivo da turma pró-vouchers foi, em parte, alcançado pela lei do voucher universal. O objetivo inegável da turma do voucher é a privatização completa da educação pública, exceto por um programa público para pessoas com deficiência e aquelas que vivem em extrema pobreza. Seu objetivo paralelo é transferir os recursos da educação para os ricos. Como disse um legislador de Ohio, defensor ferrenho dos vouchers, defensor dos vouchers universais: já passou da hora de os ricos receberem parte do dinheiro dos seus impostos de volta.”
Veja mais aqui https://www.facebook.com/OhioEandA

Quinn Slobodiam publica novo livro tratando, agora, das raízes neoliberais da direita populista.
“Após o fim da Guerra Fria, o neoliberalismo, com sua crença nas virtudes dos mercados e da competição, parecia ter triunfado. O comunismo havia sido derrotado – e Friedrich Hayek, o pai espiritual da economia neoliberal, quase viveu para ver isso. Mas nas décadas que se seguiram, os discípulos de Hayek sabiam que tinham um problema.
A ascensão de movimentos sociais, dos direitos civis e feminismo ao ambientalismo, agora se mostrava um obstáculo no caminho para a liberdade, alimentando uma cultura de dependência governamental, gastos públicos, correção política e defesa especial. Os neoliberais precisavam de um antídoto.
Neste novo livro esclarecedor, o historiador Quinn Slobodian revela como, a partir da década de 1990, os pensadores neoliberais se voltaram para a natureza, em uma tentativa de reverter as mudanças sociais e retornar a uma hierarquia de gênero, raça e diferença cultural.
Ele explora como esses pensadores se basearam na linguagem da ciência, da psicologia cognitiva à genética, para incorporar a ideia de “competição” cada vez mais profundamente na vida social e defender a homogeneidade cultural como essencial para o funcionamento real dos mercados. Lendo e interpretando mal os escritos de seus sábios, Friedrich Hayek e Ludwig von Mises, eles forjaram alianças com psicólogos raciais, neoconfederados e etnonacionalistas que se tornariam conhecidos como alt-right. “
“Bastardos” de Hayek , mostra que muitas iterações contemporâneas da extrema direita, de Javier Milei a Donald Trump, surgiram não em oposição ao neoliberalismo, mas dentro dele. Por mais repulsivas que suas políticas possam ser, esses supostos disruptores não são desertores da ordem neoliberal, mas sim seus mais recentes defensores.”
Eleuterio Prado traduziu a introdução do livro. Nela, Slobodian anuncia que:
“Este livro mostra que muitas variações contemporâneas da extrema direita surgiram dentro do neoliberalismo, não em oposição a ele. Eles não propuseram a rejeição total do globalismo, mas uma variedade dele, que aceita uma divisão internacional do trabalho desde que seja feita por meio de fluxos de mercadorias transfronteiriços robustamente mantidos e até mesmo por meio de acordos comerciais multilaterais, ao mesmo tempo em que reforça os controles sobre certos tipos de migração.
Por mais repelente que seja a sua política, esses pensadores radicais não são bárbaros às portas do globalismo neoliberal, mas filhos bastardos dessa própria linha de pensamento. O confronto de opostos aqui relatado não passa de uma briga de família.”
Leia a introdução traduzida nos links abaixo.
A direita foi surpreendida com a decisão do governo de enfrentar os seus representantes no Congresso: Motta, Alcolumbre e companhia. Só lhe restou ocultar o conteúdo do debate – redistribuição de renda – e acusar o governo de polarização.
O governo agiu certo. Ponto programático (que foi aprovado em uma eleição) e que é obstruído no Congresso não pode ter acordo do governo sob pena de, amanhã, esta mesma direita dizer que ele é um estelionatário que não cumpre o que promete. É legítimo que a oposição bloqueie se tem força, da mesma forma que é legítimo que o governo reaja. Na verdade, tem a obrigação de reagir em nome dos que nele votaram.
Na visão de I. Wallerstein, o lugar preferido de ação do liberalismo é sempre “aparecer” como centro. Demoniza seus opositores para justificar sua utilidade como centro político emergindo como uma “direita ponderada”, ou como foi chamada recentemente pela própria direita radical: uma “direita permitida”.
A Folha de SP já assumiu este papel e abriu espaço para Campos Neto, ex-BC, dar uma entrevista onde se destaca a frase “o discurso do “nós contra eles” é ruim e não fará o pais crescer”. No entanto, todos estamos cientes, hoje, de como a riqueza se distribui em nossa sociedade capitalista: o pais cresce para quem?
Como aponta Michael Roberts (2025):
“Em um post anterior, mostrei que os países do chamado Sul Global não estão “alcançando” os países imperialistas ricos do chamado Norte Global, seja em renda per capita, produtividade ou qualquer índice de desenvolvimento humano. Ao mesmo tempo, as enormes desigualdades de renda e riqueza, entre e dentro dos países, continuam a se agravar.”
Neste momento, é fundamental que este governo diga a que veio e diga quem não o deixa cumprir seu programa. E é preciso deixar claro para a população quem de fato polariza. Uma polarização iniciada pelo congresso e por seus representantes de direita que lá habitam, é agora declarada inadequada pela mesma direita que a iniciou, na tentativa de ocupar o centro mediador e mostrar-se sensata, colocando a conta da polarização no governo.
Em poucas linhas, Vitor Paro faz um balanço de 35 anos de avaliações externas.
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Vera B. Enriques examina o ataque à Educação Pública em São Paulo sob a administração Tarcísio de Freitas.
“Salta aos olhos a ocupação de todo o estado de São Paulo por escolas cívico-militares, desde o rio Paraná até o litoral, do Vale da Ribeira à fronteira com Minas Gerais. A privatização da gestão escolar alcança amplitude semelhante.”
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Liszt Vieira examina o momento político em artigo no site A Terra é Redonda: “O governo Lula e sua esfinge”.
“A política de fazer alianças por cima com a direita para barrar a extrema direita funcionou na última eleição, mas não funciona mais. A direita, com o apoio da mídia, já está fazendo oposição a Lula e os ministros do governo, indicados pelos partidos de direita, já estão abertamente comprometidos com a oposição a Lula.”
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Professores de Belo Horizonte estão em greve, escreve o Pensar a Educação:
“No coração da luta por uma educação pública digna, trabalhadores concursados da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte seguem firmes em greve. A paralisação, que ultrapassa os 85% de adesão da categoria, escancara o impasse com a atual gestão municipal [União Brasil] e levanta questões graves sobre a transparência e a prioridade dos investimentos em educação.
Mariano Narodowski e Agustina Lenzi publicam o artigo: “Leftist Governments and Private Education in Latin America” no Journal of School Choice, em 04 de junho de 2025.
“Este artigo analisa se governos de esquerda na América Latina influenciaram a expansão da educação privada. Com foco na Argentina, no Brasil e no Uruguai, constata-se que a privatização não apenas persistiu, mas frequentemente se intensificou sob o governo de esquerda. Essa tendência reflete tanto uma resposta pragmática às restrições fiscais quanto uma estratégia politicamente aceitável, apesar do discurso antiprivatização. O estudo argumenta que essa continuidade é impulsionada por políticas estruturais — marcos institucionais e regulatórios de longa data que perduram além dos ciclos políticos. Os principais fatores explicativos incluem o financiamento estatal sustentado, o papel dos sindicatos de professores e a presença histórica da Igreja Católica no campo educacional.”
Você pode acessar a editora Taylor & Francis aqui.
Como é notório, este blog fez uma pausa nas suas publicações.
Depois de 11 anos examinando aqui os avanços da reforma empresarial da educação que insiste em soluções fracassadas de privatização e aprisionamento de nossas escolas (para fins econômicos e políticos), achamos que o básico nesta matéria, foi apresentado.
Com a proliferação dos estudos sobre as consequências deste modelo educacional e com o aparecimento de medidas mais concretas de implementação destas ideias, principalmente no ensino básico, indicando que elas estão se tornando mais presentes em nossa realidade e diminuindo o ceticismo de alguns para com elas, penso que, agora, é preciso avançar em nossas tentativas de análise, o que significa inserir mais claramente do que fizemos no passado, o entorno político/social que criou a necessidade desta visão empresarial da educação – seus fins políticos e causas econômicas.
Em 2018, quando escrevi um pequeno livro chamado “A Reforma Empresarial da Educação: nova direita, velhas ideias”, apontávamos, em base à experiência internacional, que uma parte da esquerda se juntaria à direita política na implementação destas ideias. E o que vemos é que, apesar da grande esperança que foi depositada no atual governo Lula, constatamos penosamente o alinhamento do Ministério da Educação a estas ideias. Divergimos deste caminho desde os primeiros momentos na chamada transição entre o fim do governo Bolsonaro e o início do governo Lula.
Nossa percepção é que neste momento, todas as possibilidades de deter o avanço de uma visão empresarial para a educação básica foram inviabilizadas. E como já dissemos em outros posts, a indicação do ministro Camilo para o MEC, um quadro do PT, foi indicação pessoal de Lula, portanto, longe das pressões políticas que afetaram outros ministérios, no caminho para compor um governo politicamente de centro, multifacetado, e igualmente longe dos problemas que a atual composição do Congresso Nacional tem gerado. Trata-se de opção de governo e especialmente de Lula e, claro, do PT. Note-se, por exemplo, que as ONGs e Fundações privadas que operam na área educacional estão em sintonia com a política educacional desenvolvida pelo MEC.
Isto invalida uma argumentação oportunista que reaparece a cada crítica que se faz ao governo atual e que diz ser a crítica a este governo um instrumento que fortalece a direita política. Isso pode ser verdade, mas não no caso do Ministério da Educação. O que nos leva a uma questão de fundo: a natureza do governo Lula e do PT.
O PT é um partido cada vez mais de centro, coerentemente com sua postura social-democrata, e que insiste em não dar espaço dentro do governo para seus próprios quadros mais à esquerda. Almeja ser o grande fator de pacificação nacional em meio a um país (e um mundo) polarizado.
As crises persistentes do capitalismo, que inviabilizaram em grande parte as propostas da social-democracia pelo mundo, decepcionaram e criaram a figura do “pobre de direita”: pessoas desesperadas por soluções para seus problemas. E o que não está sendo processado pela social-democracia é que a solução de tais problemas não é apenas uma questão de “troca de governo”, pois estamos lidando com problemas estruturais do capital. Portanto, os problemas que a social-democracia enfrenta não serão resolvidos apenas com projetos que visem “consertar” o capitalismo, um modelo de organização social que se esgota estruturalmente e recorre cada vez mais à barbárie para continuar a existir.
Nada temos contra os projetos da social-democracia que visam minimizar o custo dos desastres do capital para a população mais pobre, mas a tarefa não se resume a isto. É preciso apontar claramente qual a raiz dos problemas e construir o futuro, mobilizar para conscientizar, o que significa igualmente apontar para as lutas necessárias – mesmo que isso prejudique os objetivos eleitorais imediatos. As dificuldades da social-democracia também se constituirão em dificuldades para as forças políticas à direita e elas não têm um projeto de superação para estas – a não ser radicalizar o neoliberalismo moribundo no âmbito doméstico, o que levará ao aprofundamento dos problemas da maioria da população.
O governo Lula atua na frente da “salvação”, mas faz mal a frente da mobilização e da conscientização da população para a origem dos problemas. E a razão disso é que se contenta apenas com a frente eleitoral: ganhar eleições. É um governo que cada vez mais faz a defesa da “democracia liberal” (hoje claramente uma “democracia de base neoliberal”) e tenta fazer uma política social-democrática dentro dela. Vale dizer, transformou-se em um governo “conservador”, sem um projeto de futuro, enquanto uma direita política histriônica se faz passar por “revolucionária” – de motosserra na mão.
Este post tem, portanto, a finalidade de apontar aos leitores que vamos fazer alguns acréscimos nos objetivos deste Blog. Ele será menos focado na questão específica da avaliação – ainda que não se afastará de todo do tema – e terá seus objetivos expandidos mais ainda para questões políticas, econômicas e sociais. E em um mundo conflagrado como o que se aproxima, vamos veicular análises de questões estruturais que afetam o modo de vida do capital e as opções que temos.
Em tempos de polarização é necessário construirmos posições mais claras quanto às causas, rumos e lutas a serem travadas neste contexto.
A implantação do ensino médio em São Paulo abriu as portas para a terceirização e precarização das atividades de ensino. É o que mostra a reportagem de Rodrigo de Oliveira Andrade sobre um estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (FE-Unicamp) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), campus de Hortolândia, interior do estado.
“A pesquisa identificou uma série de problemas relacionados à implementação do programa. A primeira constatação foi a de que, embora a rede estadual de educação esteja sob comando da Secretaria da Educação do Estado (SEDUC), a implementação do itinerário de formação técnica e profissional ficou a cargo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), que desembolsou R$ 33.266.803,34 em favor de seis instituições para oferecimento de vagas do Novotec, duas delas privadas: a Escola Técnica Sequencial, que recebeu R$ 5 milhões, e a Proz Educação, que recebeu R$ 6,4 milhões.
Leia mais aqui.
A revista Educação e Políticas em Debate, vol. 13 (3) set-dez, pg. 1-15 publica a entrevista com Luiz Carlos de Freitas, organizada por Regiane Helena Bertagna e Luana Costa Almeida: A “qualidade empresarial” e a “qualidade social” na reforma educacional: causas, consequências e disputas.
Acesse aqui.
A Coletânea Diálogos Críticos disponibiliza o volume 6 que tem como título “A ideologia do capital e a mercantilização da educação no contexto neoliberal”.
O e-book (gratuito) está disponível. Clique aqui para acessar.

Sara Van Horn e Jennifer C. Berkshire discutem quais são as maiores ameaças para a Educação pública nos Estados Unidos hoje.
“Como as pessoas discordam tão profundamente sobre o ponto da educação pública, vimos recentemente algumas propostas de políticas que teriam parecido impensáveis uma década atrás. Tomemos, por exemplo, o governador da Louisiana anunciando que as escolas públicas vão afixar os Dez Mandamentos em todas as salas de aula, ou Ryan Walters, Comissário de Educação de Oklahoma, anunciando que todas as escolas públicas serão obrigadas não apenas a afixar os Dez Mandamentos, mas também a ensinar a Bíblia.
Eles compartilham uma visão particular sobre o que as escolas públicas são: produzir cristãos. E todas as outras crianças? Eles não têm uma resposta para isso.
Algumas pessoas acreditam fortemente que a escola é onde as crianças devem aprender a se tornar patriotas. Veja o que está acontecendo na Flórida: o governador Ron DeSantis está exigindo que as crianças aprendam o quão bom é o capitalismo — porque se não incutirmos isso cedo, elas crescerão e se tornarão socialistas. Se você observar algumas das mudanças específicas que foram feitas nos currículos de estudos sociais em estados como Texas e Flórida, uma das coisas que eles estão eliminando é a oportunidade para as crianças trabalharem juntas em grupos para resolver um problema, porque estão preocupadas que as crianças cresçam pensando que a ação coletiva é a resposta.”
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Depois da onda de privatização por vouchers que se desenvolve nos estados, a América por fim revelou o que a privatização esconde. E não é só fazer com que os empresários ganhem mais dinheiro. É controlar as escolas colocando-as nas mãos de agentes seguros: empresários e sacerdotes.
É destes setores que vem o dinheiro e o apoio para a agenda não só neoliberal, mas também da direita radical que avança pelos estados.
Note bem: a política em curso nestes estados trabalha com “finalidades educativas claras”. Nós nem começamos a discutir em profundidade o que nos queremos com as finalidades educativas da escola para além do que está dado nas bases nacionais curriculares que até já estamos deixando de criticar.
Um bom começo seria ler o Livro de Roseli S. Caldart, publicado pela Expressão Popular: “Sobre as tarefas educativas da escola e a atualidade”.
Dois posts chamaram minha atenção neste período. Em minha opinião, eles conseguem dar uma visão bastante próxima do que estamos vivendo, um deles mais centrado no campo cultural, outro mais no sócio-econômico.
O primeiro é de Jan Zielonka e pode ser acessado no link abaixo. É uma republicação do blog de Eleutério Prado:
Acesse aqui o post de Jan Zielonka.
O segundo é um post de Eleutério Prado, economista:
Acesse aqui o post de Eleutério Prado.
É perceptível que grande parte da nossa esquerda está empenhada em administrar o capitalismo, mas sem ter (ou incluir) uma proposição concreta de futuro que vá além do capital. Ainda que isso seja necessário, pelo potencial que o Estado tem em oferecer alguma resistência às políticas suicidárias do capital, não é suficiente se não se apontam direções de superação das relações capitalistas.
Temos também uma esquerda que se encantou com a tecnologia e que depositou nela, à moda determinista, a esperança de uma solução automática para a crise do capital, baseada no desenvolvimento tecnológico como fonte de aceleração das contradições. Some-se a estes o pessoal do “planejamento” e do “projetismo” inspirado no desenvolvimento chinês.
Provavelmente cada uma destas posições tenha uma contribuição a dar, desde que não menosprezemos o ponto central: as lutas sociais serão o ponto de referência para colocarmos o rumo da história na direção de uma sociedade baseada em novas relações sociais que impeçam o desenvolvimento da barbárie em curso.
A resistência – por dentro e por fora do Estado – é importante se permite o desenvolvimento das lutas e com elas a formação de lideranças que fortaleçam a tomada de consciência. Além disso, tais lutas levam em si, os embriões da participação social – característica central das novas formas de relações sociais. A tecnologia é importante, mas se nos lembrarmos que ela não é neutra e não é suficiente, por si, para produzir novas relações sociais.
Neste processo, será igualmente importante lembrarmos que a educação tem lugar de destaque, pelo seu potencial de questionar os padrões atuais e, ao mesmo tempo, permitir exercitar novas formas de organização da juventude. Eis aí, um problema não resolvido no projetismo chinês.
Para uma visão de alguns destes dilemas, o leitor pode ler o post de Eleutério Prado que contém uma entrevista feita pela Unisinos com Rodrigo Santaella onde ele examina alguns temas relevantes.
Leia aqui.
O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o Supremo Tribunal Federal para declarar inconstitucional a lei do Estado de São Paulo que cria o programa de escolas cívico-militares no estado.
Leia mais aqui.
A direita resolveu acelerar os programas de privatização da educação. Logo, os progressistas devem colocar em pauta a reestatização da educação. Assim devemos responder aos ímpetos privatistas.
A privatização (bem como a militarização) visam controlar a formação da juventude colocando-a nas mãos de agentes confiáveis para a direita, ou seja, empresários, militares e religiosos. Trata-se de retirar do Estado a possibilidade de formar republicanamente a juventude, colocando-as como um apêndice da propaganda e pautas destes grupos.
À medida que a crise das “soluções” que pretendem reanimar a economia capitalista aumenta, as forças de direita tomam mais consciência de que mudanças sociais são inevitáveis e, portanto, alinham forças para deter a história. Neste quadro, a educação é área estratégica e será objeto de assédio constante.
Se a direita privatiza, os progressistas devem reestatizar.
Se a direita militariza, os progressistas devem desmilitarizar.
Teremos eleições no final do ano, devemos, portanto, ter um programa de compromissos a ser negociado com o conjunto das forças progressistas postulantes.
Veja uma sugestão de proposta programática para as eleições 2024.
O Washington Post publica artigo de Laura Meckler e Michelle Boorstein sobre os programas de vouchers nos Estados Unidos da América e aponta:
“Bilhões de dólares dos contribuintes estão sendo usados para pagar mensalidades em escolas religiosas em todo o país, à medida que os programas de vouchers estatais se expandem dramaticamente e a linha que separa educação pública e religião desaparece.
Os vouchers escolares podem ser usados em quase qualquer escola privada, mas a grande maioria do dinheiro está sendo direcionada para escolas religiosas, de acordo com um exame do Washington Post sobre os maiores programas de vouchers do país.”
Apesar do fracasso das privatizações, como ocorreu em New Orleans, o crescimento de tais programas continua e são populares entre os conservadores americanos, crescendo rapidamente onde há administração do Partido Republicano.
Este movimento começa mais claramente a ser visto também por aqui, nas ações de Tarcísio em São Paulo e de Ratinho Jr. no Paraná.
Começam com terceirização de serviços (sem falar da militarização) e depois avançam na direção dos vouchers (com a desculpa de que são para crianças pobres ou escolas que atendem regiões mais pobres) avançando em seguida para a universalização dos vouchers também para os ricos.
O esforço é para extinguir ao longo do tempo a escola pública num processo cumulativo de formas de privatização.
“Nós, pesquisadores, pesquisadoras, professores e professoras, estudantes e gestores, especialistas e investigadores; todos, todas e todes trabalhadores e profissionais da Educação, em seus diversos graus, níveis e modalidades, – da Educação Básica ao Ensino Superior -, reunidos nos dias 13 e 14 de junho de 2024 na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), por ocasião da realização do IX Simpósio Internacional de Estudos e de Pesquisas do Grupo PAIDEIA, depois de dois dias intensos e de fecundos debates e reflexões singulares, grupais e coletivas, sobre a prática social da Educação, reunindo pesquisas e estudos sobre os desafios e as tendências, as contradições e as possibilidades das atuais políticas públicas educacionais, tanto na conjuntura mundial quanto na realidade do Brasil atual, firmamos a presente Carta, que esperamos possa tornar públicos nossos anseios e nossas preocupações com o cenário real da organização e da estruturação da Educação Brasileira, nesse momento histórico e político. Igualmente esperamos que a Carta produza ações urgentes e necessárias para a proposição de um novo debate nacional sobre Educação e Escolarização.”
Leia toda a Carta e assine aqui.
Erick Gomes examina a militarização nas chamadas escolas cívico-militares e mostra como ela está inserida em um “contexto político específico, marcado por uma agenda conservadora que busca reforçar valores tradicionais e hierárquicos”.
Com as iniciativas de São Paulo e do Paraná que caminham na direção de radicalizar o envolvimento de empresários na realização da educação pública, aparece a necessidade de sempre retomarmos às chamadas “evidências empíricas”.
Como temos demonstrado neste blog, relatório após relatório, os resultados não referendam a utilização destas estratégias privatistas. Não se deve fazer política pública com soluções educacionais instáveis que apresentam resultados no mínimo duvidosos sobre a sua eficácia. A educação pública não comporta experimentos de escala, pois envolve a vida das crianças.
Neste post você encontra a revisão do NEPC – National Education Policy Center – de um recente relatório publicado pelo EdChoice de 2023 que pretende ser favorável a estas políticas privatistas e que reúne estudos com o objetivo de mostrar que a escolha de escola privada “funciona”.
Este relatório do EdChoice apresenta uma visão geral da investigação sobre os resultados dos programas de escolha de escola que envolvem vouchers e fornecem financiamento público para escolas privadas. Para C. Lubiensky, do NEPC, que revisou o relatório, no entanto:
“O relatório reúne pesquisas sobre o desempenho dos alunos, o acesso, os efeitos competitivos e outros tópicos, supostamente para ajudar os legisladores e os pais a avaliar os benefícios e os custos destes programas de vouchers. Alega mostrar que a escolha da escola “funciona”, com base na descoberta de mais estudos positivos do que negativos, mas utiliza uma abordagem simplista e falha que obscurece diferenças importantes nos estudos e pode criar uma narrativa enganosa sobre as evidências da investigação.”
Baixe o relatório original do EdChoice aqui.
Baixe a revisão crítica feita pelo NEPC aqui.
É preciso ter muito cuidado com os arautos da reforma empresarial, pois tendem a simplificar e super-estimar resultados de pesquisa que muitas vezes são feitas pelos próprios defensores da estratégia de privatização e que estão em “conflito de interesses”.
No Brasil é pior ainda, pois estes arautos tendem a se limitar a indicar se a média de desempenho dos alunos que estão em escolas privatizadas é maior ou menor, sem olhar atentamente para a metodologia dos estudos, da avaliação ou para outros fatores educacionais que estão envolvidos.
Como outro relatório já demonstrou, a estratégia da privatização, mais recentemente, revelou sua faceta ideológica nos Estados Unidos com a guinada das escolas privatizadas para a agenda da extrema-direita. Note-se que no Brasil estas políticas estão ficando mais agressivas exatamente em estados administrados por forças que defendem ideias de extrema direita.
Para ler sobre isso, acesse aqui o relatório da Network For Public Education (2021): “Uma forte guinada à direita: uma nova geração de escolas charters entrega a agenda conservadora“
Finalmente, é importante considerar a artimanha das escolas terceirizadas que se dizem “sem fins lucrativos” mas que, de fato, desenvolveram meios de gerar lucro.
Para ler sobre isso, acesse aqui o relatório da Network For Public Education (2021): “Contratada para lucrar: o mundo oculto das escolas charters [sem fins lucrativos] operadas para obter ganhos financeiros”
Militarização das escolas, exames bimestrais, provas de recuperação obrigatórias, Saresp, IDEB, simulados, plataformização das escolas e suas telas sem limites, gestão privada de escolas etc, instituem um verdadeiro massacre da juventude. Neste ritmo, não tardaremos a assistir a volta da reprovação nas escolas.
Cada vez mais uma combinação de pressão em vários aspectos da vida (estética, social, econômica, escolar, familiar), com mais meritocracia, concorrência e consequente segregação está adoecendo a juventude. Na base deste processo, está uma sociedade que comercializa todas as relações sociais e organiza a vida a partir da busca pelo lucro incessante. Como afirma Huws, a comunicação entre as pessoas foi sequestrada e agora só se processa se mediada por uma empresa de tecnologia que cobra por esta mediação.
O papel da escola está reduzido a “ensinar” um punhado de competências e habilidades na “idade certa” e a fazer com que se saiam bem nos exames e simulados de forma a gerar mais dinheiro do FUNDEB e dos governos, prêmios e elogios para as redes escolares e para as escolas. O magistério é cada vez mais precarizado e chamado a deixar de lado aquele prazer de ver seu aluno avançar e crescer, e subtitui-lo por pensar sua atuação em base a salários adicionais obtidos a partir do desempenho de seus estudantes nos exames.
Os sinais de saturação da juventude são evidentes e estão vindo dos consultórios dos psicólogos, das escolas (há um aumento das agressões ao magistério e entre os estudantes) e de outras fontes e que estão sendo processados equivocadamente com adição de mais pressão ainda.
Jonathan Haidt “demonstra como a “infância baseada no brincar” entrou em declínio na década de 1980 e foi substituída pela “infância baseada no celular”, acompanhada por uma hiperconectividade que alterou o desenvolvimento social e neurológico dos jovens e tem causado privação de sono, privação social, fragmentação da atenção e vício.”
Veja aqui.
Antes ainda, em 2021, Michel Desmurget, em “A fábrica de cretinos digitais” também advertia: “Por que os grandes gurus do Vale do Silício proíbem seus filhos de usar telas? Você sabia que nunca na história da humanidade houve um declínio tão acentuado nas habilidades cognitivas? Você sabia que apenas trinta minutos por dia na frente de uma tela são suficientes para que o desenvolvimento intelectual da criança comece a ser afetado?”
Veja aqui.
O que governos, pais e professores estão dispostos a fazer para proteger a juventude do excesso de telas, da meritocracia e da competição nas escolas e de pressões desnecessárias e nocivas em seu interior? Ou vamos continuar acreditando que estas são “habilidades necessárias para o século XXI”?
Em relação ao magistério é fundamental que as lutas dos sindicatos incorporem não apenas os interesses diretos do magistério, mas incluam a defesa dos interesses formativos da juventude. É urgente que se debatam outras finalidades educativas para as escolas, para além de disciplinar ou treinar estudantes para que se saiam bem nas avaliações, no Saresp ou no IDEB.
O Deputado Estadual Requião Filho comentou o projeto de privatização de escolas do Paraná, proposto pelo governo e aprovado na Assembleia Legislativa:
“Sou contrário [a esse projeto] porque é um projeto que já deu errado no mundo todo. A Suécia tentou privatizar seu ensino, deu errado, voltou atrás e pediu desculpas à sua população. Os Estados Unidos tentaram privatizar o ensino e não há nenhum estudo que comprove a melhoria, mas apenas o aumento de custos dos ensinos. O Reino Unido tentou privatizar e voltou atrás.”
Veja mais aqui.
Em resposta, o líder do governo Ratinho Jr, da direita, afirmou que a esquerda, ou seja, Requião, é sempre “ideologicamente contra o projeto”.
É uma afirmação curiosa.
Na verdade, o líder da direita está apenas projetando para a esquerda aquilo que faz, ou seja, atuar ideologicamente, pois enquanto Requião está falando de evidências empíricas que não aconselham privatizar, dando substância à sua fala, o líder da direita simplesmente concorda com a privatização sem apresentar evidência empírica alguma de que ela vá funcionar.
É apenas um ato de fé cega no mercado, nada mais.
O anúncio do governo de São Paulo para a realização de leilão destinado a conceder a empresas a construção e gestão de 33 escolas radicaliza o processo de privatização da educação pública paulista e, como tal, compõe um programa de privatização e desmonte do Sistema Estadual de Educação.
Em contraposição à Parceria Público Privada proposta pelo governo paulista, o Grupo de Estudo e Pesquisas em Políticas Educacionais (Greppe) elaborou uma Nota que pode ser lida e assinada abaixo. Convidamos todos e todas que se contrapõem à PPP a assinarem o documento.
As assinaturas serão coletadas e registradas até dia 06/06 ao meio dia.
Leia e assine aqui.