Tecnologia educacional: a “nova” onda da reforma

Os reformadores empresariais estão inebriados com as possibilidades requentadas pelas novas ondas de tecnologia da educação. As miçangas tecnológicas deste “neotecnicismo digital” são alardeadas como a grande solução para os problemas educacionais – quanto mais tecnologia melhor: vídeos, textos eletrônicos, plataformas de ensino, tutores, avaliação embarcada em plataformas, big data, redes sociais, e o que mais se puder inventar e conectar – seja presencialmente, seja à distância – tudo junto e combinado sob a égide da bases nacionais curriculares. A nova onda quer integrar escola e casa, controlar e enxergar tudo.

Thomas Ultican aborda a questão em um post que procura analisar a nova onda. Para ele, nem toda tecnologia educacional é negativa, “mas é importante lembrar que as empresas privadas estão nisso pelo dinheiro” e “todos que estão no negócio sabem que o verdadeiro ouro da tecnologia educacional vem da mineração de dados”.

Portanto, os dados privados de nossos estudantes e professores estão em risco – entre as muitas consequências indesejáveis deste novo assédio.

Leia post aqui.

Em um post no Blog da London School of Economics and Political Science no Departamento de Mídia e Comunicações, Velislava Hillman argumenta que “é essencial considerar as implicações do uso crescente da tecnologia nas escolas, juntamente com as motivações das empresas de tecnologia educacional”.

Ela adverte que é quase impossível entrar em uma escola e não ser registrado por uma tecnologia digital:

Câmeras conectam as instalações; o trabalho de casa é concluído usando o aplicativo de software de uma empresa (por exemplo, Microsoft Word) que pode ser incorporado na plataforma de outra empresa (compartilhado via Google); e-mails, idas ao banheiro, avaliações, antecedentes parentais – todos alimentam sistemas digitais que são pertencentes, gerenciados, usados e reaproveitados por centenas de milhares de mãos invisíveis dos negócios.”

Leia o post aqui.

Para ela, os negócios com tecnologia educacional “criam narrativas poderosas de que seus produtos resolverão os problemas da educação”, mas eles “reimaginam a educação através do prisma de seus produtos” e, podemos agregar, de seus acionistas.

Ministério Público, legisladores, pais, professores e estudantes precisam organizar-se para colocar limites neste “neotecnicismo digital”.

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Minas: a “cloroquina” da privatização avança

Circula pelas redes um vídeo que a TV da Assembleia Legislativa de Minas elaborou com uma reportagem sobre o processo de privatização das suas escolas, através de entrega a entidades privadas, que o Partido Novo está implementando naquele Estado. O projeto implica, inclusive, em delegar à entidade privada a própria contratação dos professores.

É preciso que se tenha presente que estas são políticas fracassadas (veja aqui também), cujo único objetivo é a extinção da escola pública e a criação de um “mercado educacional” com implicações graves.

Quando colocamos algo sob responsabilidade do “mercado”, isso significa que o serviço será prestado segundo uma escala de qualidade (e de preços) e não segundo um patamar único e elevado de qualidade. Significa, portanto, que a qualidade passa a ser “adquirida” na dependência de quanto dinheiro se queira gastar nesta aquisição. Mesmo que a escola continue agora gratuita, no futuro o pai receberá um voucher com um valor fixo para pagar a escola do filho – pública ou privada.

Por exemplo, existem vários tipos de celulares e você compra quanta qualidade cabe no seu bolso. Este é o destino também do “serviço educacional” quando ele passa a ser ofertado no mercado. No Chile a privatização levou os pais ao co-pagamento: o Estado dá um pequeno voucher para o pai e este, se quer uma qualidade melhor de escola para seu filho, tem que colocar seu próprio dinheiro para poder matricular seu filho em uma escola privatizada e de qualidade. Caso não tenha dinheiro, tem que voltar a colocar o filho na escola pública que restou, mas aí, encontra uma escola degradada pela falta de financiamento, pois ele foi redirecionado para as terceirizadas. Eles aprenderam que somente a escola pública, adequadamente apoiada pelo poder público, pode ter uma qualidade elevada para todos.

A privatização é uma forma das elites criarem às custas de vouchers, pagos com recursos públicos do Estado, subsídios para o pagamento das caras escolas privadas onde seus filhos estudam, ao mesmo tempo em que procuram se livrar do custo dos programas de inclusão social no qual a Educação tem papel central. Elas resolveram cuidar de si mesmas e o resto que se dane.

Tal como o tratamento precoce da COVID, estas políticas também mereceriam uma CPI seguida de responsabilização dos governantes pela sua implementação.

É assim que elas começam. Primeiro escolhem algumas escolas para fazer um “ensaio”, medir a resistência e criar algum efeito-demonstração positivo. O investimento para que a experiência dê certo é pesado. Contrata-se, em seguida, uma instituição para fazer a avaliação – é feito um bom relatório que mostra os “grandes benefícios” auferidos na experiência. Generaliza-se aos poucos a experiência para outras escolas, argumentando que o resultado do “ensaio” foi positivo. Finalmente – às vezes simultaneamente – introduzem-se os vouchers e colocam a escolha da escola nas mãos dos pais, ou seja, literalmente, introduz-se a política do “vire-se, toma que o filho é teu”. Está instalado o “mercado educacional”.

Quando os efeitos nefastos aparecem, já é tarde para se tentar recuar. O Chile tenta fazer isso a duras penas. As escolas públicas restantes vão sendo desfinanciadas pela passagem contínua dos recursos públicos do sistema para as ONGs e Institutos privados. A despeito da luta dos educadores, a qualidade da escola pública restante vai piorando por falta destes recursos e descaso das autoridades que, agora, querem privatizar tudo. E como a sua qualidade vai piorando por este descaso, isso vira mais argumento para se advogar por mais privatização.

Cria-se uma espiral de privatização e destruição da escola pública. Com o tempo, a segregação por raça (e até por gênero, no Chile 100 mil famílias matriculam seus filhos em escolas mono-gênero) se instala financiada com dinheiro público, para satisfação das elites brancas; processos de exclusão dos alunos com mais dificuldades de aprendizagem se instalam – eles não interessam, pois derrubam a média da avaliação da escola; alunos com necessidades especiais começam a ser menos aceitos – eles custam mais do que o aluno médio, dão prejuízo; fraudes aparecem no sistema privatizado; uma rede de empresas sub-contratadas e com fins lucrativos se conecta às instituições ditas sem fins lucrativos; professores são improvisados e trocados sistematicamente; onde as escolas privatizadas não dão lucro, as organizações as fecham. Tudo isso ocorre nos Estados Unidos e no Chile. Não faltam relatórios e literatura científica sobre isso (veja aqui e aqui também).

Segundo um Deputado defensor da privatização e entrevistado na mencionada reportagem, a privatização é boa, pois pode-se ter um controle melhor sobre a qualidade do professor e pode-se “demitir os que não são bons”. Para uma mãe entrevistada, é uma experiência válida pois “não é porque não deu certo nos Estados Unidos que não pode dar aqui.”

Como afirma o SindUTE  Minas Gerais:

“De acordo com o edital do Projeto “Somar”, todos os servidores devem ser removidos das escolas até o final de 2021, ficando apenas diretor/a, vice-diretor/a e secretaria, sendo esses cargos temporários, já que a Organização Social [Civil] ainda avaliará a permanência desses profissionais na gestão.”

Este é o exemplo cabal de que o Estado faz política pública com soluções que além de não terem evidência empírica positiva, têm evidência empírica contrária – como é típico na reforma empresarial. Não é ciência, é fé no livre mercado.

Vão destruir a escola pública em nome da fé no livre mercado. Vão destruir o magistério junto, criando instabilidade profissional, pressão e descrédito, passando a ideia de que a culpa pelo desempenho inadequado das crianças é dos professores: para estes “especialistas em educação” só existe uma variável responsável pela qualidade da educação: o magistério. Tudo o mais (condição de vida, financiamento, infra-estrutura escolar, qualificação deficitária agravada agora pela nova resolução do CNE 02/2019 sobre formação de professores, e outras – não existe.

Ainda há tempo para se salvar a escola pública, se o neoliberalismo for detido em 22. Bora resistir…

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INEP: o aparelhamento prossegue

Dispensa maiores comentários, a ação de aparelhamento que o atual governo realiza sobre as instituições democráticas. Trata-se de restringir a atuação das instituições àquilo que é permitido dentro do conservadorismo e do neoliberalismo.

Como exemplo disso, está a reportagem de Paulo Saldaña que revela os movimentos do MEC para criar um “tribunal ideológico” no INEP (leia aqui e aqui).

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Aprendizagem 2X

A conversão das aulas em “lives” acentuou o caráter livresco da escola atual, desprovido de nenhuma vivência daquilo que está sendo ensinado. O estudo é desgarrado de quaisquer outras motivações, exceto a de livrar-se logo da tarefa.

Uma estudante universitária relata, nesta reportagem de “O Globo”, como ela combina a audição das lives com outras atividades domésticas que incluem a limpeza da casa e até cozinhar – com uma “inovação”: quando acha que a fala não tem muita importância, ela acelera a velocidade das lives.

Leia mais aqui.

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Cursos de Educação Física também se mobilizam

O Comitê Nacional contra as Atuais Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Física divulga Nota contra a Resolução No. 6/2018 do Conselho Nacional de Educação.

Assine também a nota aqui.

Baixe da íntegra da Nota aqui.

A Carta resume a mobilização desde a sua aprovação em 2018 e atualiza o movimento contra a Diretriz 06/2018. Dizem:

O comitê acima anunciado é constituído por docentes e estudantes originários de diferentes instituições, tanto do ensino superior quanto do ensino básico. Nos encontramos unificados desde fevereiro de 2019 em torno da insatisfação que se instalou desde a aprovação da Resolução CNE/CES 06, de 18 de dezembro de 2018 e que instituiu novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os Cursos de Graduação em Educação Física. Essa insatisfação vem se expressando, concretamente, como necessidade de desaprovação desta resolução, sendo este posicionamento referendado em nossas análises, pesquisas e atividades acadêmicas. Ao nos depararmos com a Resolução CNE/CES 06/2018 e, antes ainda, com o Parecer CNE/CES 584/2018 que o antecedeu, se fez imperativo nos posicionarmos publicamente, declarando o nosso desacordo frente às concepções pedagógicas, políticas e ideológicas que fundamentam esta resolução e as DCNs delas originadas.

E continua:

A presente carta tem por objetivo reafirmar a necessidade do nosso posicionamento, além de ampliar nossas críticas iniciais, as quais assumiram novas dimensões, desde 2018 até o momento atual. Cabe registrar que a conjuntura internacional e nacional tem aprofundado a destruição das forças produtivas, desde então, trazendo prejuízos às trabalhadoras e aos trabalhadores brasileiros, tomados como alvo de ataques de todos os tipos, afetando frontalmente suas condições de vida. Sobretudo, a conjuntura pandêmica da COVID-19 tornou visível o resultado de anos de desmantelamento dos serviços públicos e da quebra de direitos historicamente conquistados. Todo esse processo fez crescer entre nós aquelas preocupações já existentes desde 2018, além de trazer novas, impondo-nos a necessidade inequívoca de organização e de tomada de posição como trabalhadores e estudantes vinculados à educação pública.

Hoje, passados cerca de 18 meses, os problemas acima indicados ganham novas dimensões e radicalidade, sobretudo, após a aprovação da Resolução CNE/CP Nº 2, de 20 de dezembro de 2019, e da Resolução CNE/CP Nº 1, de 27 de outubro de 2020. Estas, formam um verdadeiro arcabouço pelo qual o Estado – associado às intenções mais imediatistas e flexíveis do mercado, registrando sua ingerência junto às questões especificamente ligadas à educação, pretende romper definitivamente com as concepções históricas defendidas para a formação de professoras e professores. Haja vista a revogação da Resolução CNE/CP Nº 2, de 1º de julho de 2015, sendo os seus princípios negados de um dia para o outro, os quais fundamentavam os critérios da práxis, da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, e da defesa da ciência e do conhecimento sistematizado como diretrizes indispensáveis à formação de professoras e professores.

A carta reivindica a revogação da resolução e também a participação no processo, de forma a debater os pressupostos que a orientam.

Baixe da íntegra da Nota aqui.

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Contra a BNC da Formação: a mobilização continua

Blog da Formação informa que a mobilização em torno à defesa dos Cursos de Pedagogia continua avançando.

Enquanto o Conselho Nacional de Educação continua em silêncio, vários Fóruns de mobilização em defesa dos cursos de pedagogia e da formação de professores se organizam em vários estados e as discussões se ampliam, consolidando gradativamente este movimento de resistência às proposições neoliberais do CNE no campo da formação.

Nos dias 8 e 9 de junho pp, reuniu-se o Fórum Estadual de Licenciaturas do Estado do Paraná , que reúne as universidades estaduais UNIOESTE, UEL, UNESPAR, UENP, UEM, UEPG E UNICENTRO, constituindo-se, portanto, um espaço coletivo que vem contribuindo desde sua primeira edição, em 2016, para o debate a respeito dos Cursos de Licenciatura e desafios para a Formação Docente no estado e no país.

O evento contou também com a participação de instituições federais, bem como das associações acadêmicas e cientificas da área, a ANPED, ANPOF, ANFOPE, SBEM-PARANA, AGB-LDNA, ANPUH, Coorlicen-UFRGS, comprometidas e atuantes historicamente em favor das Licenciaturas e da formação docente.

Leia aqui no Blog da Formação.

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NEPC: relatório sobre a “escolha da escola” é falho

Um relatório recente divulgado pelo School Choice Demonstration Project da University of Arkansas está sendo usado por defensores dos vouchers para argumentar que a possibilidade do pai escolher a escola dos filhos usando vouchers, estimula amplas melhorias na pontuação dos testes de desempenho.

T. Jameson Brewer da University of North Georgia e Joel Malin da Miami University revisaram o relatório “Education Freedom and Student Achievement: Is More School Choice Associated with Superior State-Level Performance no NAEP?” e consideraram que o relatório é inútil para orientar políticas públicas.

“Os professores Brewer e Malin apontam que os dados e métodos usados no relatório podem, na melhor das hipóteses, sugerir uma relação, a qual deveria então ser examinada usando um projeto de pesquisa mais forte. Eles também explicam que o relatório, ao ignorar pesquisas revisadas por pares relevantes e que encontraram consequências negativas do uso das reformas baseadas em escolha da escola [pelos pais], não faz uso, de forma significativa, do corpo maior de pesquisas [disponíveis]. Na verdade, os revisores identificam falhas metodológicas significativas que lançam dúvidas sobre as conclusões do relatório. As principais falhas incluem questões relacionadas à construção de variáveis ​​independentes, o uso de uma variável dependente extraordinariamente combinada e a inclusão de um grupo de alunos que não foi testado por meio do NAEP.”

Leia a revisão da NEPC feita por T. Jameson Brewer e Joel Malin, aqui.

Leia o relatório de Patrick J. Wolf, Jay P. Greene, Matthew Ladner e James D. Paul aqui.

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ANFOPE e FORUMDIR divulgam Nota

Enquanto o Conselho Nacional de Educação se mantém em silêncio, durante os meses de maio e junho, vários Fóruns de mobilização em defesa dos cursos de pedagogia se organizaram e em vários estados as discussões se ampliam.

Carta da ANFOPE – Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação – e do FORUMDIR que reúne Diretores de Faculdades, Centros de Educação ou equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras indica os caminhos que o movimento deve seguir.

Veja aqui no Blog da Formação

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Educação Física está sendo “apagada” no Ensino Médio

As consequências nefastas das políticas educacionais aprovadas especialmente depois de 2017 já começam a ser visíveis. Coletivo de professores de Educação Física dos Institutos Federais de todo o país, divulgam carta em defesa urgente da Educação Física nos cursos técnicos de nível médio-modalidade integrada, já que, depois da reforma do Ensino Médio e da Base Nacional Comum Curricular, a Educação Física vem desaparecendo dos currículos dos cursos técnicos de nível médio-modalidade integrada.

Em carta dizem:

“Diante dessa reflexão, escrevemos esta carta para a comunidade brasileira na tentativa de reacender o debate que nos manteve/mantém vivos/as e comprometidos/as com a formação integral das pessoas, com o enfrentamento e superação de todas as formas de opressão e com a transformação da realidade. Como professoras e professores de uma instituição de ensino reconhecida por sua excelência por toda população brasileira, não podemos aceitar o empobrecimento dos currículos, o tratamento desigual das disciplinas nas matrizes curriculares dos cursos técnicos de nível médio, modalidade integrada, e a volta de um projeto educacional que pretende manter as desigualdades sociais vividas pelos filhos e pelas filhas das trabalhadoras e dos trabalhadores do Brasil.

Reconhecemos a necessidade do debate e enfrentamento do desafio que nos é imposto via lei n.º 13.415/17 e pela implementação da Base Nacional Comum Curricular para o ensino médio no ano de 2018. Porém, evidenciamos a urgência e emergência de um fluxo institucional nos Institutos Federais que promova espaços plurais para fomento/modificação/qualidade da política curricular do ensino técnico de nível médio, modalidade integrada. Ao tratarmos sobre currículo em uma instituição como a nossa, não podemos perder o horizonte de interesses, mobilizações e disputas engendrados neste processo. Portanto, quanto maior a abertura para discussões, melhores serão os resultados para a comunidade acadêmica. Ressaltamos que estamos prontos, disponíveis e na expectativa deste diálogo autêntico acerca da obrigatoriedade da Educação Física.”

Leia íntegra aqui.

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ANFOPE aumenta mobilização em defesa da Pedagogia

À medida que a aliança conservadora/liberal no CNE – Conselho Nacional de Educação – aumenta a agressão aos cursos de Pedagogia, a Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação – ANFOPE – acirra também a luta em defesa destes cursos.

O objetivo é não perder os avanços acumulados nas últimas décadas e barrar a padronização da formação de professores com interferência em atribuições que são específicas das instituições universitárias. É o que mostra o Blog da Formação:

“A mobilização das entidades cientificas e acadêmicas, especialmente Anfope e Forumdir, vem se intensificando como resposta necessária ao processo de destruição e desarticulação dos cursos de formação de professores desencadeado pelo Conselho Nacional de Educação desde 2017, conforme temos denunciado constantemente neste blog. A mobilização se intensifica desde fevereiro deste ano, com o anuncio pelo CNE, das intenções de alterar profundamente a estrutura, concepção, caráter e conteúdo da formação oferecida pelos cursos de pedagogia, caracterizando o que denunciamos como “os caminhos para a destruição da educação e da pedagogia”, incluindo as próprias Faculdades de Educação, responsáveis acadêmica e cientificamente pela produção de conhecimento na área da educação e da formação de professores.”

Leia íntegra aqui.

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Catini examina os processos de privatização

Carolina Catini publica artigo onde apresenta a privatização da educação como processo de subsunção empresarial do trabalho social. O artigo foi publicado na Revista Germinal com o título: “A educação bancária, “com um Itaú de vantagens”.

“Como a educação é atividade de produção e reprodução da força de trabalho ao mesmo tempo, a subordinação corporativa eleva exponencialmente o grau de controle social empresarial. Mais além de uma subordinação, trata-se de uma subsunção corporativa do social, isto é, uma subordinação que não se dá apenas pelo domínio, mas se completa pela aderência à forma social privada e empresarial, ou melhor, do capital. Vale dizer que o estudo da subsunção apenas se completaria com a análise da introdução de novas tecnologias no processo de trabalho educativo que faz parte da própria privatização.”

Resumo: O artigo apresenta a privatização da educação em curso como processo de subsunção empresarial do trabalho social, baseado em um estudo das mudanças da relação entre trabalho e educação diante de dois processos simultâneos, presididos por empresas e bancos: a criação de um mercado de trabalho informal de educação e a subordinação da educação estatal. A exposição se divide em duas partes que correspondem ao duplo aspecto da transformação: o exame do trabalho educativo, seguido da análise da formação da juventude trabalhadora. Tendo por objeto os trabalhos sociais do Itaú, parte-se da conversão da metáfora freireana em expressão da reconfiguração material da educação e conclui-se com os efeitos regressivos na relação entre as classes.

Leia íntegra aqui.

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RJ: sancionada “lei da escola sem mordaça”

O Rio de Janeiro dá um passo importante na luta contra as tentativas de amordaçar as escolas impedindo que professores, estudantes e funcionários expressem suas opiniões:

Em seu artigo 1º. Diz:

“Todos os professores, estudantes e funcionários das escolas sediadas no estado do Rio de Janeiro são livres para expressarem pensamentos e opiniões no ambiente escolar, sendo assegurado o mesmo tempo, espaço e respeito para quem deles divergir, bem como a pluralidade de ideias”.

A lei, de autoria de André Ceciliano (PT/RJ) e Carlos Minc  (PSB/RJ,) também impede filmagens que não sejam autorizadas pelas pessoas envolvidas.

Leia mais aqui.

Baixe a íntegra da lei aqui.

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Autonomia do INEP: entrevista com Alexandre Santos

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), uma das autarquias mais importantes na avaliação, subsídio e formulação de políticas públicas no Brasil, vem sofrendo pressões diversas que colocam em risco sua autonomia. Recentemente o servidor concursado Alexandre André dos Santos teve barrada a publicação de estudo sobre o Pacto Nacional pela Avaliação na Idade Certa – em 2017 Santos já havia passado por situação semelhante. Com a colaboração do GT 09 da ANPEd, Trabalho e Educação, e do pesquisador associado Thiago Esteves (CEFET-RJ), o portal da ANPEd conversou com o pesquisador do Inep sobre o caso, a importância do estudo e da própria autonomia da instituição. Segundo Santos, “essa obstrução vem cerceando nosso direito de divulgar de maneira ampla os resultados do estudo, não só no site do Inep, mas em qualquer outro meio, visto que o mesmo se encontra classificado como documento preparatório para decisão, o que tem impedido sua livre circulação”. 

Leia mais aqui, no Portal da ANPED.

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INEP: servidores divulgam Nota Pública

Os servidores do INEP, reunidos na ASSINEP, estão frequentemente apontando os riscos de desestruturação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos – INEP – pelas constantes interferências e trocas de gestores.

Hoje foi a vez do Diretor de Gestão e Planejamento do órgão, substituído por despacho do Ministro da Casa Civil.

No dia de ontem a Associação dos Servidores do INEP divulgou Nota Pública na qual denuncia alterações de procedimentos sem fundamentação, além de outras ocorrência que atingem a imagem positiva que sempre o INEP manteve ao longo de sua existência.

NOTA PÚBLICA

O INEP é patrimônio da Educação brasileira. Sua imagem pública não pode ser maculada pela instabilidade administrativa e a interferência deliberada em rotinas consolidadas no Instituto.

Mais uma vez o nome do INEP circula nos veículos jornalísticos nacionais com informações negativas sobre a atuação de sua alta gestão. São acusações de censura à publicação de estudo produzido por servidor da casa em parceria com pesquisador externo, seguidas de forte denúncia sobre fraude no ENADE 2019. Além disso, na última sexta-feira, 07/05/2021, a Presidência da República publicou o Decreto 10.696/20211, alterando a estrutura organizacional do INEP, sem diálogo com os servidores do Instituto.

Diante desses episódios, a Associação dos Servidores do INEP (ASSINEP) vem a público apresentar seu posicionamento.

O INEP é uma longeva e respeitada instituição produtora de informações oficiais do Estado brasileiro. Por essa razão, mudanças súbitas nos processos de produção, aprovação ou divulgação de estatísticas e demais conhecimentos produzidos ou divulgados no âmbito do INEP, sem a devida justificativa técnica, implicam de forma grave e negativa a credibilidade das informações produzidas pelo Instituto.

Um dos episódios noticiados pela imprensa se refere a uma das linhas editoriais do INEP, denominada Textos para Discussão (TDs). Assim como outras linhas editoriais do INEP, os TDs representam um dos instrumentos de trabalho dos servidores, semelhantes ao que se costuma chamar de working papers. Nessa direção, procuram veicular textos originais, inéditos e autorais que, por exemplo, discutam propostas de indicadores, avaliações de políticas e diagnósticos sobre assuntos ainda insuficientemente conhecidos, com o intuito de subsidiar o aprofundamento do debate e a tomada de decisões acerca do tema abordado, de forma mais célere. Não representam a posição oficial do Instituto.

Tendo isso em vista, alterar abruptamente o processo de submissão dos TDs, sem fundamentação técnica consistente, não pode ser uma alternativa em uma instituição como o INEP, especialmente quando não há transparência sobre qual será o novo procedimento e, ainda mais, se houver efeitos retroativos.

Com esta perspectiva, aguardamos da gestão da Autarquia os devidos esclarecimentos técnicos a respeito da publicação de TD submetido por pesquisador do Instituto, assim como da proposição de “Comitê Editorial” anunciada pela gestão.

Sobre notícia contendo evidências de fraude no ENADE, publicada nesta data pelo Jornal Folha de S. Paulo, a ASSINEP considera graves as alegações e pede resposta urgente por parte dos dirigentes do Ministério da Educação e do INEP, a fim de que não se macule ainda mais a confiança da sociedade brasileira nos exames sob responsabilidade do Instituto.

Quanto à notícia publicada no Portal do INEP, em 07/05/2021, sobre o “fortalecimento do Instituto”, fazendo referência ao Decreto 10.696/20214, que altera a estrutura organizacional da Autarquia, a ASSINEP entende ser importante asseverar que a “reestruturação” publicada “fortalece” tão somente algumas unidades organizacionais do Gabinete da Presidência do INEP, sem resolver as graves deficiências estruturais das áreas finalísticas e estratégicas do Instituto.

Ademais, o recente diploma também alterou a denominação de áreas estratégicas da Diretoria de Gestão e Planejamento, responsáveis pela logística dos exames e avaliações do INEP. Porém, até o momento, não temos informação de que essas mudanças tenham sido objeto de amplo debate entre os servidores afetados e envolvidos.

A ASSINEP defende que a Educação seja prioridade nacional, estruturada em políticas de Estado e regida por decisões fundamentadas em informações, estudos e pesquisas rigorosos e em conformidade com os preceitos de uma sociedade democrática.

É urgente, portanto, garantir as condições para que o INEP atue como instituição de Estado, que produz e divulga informações imparciais, válidas, confiáveis, relevantes e tempestivas, para subsidiar entidades governamentais e não governamentais na sua tarefa de promover e monitorar o desenvolvimento da Educação brasileira. Essa é sua missão, que demanda, por via legal, o reconhecimento e a proteção da sociedade civil, do parlamento brasileiro e dos governos dos entes federados e da União.

Por essa razão, a ASSINEP reforça a urgência de discussão e aprovação de uma Lei Orgânica para o INEP, em consonância com a Resolução nº 68/2915, de 2014, publicada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), e que: 1 – reconheça a tipicidade de Estado de suas atividades e de seus cargos; 2 – estabeleça suas finalidades, atribuições exclusivas e autonomia; 3 – simplifique, organize e aprimore as estruturas permanentes de pessoal efetivo do Instituto; e 4 – constitua estrutura de governança e de gestão próprias, colegiadas, escolhidas com base em critérios claros e técnicos, investidas de mandatos específicos e submetidas a mecanismos de controle social.

10 de maio de 2021

ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DO INEP

Leia aqui.

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Schneider: “O ensino remoto fracassou, e agora?”

Alexandre Schneider escreve sobre o fracasso do ensino remoto em São Paulo, durante a pandemia:

“Na semana passada a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo divulgou os primeiros dados dos efeitos da pandemia na aprendizagem dos alunos paulistas. Os resultados são devastadores e implicam uma reflexão dos gestores públicos e da sociedade brasileira.”

Leia mais aqui.

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Siler: confissões de um ex-privatista

Diane Ravitch divulga post de Charles Siler, agora um ex-privatista, onde ele declara que mudou de lado e se transformou em um defensor da escola pública.

Em seu post, que tem o título: “Confissões de um ex-privatista – por que não quero mais extinguir as escolas públicas”, Siler afirma que passou “anos trabalhando para privatizar escolas públicas” e que percebeu que estava errado e agora tem orgulho de se considerar um defensor da educação pública.

Ele escreve:

“Mesmo enquanto perseguia minha missão com zelo, eu estava começando a ter dúvidas sobre se as políticas [privatistas] que eu estava promovendo realmente estavam melhorando a vida das pessoas. Por um lado, a “evidência” que eu gostava tanto de apontar quando discutia com os defensores da escola pública era, na verdade, muito difícil de se encontrar. Isso porque grupos pró-privatização como aqueles ao lado dos quais eu trabalhei, lutam com incrível vigor para bloquear quaisquer esforços que vise coletar dados sobre programas de privatização.

Quando os dados ficaram disponíveis, pude ver por mim mesmo que os programas que eu vendia raramente pareciam produzir benefícios acadêmicos para os alunos, até mesmo aumentando a desigualdade. Eu sabia que os dados sempre podiam ser escolhidos a dedo para produzir argumentos pró-privatização – era o que eu fazia para viver – mas era cada vez mais difícil para mim negar o que eu podia ver com meus próprios olhos: a privatização é ruim para os alunos, para as comunidades e economias.”

Leia a íntegra aqui.

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Publicação de estudo é protelada no INEP

A Folha de SP informa que um estudo mostrando os impactos positivos do PNAIC nos indicadores educacionais, um programa realizado durante o governo Dilma, está sendo protelado em sua publicação. O INEP nega censura. Mas não é o que pensam profissionais do INEP que temem a perda de autonomia da instituição.

“O governo Jair Bolsonaro barrou a publicação de estudo em uma publicação oficial do Inep (Instituto nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) que mostra evidências de melhoria em indicadores educacionais gerados pelo Pnaic (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), bandeira do governo Dilma Rousseff (PT).”

Leia mais aqui.

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A volta do “Estado grande” ou mero efeito da pandemia?

Biden, presidente dos Estados Unidos, envia ao Congresso um plano trilhonário para alavancar o pós-pandemia. Nota do Blog “Inside Higher Ed” resume aspectos do plano para a educação:

 “- US $ 109 bilhões para pagamento de dois anos em faculdade comunitária gratuita “para que todos os alunos possam obter um diploma ou certificado. Os trabalhadores americanos precisam e merecem apoio adicional para desenvolver suas habilidades, aumentar seus ganhos, permanecer competitivos e compartilhar os benefícios da nova economia”, diz o plano.

 – $ 80 bilhões para reajustar os subsídios para estudantes que necessitem de ajuda chegando a $ 1.400 dólares. “Embora quase 7 milhões de alunos dependam deste subsídio, ele não acompanhou o custo crescente das faculdades. Nos últimos 50 anos, o valor do subsídio despencou. O subsídio máximo que cobria quase 80 por cento do custo de um diploma de faculdade de quatro anos caiu para menos de 30 por cento – levando milhões de estudantes de baixa renda a se endividarem para financiar sua educação “, diz o plano.

– US $ 62 bilhões para um programa de subsídios “para investir em atividades de conclusão e retenção em faculdades e universidades que atendem a um grande número de alunos de baixa renda, especialmente faculdades comunitárias. Estados, territórios e tribos receberão subsídios para fornecer financiamento a faculdades que adotem inovações, soluções comprovadas para o sucesso do aluno, incluindo serviços abrangentes que variam de cuidados infantis e serviços de saúde mental a professores e mentoria de pares; subsídios para necessidades básicas de emergência; práticas que recrutam e retêm professoress; acordos de transferência entre faculdades; e programas de remediação baseados em evidências. “

– US $ 39 bilhões “que fornecem dois anos de mensalidades subsidiadas para alunos de famílias que ganham menos de US $ 125.000 matriculados em uma faculdade historicamente negra de quatro anos”, universidades controladas por tribos ou instituição de serviço que atendem a minorias.

– Dobrar as bolsas para futuros professores de US$ 4.000 a $ 8.000 dólares por ano. O plano Biden também visa US $ 400 milhões para a preparação de professores em instituições que atendem a minorias e US $ 900 milhões para o desenvolvimento de professores de educação especial.”

Leia mais aqui e aqui

Tudo isso será financiado pelo aumento do controle e da taxação dos mais ricos. Ele pode ganhar ou perder no Congresso, mas o importante: colocou seu projeto e sua visão para a recuperação americana.

Como afirma Patrícia Mello, na Folha de São Paulo:

“Coube a um senhor de 78 anos, moderado a ponto de ser entediante, propor uma revolução: ressuscitar o papel do Estado como grande provedor de serviços e enterrar o reaganismo nos Estados Unidos. A pandemia do coronavírus, que deixou patente a diferença entre governo ausente e administração eficiente, foi essencial.”

Leia mais aqui.

Apesar disso, a área da educação americana ainda está em pé de guerra contra a decisão de Biden de manter os exames nacionais na pandemia, quando havia sinalizado sua suspensão. Além disso, não há nenhuma medida de fundo para reverter a privatização que corroeu a educação americana e para conter, nos Estados, o avanço do lobby privado que pressiona para que os vouchers sejam ampliados.

Enquanto isso, por aqui, cortamos e contingenciamos o orçamento da educação pública e induzimos a privatização da educação, sob a batuta de vovô Paulo Guedes. Como semiperiferia, ainda vivemos os ecos da época do neoliberalismo radical de Reagan/Thatcher, com quem Guedes aprendeu nos anos 70.

Se a inflexão de Biden significa a volta do “Estado grande” ou um mero efeito da pandemia, ainda é muito cedo para sabemos. Mas, por esta amostra do que está pensando Biden para aumentar o Estado americano, no Brasil, a emergência da chamada “terceira via” (entre Bolsonaro e Lula) tem mais cara de neoliberalismo disfarçado do que de uma política de aumento do papel do Estado. É possível que o “terceirismo” brasileiro se contente em reduzir a presença das políticas conservadoras, retirando o “bode da sala” e fortalecendo o neoliberalismo. Cabe a Lula se diferenciar.

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Steve Nelson: a profissão docente em crise

Steve Nelson descreve a crise na profissão docente que os Estados Unidos enfrenta.

“À medida que nos aproximamos do retorno ao “normal” pré-pandêmico, toda a extensão dos danos está emergindo. Em meio aos destroços, os professores machucados e maltratados da América ainda estão relativamente em pé.

Tem sido enfurecedor observar o desprezo ou indiferença dirigida aos professores. Eles e os sindicatos de professores têm sido responsabilizados pelas escolas não abrirem ou pelos programas online de menor qualidade que substituíram o aprendizado real. Tudo isso aumenta as circunstâncias já sombrias sob as quais os professores têm perseverado por décadas.”

Leia mais aqui.

O autor lista uma série de fatos que comprovam esta percepção: 21,4% dos professores ganham menos que seus pares com qualificação semelhante; houve queda real de 4,5% em dólares nos últimos 10 anos; 20% sobrevivem tendo que ter um segundo emprego; e gastam até 500 dólares por ano adquirindo suprimentos para apoiar a aprendizagem dos estudantes.

Os professores ainda têm uma jornada média de 12 a 16 horas por dia e uma pesquisa mostrou que 62% do magistério estava pensando em deixar a profissão. A pandemia agravou este quadro que vem sendo estabelecido desde os programas que instituíram “padrões e responsabilização” na era Bush.

No Brasil, com a mesma situação de pressão sobre os professores, não deveremos esperar nada muito diferente.

A solução de encarregar terceirizadas para formar professores, do tipo Ensina Brasil, também só repetirá o drama americano: os professores improvisados por estas agências abandonam as escolas depois de 2 anos, desanimados com a realidade das escolas.

E a solução de tornar o ensino híbrido com a adoção de plataformas on line de aprendizagem levará à desqualificação e desprofissionalização agravando mais ainda a crise do magistério.

Ainda há tempo para revertermos estas políticas e suas consequências.

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Grupos econômicos e a filantropia vão aos negócios

Ao longo de anos os reformadores empresariais da educação têm tentado reformatar a educação brasileira a partir da ação de grupos ditos da “sociedade civil” interessados na “melhoria da educação brasileira”.

Eles atuam configurando, primeiro, a política pública da padronização e alinhamento que lhes interessam (ver estudo de Tarlau e Moeler aqui), depois, comprando e operando escolas privadas (grupos e filantropos mais ricos) e gerando um exército de consultores uber e micro-empreendedores que dão sustentação ao grande negócio e às suas políticas.

Primeiro configuram a política educacional, atuando junto ao Estado e a Conselhos de Secretários de Educação, e depois, vão aos negócios montando a rede de escolas privadas. Tudo em nome das criancinhas pobres que têm direito de aprender. Atuam indiretamente sobre as políticas e diretamente sobre os negócios.

O homem mais rico do Brasil, Jorge Lemann, e grande filantropo da educação, indutor da Base Nacional Comum Curricular, agora acelera sua entrada na estruturação de uma extensa rede de escolas privadas conhecida como Eleva Educação. Não há nada de ilegal nisso, mas certamente não é mera coincidência. Segundo reportagem do Estadão, reproduzida pelo Jornal O Sul:

“O movimento é liderado por grupos como Eleva Educação (que tem Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do país, como sócio), Inspira (controlado por um fundo gerido pelo BTG Pactual), SEB (do empresário Chaim Zaher), Bahema (listado na Bolsa) e o britânico Cognita.”

Leia mais aqui.

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Pós-pandemia: NY propõe reduzir tamanho das turmas

Ao invés de chamar os professores de vagabundos, deputados governistas deveriam seguir os passos da Cidade de Nova York e fazer o seu trabalho.

Leonie Haimson mostra como Nova York está se preparando para lidar com o pós-pandemia – depois que o país livrou-se do negacionismo e acelerou o processo de vacinação e, em 100 dias, aplicou 200 milhões de doses de vacinas.

O Conselho de Nova York elaborou uma primeira proposta orçamentária a ser encaminhada ao Prefeito da cidade indicando a necessidade de um aporte de 250 milhões de dólares para reduzir o tamanho das turmas de estudantes nas escolas. Com isso os professores ficariam em melhores condições para lidar com as perdas educacionais oriundas da pandemia, com prioridade para as populações mais vulneráveis:

“Isso permitiria ao Departamento de Educação contratar 2.500 professores adicionais, o que poderia reduzir o tamanho das turmas em até 10.000 salas de aula, já que cada nova turma formada pode reduzir o tamanho de outras quatro turmas já existentes por escola na mesma série e/ou matéria.”

Para o Conselho:

“Quando os alunos retornarem ao ensino em tempo integral, presencial, a redução do tamanho das turmas será imperativa para fornecer suporte de aprendizagem adicional e ajudá-los a recuperar o atraso após um ano de aprendizado remoto ou combinado.”

Além disso:

“O orçamento do Conselho também inclui o financiamento total do Fair Student Funding em cerca de US $ 605 milhões e US $ 110 milhões para garantir que cada escola pública tenha pelo menos um conselheiro escolar em tempo integral e um assistente social em tempo integral, bem como outros programas e iniciativas.”

Leia mais aqui.

Então, deputados, ao invés de agredir professores para desviar o assunto, façam seu trabalho direito: vacinem e disponibilizem condições adequadas para os professores trabalharem…

A melhor reforma educacional é aquela que permite a redução das turmas de estudantes nas salas de aula e não as ilusórias soluções fáceis sugeridas pelas corporações que lucram com ensino hibrido e privatização.

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SP reage a eventual aprovação do ensino domiciliar

Prevendo que o Congresso pode liberar o ensino domiciliar, o Estado de São Paulo se antecipou e já estabeleceu, para o Estado, condições para sua efetivação. A principal mensagem é clara:

“O sistema de ensino de São Paulo entendeu que era importante dizer o que não será aceito: vai haver supervisão, avaliação, controle. Não é uma modalidade em que cada um faz o que quer.”

Leia aqui.

O texto foi aprovado pelo Conselho Estadual de Educação e homologado pela Secretaria Estadual de Educação e indica, também, que, se aprovado for o ensino domiciliar, os estudantes “devem ter aulas com profissionais, estar matriculadas na rede estadual e municipal, além de passar por avaliações periódicas na escola”.

Se vai haver avaliações periódicas na escola, está claro, também, que a BNCC terá que ser seguida.

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BBC divulga relatório sobre o futuro do mundo

“A Comunidade de Inteligência dos EUA (CI), federação de 17 agências governamentais independentes que realizam atividades de inteligência, divulgou uma pesquisa sobre o estado do mundo em 2040.

E o futuro é sombrio: o estudo alerta para uma volatilidade política e crescente competição internacional ou mesmo conflito.”

Leia aqui.

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ANPAE contra a Matriz de Competências para diretores

O blog da Formação divulga manifestação da ANPAE – Associação Nacional de Política e Administração da Educação – contrária ao desenvolvimento de uma matriz de competências de alcance nacional para diretores, em elaboração no Conselho Nacional de Educação.

Leia mais aqui.

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Blog da Formação: Universidades do RJ lançam Fórum

O blog da Formação informa:

“Mobilizados coletivamente desde 2018 para a revisão curricular proposta pela Res. 02.2015, e comprometidos com a luta pela formação docente e pela valorização do magistério, coordenadores dos Cursos de Pedagogia de 4 Universidades Públicas do RJ – UERJ, UFF, UFRJ e UFRRJ – lançaram em live dia 14 de abril – o Fórum de Mobilização e Defesa dos Cursos de Pedagogia.”

Leia mais aqui.

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SP: estudo mostra risco na reabertura das escolas

Estudo feito pela Rede Escola Pública e Universidade (REPU) questiona informação do governo do Estado de São Paulo e mostra que, com a volta às aulas, há risco real de contaminação.

Para Rodrigo Ratier, que analisou o relatório em seu Blog na UOL:

“De acordo com a sondagem, a incidência de covid-19 entre educadores foi quase 3 vezes maior do que na população estadual de mesma faixa etária (25 a 59 anos). O governo trabalhava com a informação de que a proporção de casos confirmados nas escolas era 33 vezes menor do que a registrada em São Paulo. O levantamento da REPU traz uma diferença gritante — para pior.”

Leia mais aqui.

Leia também a Nota Técnica da REPU.

Deve se agregar que temos que considerar ainda a contaminação tanto dos professores como dos estudantes e que tem havido um aumento de casos entre os mais jovens, além de que se desconhece a extensão das sequelas que a enfermidade deixa nas pessoas atingidas – independentemente da idade destas.

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Campanha divulga material sobre educação domiciliar

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação divulga material apresentado em audiência pública sobre o projeto de lei 3179/2012 de implantação da educação domiciliar. São 142 entidades contrárias.

Acesse aqui.

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A propaganda enganosa da privatização por terceirização

A propaganda da privatização da educação através da terceirização das escolas para ONGs sem fins lucrativos ou operadoras privadas gosta de alardear que permitirá que as escolas públicas se tornem mais inovadoras, mais responsáveis, mais baratas e eficazes. Diane Ravitch resume os resultados de três décadas de operação destas escolas terceirizadas (charters) nos Estados Unidos:

“a) As escolas charter não são mais inovadoras do que as escolas públicas. A única inovação associada às terceirizadas são as práticas disciplinares severas chamadas “sem desculpas”, onde as crianças são punidas por pequenas infrações por regras estritas. A maior rede charter em Chicago, a Noble Network, anunciou recentemente que estava eliminando o “sem desculpas” porque é uma política racista, destinada a forçar as crianças negras a adotarem os valores da classe média branca.

    b) As escolas charter não são mais responsáveis ​​do que as escolas públicas. Na maioria dos estados, as associações de terceirizadas lutam contra qualquer esforço para impor responsabilidade ou transparência. Elas não querem ser auditadas por auditores independentes. A única vez em que eles são responsáveis ​​é quando fecham as portas devido ao baixo índice de matrículas ou ao fracasso escolar abjeto.

    c) As escolas charter não custam menos do que as escolas públicas. Eles normalmente exigem o mesmo financiamento público que as escolas públicas, embora as escolas públicas arquem com alguns de seus custos, como transporte, e [as terceirizadas] têm menos alunos com necessidades especiais do que as escolas públicas. Em alguns estados, como o Texas, as escolas charter recebem mais dinheiro público do que as escolas públicas.

    d) As escolas charter são menos eficazes do que as escolas públicas. Aquelas que têm notas altas nos testes escolhem seus alunos e famílias com cuidado e expulsam aqueles que não querem. Em média, elas não superam as escolas públicas e gastam mais dinheiro em administração do que as escolas públicas. Em alguns estados, como Ohio, a maioria das escolas charter são classificadas com D ou F.”

Leia mais aqui.

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Relatório desmascara o lucro das organizações sem fins lucrativos

Décadas se passaram desde que se teve a ideia, nos Estados Unidos, de permitir que o ensino público pudesse ser terceirizado através do que chamam de “escolas charters”: sua finalidade era trazer inovações e maior flexibilidade para a educação pública. Estas escolas, diziam, não deveriam ter finalidade lucrativa.

Logo se percebeu que esta aproximação entre o público e o setor privado era uma armadilha. Aos poucos o “mercado” se apoderou da ideia e a transformou em uma forma de canalizar o dinheiro público para os bolsos dos empresários.

A falha da ideia foi não perceber que não existem organizações sem fins lucrativos: todas têm custos correntes com seu funcionamento que precisam ser cobertos. As doações da filantropia tornaram-se apenas um “plus” ao que captam do financiamento público e, ao se deslocar o financiamento público para cobrir o custo operacional das terceirizadas, esvazia-se o financiamento da educação pública de gestão pública e deteriora-se a qualidade da escola pública.

Logo se percebeu que este era um círculo vicioso que alimentava a privatização: diminuindo o nível de financiamento dos municípios e estados pela introdução da terceirização dita sem fins lucrativos, diminuíam o financiamento das escolas públicas de gestão pública e, com isso, sua qualidade piorava, alimentando o discurso de que precisavam, então, ser cada vez mais privatizadas, em nome do direito de aprendizagem especialmente das crianças mais pobres.

A ideia da terceirização logo cruzou-se com a ideia dos vouchers: recursos públicos que são repassados diretamente aos pais para que eles “escolham” a escola dos filhos, aumentando assim o deslocamento de financiamento das escolas públicas para o setor privado – incluindo as tais terceirizadas sem fins lucrativos. Mas… aí a boiada já havia passado.

Agora os educadores americanos se esforçam para tentar salvar o sistema público de educação da grande quantidade de tentativas para minar a educação pública de gestão pública.

Sendo impossível restringir, de uma vez, a destinação dos recursos públicos apenas para a escola pública de gestão pública, tentam – a exemplo do Chile, laboratório destas ideias – retirar pelo menos o lucro da educação, procurando tornar as terceirizadas realmente sem fins lucrativos.

É o que restou fazer a estes países que caíram na armadilha da eficiência do setor privado e das inovações introduzidas de fora para dentro do setor público – financiadas e alimentadas pelas fundações e institutos privados.

Ao invés dos governos investirem por dentro das redes e maximizar sua qualidade, optaram por entregar as escolas pela terceirização. Agora, correm atrás do prejuízo.

Este louvável esforço pode diminuir um pouco a voracidade das corporações educacionais, mas dificilmente será eficaz para resolver o problema. Dizem os treinadores de cães que depois que um cão sentiu o gosto de sangue, dificilmente tornar-se-á dócil. As corporações experimentaram o “sangue” das escolas públicas. Continuarão a ser estimuladas pelos vouchers e não abandonarão o osso tão facilmente. Nada detém a voracidade do lucro – nem a pandemia conseguiu.

Um novo relatório americano da Network for Public Education – NPE – mostra como se dão as relações entre as chamadas escolas charters sem fins lucrativos e as corporações educacionais lucrativas. É isso que fez Peter Greene chamar as escolas terceirizadas sem fins lucrativos de “máquinas de lavagem de dinheiro”. Diz o NPE:

“Neste relatório, focamos o mundo das escolas charters [sem fins lucrativos] organizadas para ter fins lucrativos, um mundo oculto e incompreendido. Nós retiramos o véu sobre táticas e práticas destinadas a captar dólares públicos, tanto quanto possível, por meio das escolas charter [sem fins lucrativos], enquanto se escondem atrás de leis destinadas a manter a lucratividade oculta dos olhos do público. Este relatório expõe como grandes e pequenas empresas com fins lucrativos evitam as leis estaduais que tornam ilegais as escolas charters com fins lucrativos pelo uso de entidades associadas e uma fachada sem fins lucrativos. Explicamos e fornecemos exemplos de como proprietários com fins lucrativos maximizam seus lucros por meio de auto-negociação, taxas excessivas, transações imobiliárias e alunos mal atendidos que [depois] precisam de serviços mais caros.”

Diz o relatório:

“Apesar dos regulamentos rígidos contra o desembolso de fundos do Programa Federal de Escolas Charters para escolas charter operadas por entidades com fins lucrativos, identificamos mais de 440 escolas charter operadas com fins lucrativos e que receberam subsídios totalizando aproximadamente US $ 158 milhões entre 2006 e 2017, incluindo bolsas para escolas terceirizadas com contratos de repasse para fins lucrativos.”

Esta sangria da escola pública de gestão pública americana é apenas uma pequena parte do que vai de fato, via vouchers, parar o bolso do empresariado. E que não se fale em qualidade melhor da iniciativa privada: esta não é a realidade que os relatórios que analisam especificamente a qualidade destas escolas relata existir.

O novo relatório do NPE pode ser acessado aqui.

A versão executiva pode ser lida aqui.

Matéria no Washington Post pode ser acessada aqui.

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Cain e Laats: Escola Zoom?

Para os que já estavam em contato com a chamada “tecnologia educacional” dos anos 70, que se seguiu à era dos “audiovisuais”, não há nenhuma novidade na proclamação dos atuais entusiastas do ensino híbrido. As promessas, não realizadas naquela época, são as mesmas: a tecnologia causará uma mudança dramática nas escolas e permitirá a elevação da qualidade a menores custos. Onde entra a tecnologia, empregos são eliminados como forma de compensar os gastos em tecnologia – diz a lógica empresarial.

Em 1972 assisti, em um congresso de educação no México, uma das sessões na qual a grande novidade promissora era a revolução educacional da “Instrução assistida por Computador”.

O expositor, no clímax de sua exposição, usando um telefone (ainda com tecnologia analógica) “discava” para os Estados Unidos e uma lição auto-instrutiva passava a ser exibida na tela do Congresso, no México – para encanto, surpresa e deleite de todos.

Abria-se, pensávamos, uma nova era em que a presença interativa de um professor para realizar a aprendizagem era agora apenas acessória: o foco era o comportamento do aluno frente à tela e o professor passava a ser visto como se fosse mais uma “interface” acoplada a um sistema cientificamente preparado e que poderia ser ou não “plugado” a este na medida da necessidade.

O que passava a ser importante, era a preparação do sistema instrucional pelos especialistas que analisavam as habilidades esperadas dos estudantes e, por uma análise e sequenciamento científico, determinavam o caminho a ser seguido para a aprendizagem eficaz – com a vantagem de que ele podia prever e antecipar os erros mais prováveis dos estudantes, determinados pela análise das habilidades e pelos testes de campo, permitindo ter, on line e de imediato, a necessária instrução corretiva a tais erros – o tal “feedback”. Com uma pálida imagem do que deveria ser a relação professor-aluno, houve até quem previsse que o professor passaria, então, a ser apenas um “mestre de cerimônia” destinado a animar a festa da aprendizagem.

Muita gente ganhou dinheiro com isso, mas nunca se soube que aquelas proclamações tivessem conduzido a uma revolução na educação – não pelo menos que impactasse a maioria das redes de ensino. Esconderam o fracasso na falsa acusação de que “a educação é contrária à tecnologia”.

Cinquenta anos depois, as promessas de uma revolução pelo ensino híbrido e pela educação à distância voltam.

No âmbito do nosso sistema social, há uma fixação (muito conveniente para alguns que faturam com ela) de que uma mudança revolucionária na educação só pode ser conseguida por adição de tecnologia. Como dizia um psicólogo famoso naquela época; “não há razão para que uma sala de aula tenha menos tecnologia do que uma cozinha”.

Como as finalidades educativas da escola atual se limitam a estreitas perspectivas de formação registradas em bases nacionais comuns, a adição de tecnologia se vê facilitada em seu desenvolvimento e também comercialização, afinal, agora a BNCC vale para todo o pais, criando um mercado com escala nacional, o que viabiliza altos investimentos na elaboração de plataformas on line de ensino. O tecnicismo descrito, por Saviani, como a preponderância dos processos, métodos e técnicas sobre os professores e estudantes, está de volta na política pública.

O atual entusiasmo está alavancado, como sempre, pelos novos desenvolvimentos tecnológicos. Isso não é muito diferente da época do aparecimento da televisão, dos audiovisuais e depois com a associação da aprendizagem aos nascentes computadores da década de 70. Cada novo desenvolvimento tecnológico leva ao ressurgimento destas promessas: “agora será diferente”, temos “tecnologia interativa”, todos têm “acesso a celulares” – e por aí vai.

O que é que não foi aprendido destas experiências passadas?

Vitoria Cain e Adam Laats respondem em um artigo no Washington Post (onde passam revista aos desenvolvimentos tecnológicos que motivaram o mesmo solucionismo tecnológico em outros tempos), e concluem apresentando a lição que já deveríamos ter aprendido:

“A tecnologia pode ser uma ferramenta para professores e alunos, mas não pode substituir o papel de um professor humano preparado e engajado. Como os pais passaram a apreciar durante a pandemia, o ensino presencial inspira os alunos muito mais do que a escola Zoom jamais o fará. Pessoalmente, os professores se conectam e se envolvem com os alunos de maneiras que as telas simplesmente não podem reproduzir.”

Leia aqui.

Infelizmente, a Educação é uma área povoada por estas ideias que nunca morrem e nunca funcionam.

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