Efeito Sobral se generaliza

Praticamente todos os Estados do Brasil já adotaram a prática do Ceará de distribuir incentivos estaduais baseados nos resultados de avaliação de larga escala.  A ideia foi potencializada com sua inclusão na nova lei do FUNDEB. A reforma empresarial da educação opera por “mantras” que nunca se concretizam mas que encantam os formuladores de política defensores da economia de mercado e seus instrumentos de competição e concorrência. Ela vai penetrando por camadas que se superpõem, aos poucos.

A política é mais conhecida, no entanto, pelos “resultados” de Sobral que obtém índices elevadíssimos em avaliações no IDEB. Esta estratégia foi amplamente usada nas políticas americanas como o “No Child Left Behind” da época Bush. Como aqui ela não vem acompanhada das consequências fortes que lá existiam (incluindo até mesmo o fechamento de escolas com baixo desempenho), e é configurada com a tentativa de carregar a desigualdade para dentro do indicador de resultados visando sua diminuição, a argumentação será a de que ela é diferente.

Mas, de fato, ela contém o essencial, o princípio behaviorista do “condicionamento operante”, ou seja, faça o que eu quero e eu libero “reforço po$itivo” para você. Neste sentido, ela é um ponto de ancoragem fundamental para “alinhar” o sistema às políticas educacionais centrais (por exemplo, BNCC)  feitas de cima para baixo. A ideia, porém, opera com um apriori equivocado, como bem aponta Ravitch: assume-se que nota mais alta é sinônimo de boa educação.

O coração desta política é “colocar pressão” . Esta implementação do chamado “icms educacional” fará dobradinha com os estudos sobre o Sistema Nacional de Educação (e suas comissões tripartites e bipartites, herdadas do “Pátria Educadora” de Mangabeira Unger) que se encontram em tramitação no Congresso, permitindo a criação de instrumentos de alinhamento da periferia do sistema às decisões políticas do centro. O próprio GT da Transição já incluiu em sua pauta tanto a questão do Sistema Nacional de Educação como também uma discussão do alinhamento das avaliações de larga escala entre o IDEB e as avaliações de estados e municípios.

Talvez estejamos diante da configuração de uma das maiores máquinas de pressão sobre Estados e Municípios. Os atingidos diretamente por estas políticas serão os professores e os estudantes que estão no final da escala de pressão. O prejuízo à autonomia do magistério, que precisa dela para lidar com a diversidade de desempenhos no interior da sala de aula, será ampliado, especialmente quando combinado com a nova moda do ensino híbrido ancorado em plataformas de aprendizagem.

Os estudantes estarão sendo “treinados” para avaliações de larga escala nestas plataformas em uma longa série de “simulados” e testagens frequentes destinadas a “render” mais ICMS. Estudantes de menor desempenho (incluídos aí os com necessidades especiais) serão estimulados a procurarem outras escolas e a profissão de professor será duramente impactada e desestimulada, ampliando os problemas já existentes. Estes efeitos nefastos estão na literatura.

A própria Secretária de Educação de Sobral e também ex-governadora do Ceará – Izolda Cela – é a principal cotada para ocupar o Ministério da Educação do governo Lula.

No Estado de São Paulo a medida acaba de ser aprovada:

“O governador Rodrigo Garcia sancionou nesta sexta-feira (11) a lei do novo ICMS Educacional. O projeto do Executivo altera os critérios de distribuição do produto da arrecadação do ICMS (Imposto de Circulação de Mercadoria de Serviços) ao desempenho da educação dos municípios.”

Segundo ele:

“Grandes avanços na Educação. Quanto mais você faz, mais percebe o que tem a ser feito. São Paulo é São Paulo por isso, com novos desafios consegue avançar e a gente torce que o próximo governo faça ainda mais, porque quem ganha com isso é o Estado.”

Por “fazer ainda mais” entenda-se o aumento do percentual de repasse condicionado a desempenho para percentuais maiores.

Por agora a punição para desempenhos menores que não apresentem avanços entre avaliações fica limitada ao recebimento de repasses menores. No entanto, fica em aberto uma avenida para que novas consequências sejam agregadas.

“A proposta estadual atende às recentes normativas constitucionais e cria um novo mecanismo de distribuição do imposto baseado no desempenho educacional dos municípios, chegando até 13 p.p dos 35% previstos na cota municipal. Pelo projeto também, os municípios que demonstrarem avanços, especialmente aqueles com baixos níveis de aprendizagem, serão igualmente premiados.

O cálculo do novo ICMS Educacional considera alguns indicadores de desempenho como o IQEM (Índice de Qualidade da Educação Municipal) constituído pela taxa de aprovação dos alunos do 1 º ao 5º ano do ensino fundamental; resultado e evolução em avaliações de alfabetização e aprendizagem do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) dos alunos do 2º e 5º ano; e por um indicador que considera a população, o número de matrículas na rede municipal e a quantidade de alunos vulneráveis no município.”

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Renato Feder será Secretário de Educação em SP

Tarcísio, governador eleito de São Paulo, anunciou Renato Feder na Secretaria de Educação de São Paulo. Renato foi cotado para o governo Bolsonaro, mas preterido. Atualmente é secretário da educação no Paraná onde atua no governo Ratinho Jr. tendo ampliado a privatização e a militarização de escolas.

Feder chegou a atuar como assessor alguns meses em São Paulo quando Nalini era Secretário de Educação. Ele se define como um empresário que “já ganhou muito dinheiro” e agora quer fazer algo pela sociedade. Seu sonho era ser Secretário de Educação em São Paulo

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Educação na Transição: arrumando a casa

O tortuoso caminho que a transição tomou desde o início acabou em crise antecipada. No caso da educação, quando Haddad reuniu um grupo de 56 pessoas para discutir a transição, ele gerou a expectativa de que se estava construído um plano de governo. Isso abriu caminho para um verdadeiro “trem da alegria ideológico” que recebe adesão a todo momento – veja-se o caso da inclusão de Claudia Costin, ex-diretora do setor de Educação do Banco Mundial e defensora explícita das teses da reforma empresarial da educação construída nos países centrais em governos neoliberais, e de Priscila Cruz, diretora-presidente do Movimento Todos pela Educação, sucursal brasileira dos reformadores.

Acuado pelo pouco tempo, ontem Mercadante reuniu a equipe de transição, os 31 grupos, para dizer que o programa do governo Lula já estava pronto antes da eleição e que os grupos devem focar no diagnóstico e não em “ideias geniais”. A direita reagiu imediatamente.

Embora eu ache que mesmo o programa elaborado antes já era genérico demais, e isto vai gerar problemas futuros, creio que Mercadante está certo. O programa, mesmo inacabado, terá que ser o ponto de partida e não o GT de transição. E a complementação dele terá que ser feita com a equipe do MEC já definida. Os reformadores precisam entrar na fila.

Desde a primeira reunião “informal” com 56 pessoas, observa-se uma composição que sugere a constituição de um grupo para examinar recomendações de políticas para o futuro ministério, até mesmo com exclusões inaceitáveis de aliados de primeira hora, como a CNTE. E recomendações políticas são sempre baseadas em uma visão de futuro que deve ser feita tendo como referência um programa político. Sem o programa abre-se um vácuo.

Se o programa da Coligação Brasil da Esperança for colocado claramente como referência, o diagnóstico fica limitado ao diagnóstico, que deveria ser o objetivo central do GT, garantindo que o momento da transição tenha como norte o programa e não o foco na política que será adotada. Se isso tivesse sido garantido, muitos problemas teriam sido evitados, pois, como o ato de administrar não é neutro, tem que haver um norte político ou se criará outro ao sabor dos componentes do GT durante o próprio diagnóstico. A falta deste horizonte é o que motivou a montagem do GT e está levando a sua constante alteração.

Os grupos estão ganhando uma composição por demais ampla, guiados pelas expectativas de se fazer um programa. Ao contribuir com o fim do governo Bolsonaro, não se fez um favor para a coalisão vitoriosa no primeiro turno e liderada pelo PT, mas um favor ao país. Isso não pode, agora, virar dívida política a ser paga com direito a reescrever o programa que levou a coligação à vitória no primeiro turno.

O programa é produto dos Partidos componentes da coligação. Bem ou mal, este é o ponto de partida para a política do governo Lula a ser retomado pelos Ministérios. Mudanças são possíveis, mas devem ser discutidas no momento oportuno. Quem incorporou-se à campanha no segundo turno, não pode ter a pretensão de fazer um novo programa agora, durante a transição.

É hora, sim, de um freio de arrumação.

A questão, agora, é quem irá conduzir o Ministério da Educação e suas Secretarias tendo como referência inicial o programa da coligação e o diagnóstico.

Para a área da Educação organizada no Forum Nacional Popular de Educação a referência é a Carta de Natal e seus desdobramentos. E o porta-voz da Carta de Natal é Heleno Araujo, indicado para compor o GT da transição na educação.

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Educação na Transição: muda composição do GT

Nova composição do GT da Transição em Educação. Os nomes em maiúsculas são os que foram introduzidos. A Campanha solicitou também alteração de representação: Sai Andressa e entra Daniel Cara.

I. Alexandre Schneider
II. Arnóbio Marques de Almeida Júnior
III. CESAR CALLEGARI
IV. CLAUDIA MARIA COSTIN
V. Claudio Alex Jorge da Rocha
VI. DANIEL TOJEIRA CARA
VII. FÁTIMA CLEIDE RODRIGUES DA SILVA
VIII. GETÚLIO MARQUES FERREIRA
IX. Heleno Manoel Gomes de Araújo Filho
X. José Clodoveu de Arruda Coelho Neto
XI. José Henrique Paim Fernandes
XII. KARIN ADRIANE HUGO LUCAS
XIII. LUIZ CLÁUDIO COSTA
XIV. Macaé Maria Evaristo dos Santos
XV. Maria Alice Setubal
XVI. MARIA APARECIDA DA SILVA BENTO
XVII. Maria Teresa Leitão de Melo
XVIII. MÔNICA SAPUCAIA MACHADO
XIX. Paulo Gabriel Soledad Nacif
XX. Priscila Cruz
XXI. Ricardo Marcelo Fonseca
XXII. Rosa Neide Sandes de Almeida

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Educação na Transição: entrevista de Priscila Cruz

Entrevista com Priscila Cruz do Todos pela Educação e participante do GT da Transição da Educação.

Acesse aqui.

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Educação na transição: entrevista com Henrique Paim

Henrique Paim, Coordenador do GT da Transição na Educação, fala sobre o trabalho do GT.

Assista aqui.

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GT da Transição na Educação é formado

O Grupo de Trabalho da transição será constituido por:

Andressa Pellanda, coordenadora-geral da campanha nacional pelo direito à educação

Alexandre Schneider, ex-secretário municipal de Educação de São Paulo

Binho Marques, ex-governador do Acre

Cláudio Alex, presidente do Conif e reitor do IFPA

Heleno Araújo, presidente da confederação nacional dos trabalhadores em educação (CNTE-PE)

Henrique Paim, ex-ministro da Educação

Macaé Evaristo, ex-secretária municipal de Belo Horizonte, deputada estadual eleita por MG

Maria Alice “Neca” Setúbal, presidente do conselho consultivo da Fundação Tide Setubal

Paulo Gabriel, ex-reitor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano

Priscila Cruz, presidente executiva do Todos pela Educação

Ricardo Marcelo Fonseca, presidente da Andifes

Rosa Neide, ex-secretária estadual da Educação do Mato Grosso e deputada federal

Teresa Leitão, ex-deputada estadual, senadora eleita (PT-PE)

Veveu Arruda, ex-prefeito de Sobral (CE)

Veja aqui manifestação da CNTE.

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Goiânia: Educação Infantil em risco

O NEPIEC/FE/UFG e o FÓRUM GOIANO DE EDUCAÇÃO INFANTIL – FGOEI divulgam manifesto em favor do direito à educação infantil integrada e em tempo integral de crianças de zero a seis anos de idade e da manutenção de bibliotecas/salas de leituras em instituições educacionais goianas.

“O Núcleo de Estudos e Pesquisas da Infância e sua Educação em Diferentes Contextos (NEPIEC) e o Fórum Goiano de Educação Infantil (FGOEI) vêm a público manifestar repúdio às últimas ações da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia (SME), pelas quais intenta retirar as crianças de quatro a seis anos de idade de espaços específicos – como Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIS) e Centros de Educação Infantil (CEI) – que têm por princípio a indissociabilidade e articulação entre o cuidar e o educar. Nesse caso, as crianças matriculadas na pré-escola deixam de ter o direito a uma educação em período integral, passando a estarem definitivamente em salas de escolas do Ensino Fundamental, muitas delas improvisadas e nem sempre adequadas às crianças de até seis anos.”

Leia a integra aqui.

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Marcos Martins; José Gondra e Luciano Mendes: Educação na transição de governo

O dilema da transição é político e ganha clareza na área da educação

“Toda transição de governo guarda particularidades que lhe são próprias. A que está sendo encaminhada pela chapa Lula-Alckmin talvez seja uma das mais complexas da história republicana do Brasil, porquanto caracterizada como “frente amplíssima”, abarcando forças sociais dos mais diferentes (e até antagônicos!) matizes político-ideológicos, da esquerda à direita. A clareza política de Lula para assumir essa complicada empreitada se expressa nas falas dele, como na de São Paulo (24/10/22), quando disse que “Nosso governo não será do PT, mas de todos que nos apoiam”. Desse modo constituída a vitória, a Equipe de Transição tem se estabelecido como espaço de disputa, em particular, no núcleo que tomou como atribuição encaminhar os trabalhos atinentes à educação.”

Leia mais aqui.

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Educação do Campo: plataforma para o Governo Lula

O FÓRUM NACIONAL DE EDUCAÇÃO DO CAMPO divulgou sua plataforma para o Governo Lula.

“O Fórum Nacional de Educação do Campo – FONEC convoca a sociedade brasileira, e em especial os fóruns e comitês estaduais e municipais de educação do campo, os movimentos e organizações sociais e sindicais populares dos povos tradicionais e camponeses, as instituições de ensino superior públicas e as redes de ensino a pautar na agenda política do Governo Lula, como também nos governos estaduais e parlamentares que serão eleitos, as seguintes propostas com a intencionalidade de afirmar as Políticas Públicas de Educação do Campo e dotá-las de plena potencialidade na garantia do Direito à Educação dos povos do campo e para o fortalecimento do Projeto Territorial Camponês.”

Baixe a íntegra da plataforma aqui.

A plataforma dá visibilidade a toda uma ação educativa que frequentemente é ignorada ou tratada equivocadamente pelas políticas educacionais como extensão do urbano, mas que tem suas próprias demandas e especificidades.

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A transição na Educação: crítica da crítica

O professor Fernando Cassio prestou um benefício à  Educação brasileira ao chamar nossa atenção para a composição da reunião do GT de transição da educação do governo Lula. Sintomas na mesma direção estavam também presentes no interior das entidades educacionais que, ao serem afastadas do início do processo, ficaram sem informação procurando entender o que estava em curso. Depois de Cassio, outros atores (Jornal Pensar a Educação; pesquisadores da área; Ratier; Pretto e eu mesmo) repercutiram o fato.

Como era de se esperar, não tardou para aparecerem os que consideraram a divulgação e as críticas inadequadas e precipitadas. Teríamos outras reuniões foi a justificativa. No meu caso, a crítica, além disso, envolveu acusações de ter “desespero por protagonismo” e outras reprimendas do tipo: “Mas para que precisamos de inimigos se já temos fogo amigo dessa intensidade? Perseverem. E capaz de conseguirem impedir a posse do Lula.” E por aí vai.

No meu caso específico, sou um crítico da pauta educacional do PT desde os tempos em que ele já era governo. Temos coincidências, mas temos divergências. Este Blog testemunha isso, basta consultar. Portanto, não é algo de ocasião. E sei lidar bem com este discurso chantagista que quer calar a crítica sugerindo responsabilizar a crítica pelo desastre, não vendo nela um desejo de contribuir para o sucesso.

Com Cassio parece não ter sido diferente. Diz ele em reação: “A agenda educacional das elites é prosseguir de onde pararam com Temer. E nós? Vamos seguir repetindo que “agora não é hora para criticar?

Leia aqui.

Para mitigar os vínculos de parte dos presentes à reunião com entidades empresariais, Haddad em entrevista à CNN diz: “Aqui as pessoas foram convidadas a título pessoal, indicando os temas de maior preocupação.” E continua: “na próxima semana um grupo estará em Brasília para receber as contribuições das entidades ligadas à educação, que terão a chance de apresentar suas observações específicas.

Leia aqui.

Ou seja, o que temos aqui é o velho modelo do “todos pela educação” baseado na parceria público-privada para lidar com a educação. A primeira reunião não teria incluído as entidades ligadas à educação, porque ainda não era o momento delas. Era o momento de rearticular os ex-participantes de governos anteriores que já conhecem o MEC e de ouvir o setor privado, ou seja, seus instrumentos ideológicos que configuram um amplo leque de tipos de ONGs e Fundações. Mas não pelo CNPJ, pelo CPF dos participantes e simpatizantes destas.

Mas não sejamos ingenuos. Este processo está delineando também os futuros compromissos e ocupantes dos vários postos no MEC e organizações correlatas. Se, por um lado, isso é normal e necessário, pois dentro de dois meses há que se manter em funcionamento a estrutura do Estado, por outro, a escolha das pessoas tem que ser feita em função da política educacional que se visualiza. É claro, então, que a política não pode ficar para ser discutida depois, quando já tivermos ministro e demais postos indicados.

E o fato é que este acontecimento já revela a visão desta abordagem: a educação é vista como um assunto de e para todos que tiverem interesse. O que é bem conveniente às teses da reforma empresarial da educação que precisa manter o pé na canoa e diz respeito à sobrevivência do setor privado educacional durante o governo Lula – inclusive no MEC e no Conselho Nacional de Educação (onde já está).

Então, antes das eleições não era para criticar. Depois, também não, é muito cedo. Além disso, a crítica “faz o jogo da direita”. A mensagem é clara: critiquem quando avançarmos mais. Só que, neste momento, as decisões podem estar tomadas e sermos objeto de nova crítica: mas porque não criticaram antes?

O destino da educação sob o governo Lula está sendo decidido agora e não depois que o nome do futuro ministro e das demais secretarias do MEC sejam divulgados em dezembro.

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Nelson Pretto comenta a transição na Educação

Clique abaixo e ouça comentários de Nelson Pretto:

https://www.spreaker.com/episode/51850753

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Nota Pública solicita participação na transição

Nota Pública de Professoras/es, Pesquisadoras/es e Ativistas da Educação sobre a composição da Comissão de Transição da Educação

Ao Presidente Lula

Ao Professor José Henrique Paim  –  Coordenador da Área de Educação na Equipe de Transição

Nós, professores(as) pesquisadores(as) e ativistas da educação, vimos a público manifestar nosso estranhamento pelo fato de a Equipe de Transição da Área de Educação não refletir minimamente o conjunto das forças democráticas que atuam nesse campo e nem, muito menos, contemplar os principais coletivos que, ao longo da história, sobretudo nos últimos 6 anos, lutaram contra o desmantelamento da escola e da universidade pública, gratuita, laica e de qualidade socialmente referenciada em nosso país. Há significativa ausência de pessoas com experiência nas organizações e movimentos sociais com larga atuação e com importantes contribuições à educação, como as associações científicas e instituições científicas da área, o movimento sindical de professoras/es, os movimentos e coletivos LGBTQIA+, estudantis, negros e quilombolas, da terra e do ambiente, da educação infantil, inclusiva e indígena, bem como da Educação de Jovens e Adultos (EJA), visceralmente associada à vida e à obra de Paulo Freire. Assim, reivindicamos que tais forças e suas vozes sejam incorporadas à Comissão, para que também participem da elaboração do diagnóstico da educação e apresentem propostas, elaboradas a partir do rigor científico de pesquisa, a qual conta com expressiva produção de conhecimento financiada pelos recursos públicos e amplamente disseminada no Brasil e no exterior, e de um sem-número de experiências valorosas, com vistas a garantir  uma escola pública, gratuita, laica e de qualidade à toda população brasileira.

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  1. Profa. Adir Luz de  Almeida – UERJ
  2. Profa. Alexandra Ayach Anache – UFMS
  3. Prof. Alexandre Vaz – UFSC
  4. Profa. Aléxia Pádua Franco – UFU
  5. Prof. Álvaro Hypólito – UFPel/ex-Diretor da Faculdade de Educação da UFPel
  6. Profa. Ana Luiza Bustamante Smolka – UNICAMP
  7. Profa.Anete Abramowicz – UFSCar
  8. Profa. Antônia Vitória Soares Aranha – UFMG/ex-Diretora da F. de Educação da UFMG
  9. Prof. Ascísio dos Reis Pereira  –  UFSM/Presidente da Sedufsm-Andes
  10. Profa. Carla Bianca Angelucci – USP
  11. Prof. Carlos Eduardo Vieira – UFPR/ex-Presidente da SBHE e ex-Editor chefe da RBE
  12. Profa. Carmen Lucia Soares – UNICAMP
  13. Profa. Celi Taffarel – UFAL/UFBA
  14. Profa. Cheron Zanini Moretti – UNISC
  15. Profa. Cintia Borges de Almeida – UESC
  16. Profa. Claudia Cury – UFPB/ex-Secretaria da SBHE
  17. Profa. Cláudia Vianna – USP
  18. Profa. Daniele Silva Rocha – UFSCar
  19. Prof. Daniel Lemos – UFJF
  20. Profa. Daisy Cunha – UFMG/ex-Diretora da Faculdade de Educação da UFMG
  21. Profa. Débora Dainez – UFSCar- Campus Sorocaba
  22. Profa. Denise Medina – UERJ/Gemhat
  23. Profa. Denise Trento – USP
  24. Profa. Denize de Aguiar Xavier Sepulveda – UERJ/FF
  25. Prof. Dermeval Saviani – UNICAMP
  26. Prof. Dileno Dustan Lucas de Souza – UFJF
  27. Profa. Dilza Porto Gonçalves – UFMS
  28. Prof. Edilan S Quaresma – UFOPA
  29. Profa. Fabiana Jardim – USP
  30. Profa. Fabiane Santana Previtali – UFU
  31. Prof. Fabrício Vinhas – UFOP
  32. Profa. Fernanda Mendes Resende – PUC Poços de Caldas
  33. Prof. Guilherme V. T. Prado – UNICAMP
  34. Profa. Helena C. L. de Freitas – UNICAMP
  35. Profa. Ione Ribeiro Valle – UFSC
  36. Prof.  Irlen Antônio Gonçalves – CEET-MG/ex-Vice Diretor do CEFET MG
  37. Profa. Izabella Mendes Sant’Ana – UFSCar
  38. Profa. Jane Paiva – UERJ
  39. Profa. Janete Linz Azevedo – UFPE/ex-Diretora da ANPEd
  40. Prof.  João dos Reis Silva Júnior – UFSCar/ex-Membro do CA-Educação do CNPq
  41. Prof. João Ferreira de Oliveira – UFG/ex-Presidente da ANPAE e ex-Membro do CNE
  42. Prof.  João Nunes – UECE/ex-Presidente do FORPRED/ANPEd.
  43. Prof. Jorge Fernando Hermida – UFPB
  44. Prof.  José Antonio Miranda Sepulveda – UFF
  45. Prof. José Cláudio Sooma Silva- UFRJ
  46. Prof. José Claudinei Lombardi – UNICAMP/Coordenador Executivo do HISTEDBR
  47. Prof.  José Gonçalves Gondra – UERJ/ex-Presidente da SBHE
  48. Profa. Josiane Cerasoli – UNICAMP
  49. Profa. Katia Regina Moreno Caiado  – UFScar campus Sorocaba
  50. Profa. Kimi Tomizaki – USP
  51. Léa Cutz Gaudenzi – TAE MEC
  52. Prof. Luiz Carlos Vieira – Secretário de Imprensa e Divulgação – CNTE
  53. Profa. Lucia Bruno – USP
  54. Profa. Luciana C. S. Coutinho –  UFSCar campus Sorocaba
  55. Profa. Luciana de Almeida Freitas – UFF
  56. Profa. Luciana Maria Lunardi  Campos – UNESP
  57. Prof.  Luciano Mendes de Faria Filho – UFMG/ex-Membro do Conselho Delib. do CNPq
  58. Prof. Luís Antônio Groppo – UNIFAL
  59. Prof. Luiz Bezerra Neto – UFSCar
  60. Prof. Luiz Carlos de Freitas – UNICAMP
  61. Prof. Luiz Carlos Rena – Assessor da Prefeitura Municipal de  Contagem/MG
  62. Prof. Luiz Carlos Vieira – Secretário de Imprensa e Divulgação – CNTE
  63. Profa. Magali Reis –  PUC Minas/Fórum Mineiro de defesa da formação de professores
  64. Prof. Marcelo Silva – UESC
  65. Profa. Marcia Cabral – UERJ
  66. Profa. Marcilaine Soares Inácio – CP/UFMG
  67. Prof. Marco Antônio de Oliveira Gomes – UEM
  68. Prof. Marco Aurélio Máximo Prado – UFMG
  69. Prof. Marcos Francisco Martins – UFSCar campos Sorocaba
  70. Prof. Marcus Vinicius Fonseca – UFOP
  71. Profa. Márcia Aparecida Jacomini – UNIFESP
  72. Profa. Maria Cristina dos Santos – UFSCar
  73. Profa. Maria Cristina Gomes Machado – UEM
  74. Profa. Maria de Fátima Cardoso Gomes – UFMG/ex-Coordenadora do PPGE UFMG
  75. Profa. Maria Isabel de Almeida – USP
  76. Profa. Maria Isabel Moura Nascimento – UEPG
  77. Profa. Maria Lília Imbiriba Sousa Colares – UFOPA
  78. Profa. Maria Stella Brandão Goulart – UFMG/ex-Pres. APUBH Sind. Prof. UFMG
  79. Profa. Maria Zélia Maia Sousa – UFJF
  80. Profa. Marília Carvalho – USP
  81. Profa. Marilsa Miranda de Souza – UNIR-Universidade Federal de Rondônia
  82. Profa. Marta Kohl de Oliveira – USP
  83. Profa. Maurilane de Souza Biccas – USP
  84. Prof. Miguel G. Arroyo – UFMG
  85. Profa. Mirian Jorge Warde – UNIFESP/ex-Coordenadora da Área de Educação na CAPES
  86. Profa. Mônica Isaura – UNIOESTE
  87. Profa. Natália Gil – UFRGS
  88. Profa. Nilda Alves – UERJ/ex-Presidenta da ANPEd
  89. Prof. Newton Duarte – UNESP
  90. Profa. Olinda Maria Noronha – UNICAMP
  91. Profa. Paula Leonardi – UERJ
  92. Profa. Raquel de Almeida Moraes – UNB
  93. Prof. Rodrigo Sarruge Molina – UFES
  94. Profa. Rosângela Gavioli Prieto – USP
  95. Prof. Paulo Rogério Marques Sily – Col. Pedro II/ex-Diretor da ADCPII
  96. Prof. Paulo Romualdo Hernandes – UNIFAL
  97. Prof. Pedro Ganzeli – UNICAMP/ANPAE
  98. Prof. Pedro Luiz Teixeira de Camargo (Peixe) – IFMG/Séc Regional Adjunto da SBPC-MG
  99. Prof. Régis Henrique dos Reis Silva – UNICAMP
  100. Profa. Renata Cabrera – UFMS
  101. Prof. Renato Pinheiro da Costa – UFPA
  102. Prof. Renê Trentin Silveira – UNICAMP/Diretor da FE UNICAMP
  103. Prof. Romildon Martins – PUC Goiás
  104. Profa. Rosa Fátima Chaloba – UNESP/ex-Presidenta da SBHE
  105. Profa. Rosimeire Maria Orlando – UFSCar
  106. Profa. Sandra Escovedo Selles – UFF/ex-Presidenta da SBENBIO e da ABRAPEC
  107. Prof.  Silvio Gallo  – UNICAMP
  108. Profa. Sônia Câmara  –  UERJ/FFP
  109. Profa. Soraya Franzoni Conde – UFSC
  110. Profa. Suzani Cassiani – UFSC/ex- Vice Presidente da ABRAPEC
  111. Prof. Tarcísio Mauro Vago – UFMG/ex-Pró Reitor de Ass. Estudantis da UFMG
  112. Profa. Terciane Ângela Luchese – UCS/Presidenta da SBHE
  113. Profa. Teresa Cristina Rego – USP
  114. Prof. Valter Pomar – UFABC
  115. Profa. Vera Lúcia Nogueira – UEMG
  116. Profa. Viviane de Bona – UFPE
  117. Prof. Wilson Alviano Junior – UFJF
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Na área de educação, começa mal a transição

Estamos todos acompanhando atentamente os primeiros movimentos do governo Lula, centrados nas tarefas de transição. Por falta de articulação, pelo menos na área da educação, reina uma grande desinformação sobre o processo. E quando há desinformação, isso significa que se está fora do processo.

É assim que muitas das entidades de organização de base na área da educação começam a sentir-se: por fora. Um mau início para um governo que, ao longo de quatro anos, necessitará de apoio não só no Congresso, mas na base social.

Que reação esperavam os organizadoras da área temática da educação na transição ao realizarem uma reunião repleta de ongueiros e fundações empresariais? Que reação esperavam da área da educação ao não garantirem a presença das principais entidades da área? E ainda lemos pela imprensa, que Tebet do MDB ou Izolda que até outro dia estava no PDT, ex-secretaria da educação de Sobral – tida como “modelo” para a reforma empresarial na educação – são fortes candidatas a serem indicadas para o Ministério da Educação. Sem contar que movimentos como o Todos pela Educação também estavam presentes na reunião do GT da transição.

Que as negociações teriam que ser amplas, todos sabíamos. Ao escolher Geraldo Alckmin para a vice-presidência, se fez uma opção. No entanto, para deter Bolsonaro, foi preciso compor com a socialdemocracia de centro direita. Mas não se pode apagar a história. Alckmin militou no PSDB, no Estado de São Paulo, um partido que conduziu nos últimos 20 anos uma reforma da educação dentro de princípios empresariais, com pagamento de bônus por atingimento de metas nas escolas, por exemplo, e planejada pelos gurus da reforma empresarial que migraram para o governo Temer e depois para o Conselho Nacional de Educação durante o governo Bolsonaro – sem ter nunca tirado os pés de organizações financiadas por empresários. E imagino que estão ávidos para voltar a ter espaço no MEC.

Uma aliança ampla, no entanto, foi necessária e não significa que deixamos de reconhecer que os resultados de uma eleição apertada como a que tivemos, atestam a correção da montagem desta frente ampla.

Isso posto, também não significa que as forças mais à esquerda devam deixar de ser incorporadas ao debate ou deixar de apresentar sua visão programática para o governo, aceitando antecipadamente o predomínio de forças de centro direita. Nem significa que não tenham acesso direto ao debate, tendo que valer-se de terceiros para fazer chegar suas propostas. Se estamos em uma frente ampla, que as negociações sejam, então, amplas. Mas para isso, todas as partes devem sentar-se à mesa. Não basta divulgar um comunicado dizendo que foi uma reunião com posições divergentes, com o objetivo de passar uma imagem plural que teria contemplado todas as visões.

Está na hora das entidades educacionais representativas reivindiquem canal direto na transição e façam valer o carater de frente ampla deste governo que se inicia.

Hoje, Rodrigo Ratier, divulga em seu blog um post denominado: “Na educação, barco da transição de Lula deriva para a direita empresarial”. Não há como contestá-lo. Como ele diz, a respeito de uma reunião do Grupo de Trabalho ocorrida, junto com colaboradores “voluntários”:

“Três players – Itau/Unibanco, Natura e o empresário Jorge Paulo Lemann, segundo homem mais rico do Brasil, financiam no todo ou em parte instituições que emplacaram 18 dos 46 nomes divulgados. Algumas, como Fundação Lemann, Todos pela Educação e a minúscula Profissão Docente, possuem mais de um representante no GT.”

Leia mais aqui.

Por mais que seja um primeiro movimento que será seguido por outros, o fato é que não se viu ali o presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação ou de outras entidades educacionais como a ANPED, ANPAE, ANFOPE, para citar algumas.

Minha conclusão é a mesma de Ratier: “começa mal a transição”. Mas ainda há como corrigir.

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“Fora das imagens há salvação?”

Fora das imagens há salvação? indaga Lucas Estevez:

“Nesse contexto, a imagem enquanto medium se tornou um fim em si mesmo, já que é capaz de substituir o real em autenticidade: é mais tangível que aquilo que supostamente representa e exibe. Para chegarmos a esse estado de coisas, foi necessário um longo movimento tectônico de destituição do artístico de sua especificidade e da perda ambígua e contraditória de sua autonomia frente às pressões da indústria cultural e do entretenimento. Assim, essas linhas de caráter ensaístico e não-exaustivo são movidas pelo ímpeto de colocar em debate, sob uma constelação específica de pensadores, como as imagens edulcoradas que circulam em nosso meio, também superficiais e estruturadas a partir de clichês, não só alteram a representação do mundo, mas o próprio significado e sentido do mundo. Em suma, estaríamos perante a questão de como a “sociedade da imagem”, tão cara ao debate pós-moderno, tornou o estético mais atraente que o próprio real, este carente de sentido e tomado pelo sofrimento social.”

Leia em A Terra é Redonda, aqui.

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Qual agenda para qual democracia?

Disponibilizo texto baseado em minha fala na sessão de encerramento do XIII Seminário Nacional da ANFOPE no dia 28 de setembro de 2022.

Baixe aqui.

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Eleições 22: relembrando compromissos para a Educação

O plano de governo de Lula não terá uma versão final antes das eleições. Esperava por esta versão final para poder comentá-la. Na ausência dela, vale relembrar nossos compromissos e expectativas.

Baixe aqui o texto do compromisso “Todos pela Escola Pública”.

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Sara Oliveira: a educação na Terceira Via inglesa

Sara Badra Oliveira publica artigo indispensável para a compreensão das políticas educacionais originárias da terceira via inglesa. Em tempos de cerco autoritário que joga a esquerda para o centro, é extremamente oportuno um olhar crítico para estas políticas que enfatizavam, na versão Tony Blair:

“1. Inclusão no currículo da necessidade de combater a discriminação, valorizar a diversidade cultural, cuidar do bem-estar emocional dos alunos e formar, além de trabalhadores qualificados, cidadãos críticos e respeitosos; 2. Redistribuição de recursos para áreas socialmente vulneráveis; 3. Fortalecimento da democracia com participação das famílias e comunidades em processos estratégicos de tomada de decisão”.

Resumo: “O artigo apresenta a análise realizada por Sharon Gewirtz das políticas educacionais da Terceira Via inglesa a partir de um referencial de justiça social construído por ela em diálogo com as obras de Nancy Fraser e Iris Young. Nove obras da autora inglesa produzidas ao longo de uma década, entre os anos de 1995 e 2006, foram sistematizadas em quatro partes: a primeira situa Sharon Gewirtz no campo crítico de análise das políticas públicas; a segunda expõe o referencial de justiça social baseado nas duas autoras norte-americanas; a terceira apresenta as políticas educacionais da Terceira Via inglesa; a quarta demonstra como o referencial de justiça social escolhido por Gewirtz é capaz de sustentar uma análise crítica e integrada das características, sujeitos e consequências das reformas gerenciais. Por fim, o artigo expõe algumas críticas elaboradas a estas reformas no contexto brasileiro e defende a potencialidade de uso do conceito de justiça social como parâmetro ético valorativo para análise das políticas educacionais brasileiras.”

Acesse o artigo aqui.

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Stiglitz e a farsa da meritocracia

Joseph Stiglitz é um liberal que tem tomado como objeto de estudo a “desigualdade social”. Prêmio Nobel de Economia, em seu livro “El precio de la desigualdade: 1% da população têm o que os 99% precisam” põe a nu a mentira da meritocracia e da teoria do esforço pessoal:

“90% dos que nascem pobres morrem pobres por mais esforço ou mérito que façam, enquanto que 90% dos que nascem ricos morrem ricos, independentemente de que façam ou não mérito.”

Acesse aquí a entrevista.

A meritocracia é a maneira pela qual a classe dominante tenta convencer os pobres de que os ricos são ricos porque reuniram mérito através do esforço pessoal, do empreendedorismo. Os ricos convidam os pobres a disputar com eles, a serem empreendedores, desde seu lugar seguro e privilegiado, sabendo que os pobres jamais reunirão as condições que eles têm para competir. A meritocracia é um jogo de cartas marcadas.

Veja também Sandel.

Veja também Markovits.

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Sordi: Avaliação Institucional Participativa

A obra “Desafiando a hegemonia do campo da avaliação da qualidade das escolas: a avaliação institucional participativa como estratégia”, um e-book de acesso gratuito organizado por Mara Regina Lemes de Sordi, é uma relevante contribuição para mostrar que outra forma de se avaliar as escolas, mais efetiva, ampla e democrática, está disponível – desde que se queira acreditar na força coletiva dos que conduzem o dia-a-dia das escolas. Com larga dedicação ao estudo e desenvolvimento da AIP no grupo de pesquisa LOED, da Faculdade de Educação da UNICAMP, Mara é uma das profissionais mais experientes nesta área.

Com o fracasso das políticas neoliberais centradas nos testes padronizados e no controle externo que afasta os autores da escola de seu próprio processo de crescimento e desenvolvimento, a AIP propõe um diálogo que, pautado na investigação da realidade da escola e para além das avaliações externas, congrega o magistério, gestores locais e da rede, estudantes, funcionários e pais, em função de objetivos de melhoria a serem perseguidos e acordados multilateralmente.

“Esta obra nasce orientada por duas intencionalidades. A inicial é o compromisso de subsidiar profissionais atuantes nas redes públicas de ensino para se fortalecerem como atores indispensáveis para que a avaliação da qualidade da escola possa ser exercida de modo responsável, proativo e em diálogo não subalterno com as políticas de avaliação externa. Estas buscam induzir, nas escolas, referenciais de qualidade reducionistas e pragmáticos, esquivando-se de assumir sua responsabilidade com uma formação humana, abrangente e implicada com a justiça social. Insere-se aí o desejo de dar visibilidade aos princípios e processos da Avaliação Institucional Participativa (AIP) para que possam alavancar o trabalho nas escolas das redes públicas de ensino, tornando-os inteligíveis e exequíveis.

A segunda intencionalidade é a de compartilhar as reflexões da tese de livre docência que defendemos em 2018 na Faculdade de Educação, junto ao Departamento de Estudos e Práticas Culturais (DEPRAC) e à disciplina de Avaliação. A tese coroa um trabalho desenvolvido no e pelos pesquisadores do Laboratório de Observação e Estudos Descritivos (LOED) desde 2002. Registra resultados concretos de investigações orientadas para a avaliação da qualidade da escola pública, tomando a rede municipal de Campinas como cenário de implementação de uma política de governo que assumiu como um de seus pilares a Avaliação Institucional Participativa (AIP).”

Acesse o e-book aqui.

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Krawczyk e Zan: A reforma do Ensino Médio

O livro procura socializar os primeiros resultados da pesquisa, intitulada A Reforma do Ensino Médio em São Paulo, realizada como parte da pesquisa da Rede Nacional EMpesquisa, coordenada pela professora Mônica Ribeiro (UFPR), que tem como objetivo acompanhar o processo de implementação da reforma do Ensino Médio nos diferentes estados do Brasil. Nora Krawczyk e Dirce Zan, do grupo EMpesquisa-SP, disponibilizam em e-book de livre acesso os resultados dos primeiros dois anos de uma pesquisa sobre a reforma do ensino médio no estado.

Acesse o e-book aqui.

“O livro organizado por Nora Krawczyk e Dirce Zan é parte de um esforço mais amplo em âmbito nacional da análise da implantação da Reforma do Ensino Médio no Brasil consolidada pela Lei nº 13415/2017. Lei esta que nos primeiros meses do golpe de Estado de 2016 inaugurou o conjunto de contrarreformas que retomam, com maior virulência, o ataque à esfera pública sob ideário neoliberal da década de 1990. No conjunto do esforço coletivo para analisar o processo de sua aplicação em âmbito nacional esta publicação tem um sentido singular por duas razões básicas. Primeiro, por se tratar do maior Estado da Federação. Segundo, porque o núcleo de formuladores desta contrarreforma foi o mesmo que orientou as políticas neoliberais na educação ao longo dos oito anos da gestão do ex Ministro da Educação Paulo Renato de Souza.”

Gaudêncio Frigotto

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INEP: cai mais um

Em rotina que se estabeleceu ao longo dos últimos 4 anos, caiu mais um presidente do INEP, órgão responsável pelas avaliações nacionais da educação e do Plano Nacional de Educação. É o quinto a sair do cargo, todos improvisados e sem conhecimento técnico. Pelo menos desta vez, foi nomeado – ainda que interinamente – um conhecedor das atividades do órgão e um funcionário de carreira: Carlos Moreno.

Veja aqui.

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Defensores da escola pública americana alertam

Primeiro o movimento privatista defende a “reforma” da escola que envolve a introdução de lógicas privatistas na escola pública e ainda a ampliação do mercado educacional que visa competir com a escola pública. Isso inclui a transferência de escolas públicas para organizações privadas (com ou sem fins lucrativos) principalmente em área de pobreza, como vemos agora as tentativas em curso no município de São Paulo e em outros. A desculpa é que estão preocupados com as criancinhas pobres.

Depois ele defende a “escolha da escola pelos pais” ancorado na ideia de que as crianças pobres que frequentam escolas públicas e têm notas baixas são produtos de professores e escolas ineficientes e têm o direito de poder ter uma boa escola privada que as retire da dependência destas.

Em seguida eles passam a defender que esta “escolha” deve ser ampliada para todos os estudantes sejam eles ricos ou pobres.

Finalmente, aparece sua real bandeira: eliminar as escolas públicas – tese defendida pelos neoliberais e apoiada pelos conservadores, pois permite para os primeiros, transferir recursos públicos para a iniciativa privada através de vouchers dados aos pais (porto seguro para o “mercado”) e para os segundos, transferir recursos públicos para as escolas religiosas via vouchers através dos pais (porto seguro do “escola sem partido”) – cada um com seu projeto de sociedade.

Oficializa-se, assim, a estratificação da qualidade da educação como regra, cujo acesso à qualidade é determinado por quanto dinheiro os pais carregam no bolso, já que vouchers sozinhos não cobrem o custo de boas escolas privadas e os pais são obrigados a complementar o valor da matrícula ou contentar-se com a que pode pagar. Ao debilitar, primeiro, e depois, extinguir a escola pública, os pais não podem mais voltar para boas escolas públicas ou sequer lutar pela contínua melhoria destas, ficando condenados às más escolas privadas que seu voucher podem pagar. Esta é a história dos pais chilenos que caíram no “conto” da “boa escola privada” paga com vouchers.

A estratégia revela, ao final, que, desde o início, nunca se tratou de “melhorar” a escola pública, mas sim de eliminá-la.

O avanço da privatização americana e seus passos é contado pelo Blog Curmudgucation.

“Estamos vendo uma escalada nas metas de discussão da política educacional, da reforma à privatização e, agora, à destruição da educação pública.”

Leia aqui.

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F. Cássio analisa a reforma do ensino médio

“Escolha de itinerários muito limitada, falta de professores e expansão de carga horária baseada no ensino à distância. Essas são algumas das conclusões do estudo sobre a implementação da reforma do ensino médio no estado de São Paulo produzido pela Rede Escola Pública e Universidade (Repu). A análise dos dados demonstra que o chamado Novo ensino médio causa retrocesso e aumenta as desigualdades escolares.”

Assista aqui.

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Tutores: a “grande” reconversão

Os tutores são a próxima “grande coisa” diz Nancy Bailey que analisa o porquê e quem está torcendo por eles. Em meio à crise de falta de professores, os estados americanos correm para trocar professores por “tutores”: ao invés de melhorar as condições e elevar a profissão docente.”

E claro, a moda já está sendo copiada por aqui.

A introdução dos tutores visa “cumprir o objetivo de longa data de acabar com os professores profissionais e migrar os estudantes para os computadores. Por favor, não argumente que os tutores são essenciais ou que eles apoiam os professores. A transformação de professor para tutor/técnico é um esforço conjunto para remover os professores da sala de aula. Pouco se fala sobre em como atrair professores.”

Leia a íntegra aqui

Por aqui, as bases nacionais curriculares, para o estudante e para o magistério, já estão fazendo a primeira tarefa, ou seja, a simplificação do que será ensinado, reduzindo o conteúdo a competências e habilidades; a introdução destas em plataformas de aprendizagem on line deverá completar a tarefa transformando o magistério em tutoria e o estudante irá parar na frente da tela do computador, “assistido” por um tutor. As avaliações “embarcadas” nos softwares vão se somar às de larga escala e fechar o cerco sobre a escola. Chamam isso de “inovação”, mas é uma disputa pelo controle da escola.

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Carta da CONAPE 22

A Conferência Nacional Popular de Educação terminou sua reunião com a divulgação de uma Carta, bem como com o cronograma de divulgação de seu documento final. O texto reúne as principais medidas necessárias para iniciar um processo de reconstrução da educação nacional. Entre elas está a recusa a todas as formas de privatização da educação.

Baixe a Carta aqui.

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Homeschooling: o perigo está ao lado

O ensino domiciliar é um instrumento do liberalismo libertariano que prega o individualismo radical e a autonomia em relação ao Estado – de preferência, sem a própria existência deste. A máxima é “minha casa, minhas regras”. É o domínio total da criança pelos pais, sem que ninguém deva interferir. A ideia é “proteger a criança da cultura do mal”, mas em muitos casos, o perigo não vem de fora, mas está ao lado. Sabe-se, pelas experiências de outros países, no que vai dar e uma reportagem do UOL mostra para onde estamos indo.

“Treinamento oferecido pelo maior grupo de promoção da educação domiciliar (homeschooling) no Brasil encoraja pais a bater em suas crianças “calma e pacientemente” como forma de educar, revela uma investigação da Agência Pública e da openDemocracy. Livros, sites e vídeos consultados pela reportagem dão dicas aos pais de como bater em crianças e contornar a lei — evitando lesões graves, marcas visíveis e humilhação pública. Materiais também afirmam que pais que não castigam os filhos com a “vara” não amam a Deus ou aos seus filhos.”

Leia reportagem completa aqui.

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“Produzindo” a qualidade

Diane Ravitch comenta estudo de Gary Rubinstein que revisou dados de avaliações estaduais de desempenho da cadeia de terceirizadas conhecida por Sucess Academy de Eva Moskowitz. Ela tem sido amplamente aclamada por suas altas pontuações nos testes, no entanto, sua taxa de exclusão é igualmente alta. Como é sabido, se você exclui os alunos de pontuação mais baixa, as médias tendem a subir. Eis um dos segredos das notas mais altas em terceirizadas.

Diz o autor: “quando comparo o número de alunos do jardim de infância que entraram na escola com o número de alunos na 12ª série, que se formam 13 anos depois, elas perdem aproximadamente 75% de seus alunos ao longo dos 13 anos”.

Leia íntegra aqui.

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Convertendo escolas públicas em terceirizadas

Há muito tempo estamos copiando as ideias fracassadas da reforma empresarial na educação, alardeadas a partir de supostas evidências empíricas.

Michael Deshotels dá uma boa visão do que foi e é, atualmente, o desastre da conversão de escolas públicas em terceirizadas em New Orleans nos Estados Unidos. Tudo começou com a “oportunidade” de privatizar as escolas da Florida quando ocorreu o furação Katrina que destruiu a infraestrutura escolar da cidade de New Orleans.  Conta Deshotels:

“Em 2005, quando o furacão Katrina destruiu fisicamente grande parte do sistema escolar público de Orleans, a legislatura da Louisiana aprovou uma lei permitindo que o Departamento de Educação do Estado assumisse aproximadamente três quartos das escolas públicas de Nova Orleans. De acordo com a nova lei estadual, a transferência das escolas (somente em Nova Orleans) [para o Estado de Louisiana] tornou-se automática para qualquer escola que produzisse menos do que a pontuação média estadual nos testes estaduais. Qualquer escola desse tipo foi declarada arbitrariamente como uma escola falida que precisava ser assumida.”

E então, o Departamento Estadual de Educação, em medida complementar, foi autorizado a converter estas escolas de New Orleans em terceirizadas, administradas por organizações de gestão privadas.

Este processo resultou na demissão de “7.000 professores e funcionários experientes como forma de limpar a casa e permitir aos novos gerentes um novo começo, sem impedimentos de contratos anteriores com professores. “

Com isso, a toque de caixa, professores experientes foram substituídos por professores inexperientes, em geral, fornecidos pela Teach for America, uma organização privada que prepara professores improvisados.

Como conta Deshotels:

“A comunidade empresarial de Nova Orleans e as autoridades estaduais acreditavam que uma abordagem estritamente empresarial focada principalmente em resultados acadêmicos era o remédio de que as escolas públicas de Nova Orleans precisavam. Agora, nos últimos 16 anos, quase todas as escolas públicas de Nova Orleans foram convertidas em escolas charter. Atualmente, é basicamente o único sistema escolar totalmente terceirizado nos Estados Unidos.”

O autor analisa os dados do relatório Pelican Policy Institute e que produziu um estudo que compara os dados mais recentes de todos os sistemas de escolas públicas da Louisiana.

As evidências indicam que o “sistema de terceirização de Nova Orleans está no quartil inferior de todos os sistemas de escolas públicas do estado.”  E continua: “o novo painel revela que para as quatro disciplinas acadêmicas de matemática, leitura, ciências e estudos sociais, apenas 18% de todos os alunos de escolas públicas de Nova Orleans agora são classificados como proficientes ou melhores. Nas matérias-chave de matemática e leitura, Orleans tem um desempenho no percentil 24 em comparação com todos os outros sistemas escolares estaduais. Isso é aproximadamente o mesmo que o sistema escolar de New Orleans tinha antes do Katrina!”

Este é o resultado de uma das maiores privatizações realizadas pelo ideário da reforma empresarial da educação e que agora quer ser copiado na Prefeitura Municipal de São Paulo.

Acesse aqui, em inglês, o texto integral do autor.

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As barreiras que o capital coloca para si

Eleutério Prado escreve em seu blog sobre os limites do capital e suas manifestações:

“Como se sabe, Marx escreveu e está guardado no Livro III de O capital: “A verdadeira barreira da produção capitalista é o próprio capital (…). A produção capitalista procura constantemente superar essas barreiras que lhe são imanentes, mas só as supera por meios que lhe antepõem novamente essas barreiras e em escala mais poderosa”. Ora, essa tese vale apenas para a fase progressista do capitalismo que terminou no penúltimo quartel do século XX. Na fase regressiva em que entrou desde então, a produção capitalista cria barreiras que não pode superar mesmo acelerando a predação da natureza e da força de trabalho. O desgoverno Temer/Bolsonaro é apenas uma expressão no plano político da destrutividade atual de relação de capital que poderá ser minorada, mas não superada.”

Leia a íntegra aqui.

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