Política sem evidência empírica

Postado originalmente na Uol em 29/02/2012

Fazer política com evidência empírica não garante muita coisa, mas fazê-la contrariando as evidências empíricas é malgastar dinheiro público com certeza. É o que diz o próprio Prefeito de Nova York chegado na receita do autor da matéria abaixo. O artigo é um modelo típico de como se faz politica pública no Brasil. Sem nenhuma responsabilidade por revelar suas fontes, o autor (veja aqui quem é) vai recomendando ações de política – algumas contrárias até às evidências empíricas disponíveis.

O ponto alto é quando ele diz que “Sindicatos de professores país afora ainda gritam contra a ideia de que o desempenho estudantil pode sim ser medido e diretamente correlacionado à efetiva atuação do professor em sala de aula, com recompensa para os que têm melhor performance. Isso foi feito nos países que trataram a educação com seriedade.”

Mas igualmente poder-se-ía dizer que não foi feito por países igualmente sérios como a Finlândia e que – ao contrário de alguns sérios que estão na média do Pisa – está no topo do Pisa. Sem contar o relatório da National Academy of Sciences que não aponta melhora significativa nos desempenhos dos alunos a partir da recompensa ao professor e, sem contar que os cálculos de valor agregado que permitem definir as recompensas também apresentam instabilidades inúmeras.

Tudo isto está publicado. Mas o nosso articulista – e a mídia permite – desconhece tudo isso e afirma categoricamente sua receita. O próprio Estado de SP pioneiro nestas tolices não obteve os resultados esperados. Fazer o que? É um argumento de autoridade, de autoridade ideológica. Não tem nada a ver com ciência.

Educação: as mudanças de que o Brasil precisa

Por Erik Camarano

Gazeta do Povo, 28/02/2012 – Curitiba PR

O cenário exige soluções inovadoras, metas claramente   definidas e um choque na gestão educacional, com engajamento direto da sociedade

(…)  Solucionar a segunda parte da agenda de reformas é mais complicado. Em   primeiro lugar, é preciso derrubar o mito da avaliação externa independente e  da relação entre desempenho escolar e remuneração dos docentes. Sindicatos de   professores país afora ainda gritam contra a ideia de que o desempenho   estudantil pode sim ser medido e diretamente correlacionado à efetiva atuação do professor em sala de aula, com recompensa para os que têm melhor performance. Isso foi feito nos países que trataram a educação com seriedade.  

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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