Escolas Charters: a bola da vez?

Postado originalmente na Uol em 30/07/2011

Um “resumo comentado” do estudo de Hoxby sobre as escolas charter da cidade de Nova York

por Matthew DiCarlo

8 de julho de 2011

Há quase dois anos, um relatório sobre as escolas charters da cidade de New York abalou o mundo da política educacional. Foi escrito pela pesquisadora Caroline Hoxby da Hoover Institution com Murarka Sonali e Kang Jenny, co-autores. Sua descoberta principal foi que: em média, um aluno que frequentou uma escola charter em todas as séries do jardim de infância por oito anos, vai fechar cerca de 86 por cento da “diferença de desempenho Scarsdale-Harlem” [a diferença de pontuação entre os alunos do Harlem e os do bairro rico de NYC] em matemática e 66 por cento da diferença no desempenho em Inglês.

A conclusão transformada em manchete foi acriticamente repetida pela maioria dos canais de notícias, incluindo o New York Post, que chamou o efeito charter de “fora dos planos”, e o NY Daily News, que anunciou que, daquele dia em diante, aqueles que se opusessem às escolas charters estariam “lutando para impedir que milhares de crianças tivessem uma melhor educação”.

 Uma ou duas semanas mais tarde, o prefeito Michael Bloomberg citou especificamente o estudo ao anunciar que ele estava procurando expandir o número de escolas charters na cidade de Nova York.  Ainda hoje, o relatório é frequentemente citado como evidência primária que atesta a eficácia das escolas charters.

Gostaria de revisitar este estudo, mas não como um meio para reforçar o debate “as escolas charters funcionam?”. Na verdade, eu já argumentei antes que nós gastamos muito tempo debatendo se charters schools “funcionam”, e muito pouco tempo perguntando por que algumas poucas são bem sucedidas. Em vez disso, meu objetivo é ilustrar uma máxima importante da pesquisa: mesmo análises bem concebidas e  sofisticadas, com importantes conclusões, podem estar comprometidas por uma apresentação enganosa dos resultados.

Resumo rápido do estudo: Como a maioria das escolas charters de NYC estão “superlotadas”, elas têm uma admissão baseada em sorteio. Simplificando, Hoxby e co-autores são capazes de explorar esse processo de seleção aleatória para comparar alunos “selecionados por sorteio” que freqüentam escolas charters com aqueles de escolas que não o fazem. Este procedimento pode ser responsável por muitas das diferenças entre os alunos (especialmente efeitos de seleção) que podem influenciar os resultados do desempenho dos alunos.

Em uma revisão do estudo feita pelo NEPC, o economista Sean Reardon observou duas graves questões metodológicas no planejamento da pesquisa de Hoxby. Eu não vou entrar em detalhes técnicos, mas a principal se resume ao fato de que os alunos são “selecionados por sorteio” nas escolas charters, apenas uma vez, ao invés de a cada ano. Mas, desde que o modelo Hoxby “segue” os alunos das escolas charters durante todos os anos depois que eles foram designados para suas escolas (mais especificamente, o modelo utiliza as notas prévia de desempenho dos alunos como co-variável), isso atua como um “diluidor” da vantagem da atribuição aleatória inicial – e provavelmente significa que o modelo Hoxby exagera os efeitos das escolas charters da quarta até a oitava série. Reardon também observa a dificuldade de Hoxby para levar em conta o erro de medição na pontuação prévia nos testes dos estudantes o que também pode ter efeitos tendenciosos na elevação observada nas escolas charter.

Leia mais em inglês em:

http://nepc.colorado.edu/blog/%E2%80%98summary-opinion%E2%80%99-hoxby-nyc-charter-school-study

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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