Charters: trabalhando com a “nata”

Há tempos que se sabe que as escolas charters americanas retiram das escolas públicas, por variadas formas, as crianças mais capazes e motivadas, e nem por isso conseguem provar que são melhores que aquelas. Mas, vez por outra, alguém tenta salvar as charters, normalmente institutos privados com financiamento delas mesmas.

Um novo estudo do Instituto Manhattan tenta mostrar que as charters da Cidade de Nova York, quando comparadas a escolas públicas seletivas mas que não são charters, não são diferentes quanto ao desempenho em leitura, mas são significativamente melhores em matemática. Com isso, tenta-se dizer que as charters são boas e que não devem isso ao fato de selecionarem os melhores alunos das públicas, pois ao serem comparadas com alunos de características semelhantes (nas públicas seletivas e nas charters) elas se saem melhores.

O estudo, porém, não passa no crivo metodológico do NEPC. Diz a revisora:

“Embora esta conclusão possa parecer lógica, S. Cordes observa que o relatório sofre de duas falhas primárias. Em primeiro lugar, presume-se que os candidatos escolares seletivos são de maior desempenho e mais motivados do que os requerentes de escolas charter. Esta é uma suposição infundada porque todos os estudantes têm que candidatar-se às escolas secundárias tradicionais em NYC, enquanto que candidatar-se a uma escola charters exige percorrer um processo adicional. Em segundo lugar, o relatório baseia-se em um único ano de dados para fazer comparações de resultados inadequados que não capturam o crescimento individual dos alunos – uma abordagem que não se refere à questão do estudo (seleção dos melhores pelas charters) ou do sucesso da escola charter.”

A conclusão é que abordar a questão exigirá o uso de dados longitudinais no nível dos estudantes e métodos muito mais rigorosos.

Baixe aqui a avaliação do NEP.

Baixe aqui o estudo do Instituto Manhattan.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Privatização, Segregação/exclusão e marcado , , . Guardar link permanente.

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