Aprender com os outros

“Eu me preocupo com o futuro da nossa sociedade [americana] quando vejo que a política educacional está sendo moldada por pessoas que não sabem nada – nada – sobre educação. Elas nunca ensinaram em uma escola. Elas nunca estudaram educação. Elas não sabem nada sobre a pesquisa. Elas são ignorantes da história, política e economia da educação. No entanto, elas sentem que sua posição de celebridade (big name) as capacita para influenciar as decisões legislativas e judiciais sobre as condições de trabalho nas escolas.

Elas fazem pronunciamentos sobre “maus professores” sem indicação de que eles saibam algo sobre qualquer professor. Vamos enfrentá-las: Se você é uma estrela de Hollywood ou um advogado de renome mundial, quantos professores são susceptíveis de existirem em seu círculo social? Quantas horas você acha que as celebridades passaram como voluntárias em suas escolas públicas locais? Será que eles sabem do que estão falando?

Imagine um talk show de televisão convidando celebridades para falarem sobre como tratar pacientes que têm certas doenças. Você não deve saber algo sobre um assunto antes de apresentar-se na televisão nacional como qualificado para comentá-lo? Os talk shows televisivos de hoje são os nossos grandes equalizadores sociais: aqueles com experiência genuína terão o mesmo tempo que aqueles que são totalmente ignorantes. O que a Britney Spears pensa sobre a estabilidade [no cargo]? George Clooney? Kim Kardashian? Beyonce? Outras nações deixam estas questões para os educadores, mas nós não!”

Diane Ravitch

Nos Estados Unidos, Bill Gates determina a política do Departamento de Educação juntamente com um punhado de fundações de grandes empresários nacionais. Eles fazem doações às escolas e aos estados e moldam a política educacional.

Existem os que operam mais ideologicamente, financiando, e existem os que faturam na esteira dos doadores, avançando para o erário público transformando a atividade educativa em um grande mercado. Ambos desenvolvem um “staff” de confiança para ocupar postos em lugares estratégicos da definição das políticas – incluindo celebridades na mídia.

Uma das ferramentas para isto, é a meritocracia dos ranqueamentos. Uma vez implementada, ela se torna a forma mais eficaz de destruir a escola pública, submetê-la à execração pública, envergonhar professores e escolas, e abrir mercado para a iniciativa privada.

Nos Estados Unidos este mapa já pode ser observado claramente e ele termina em Wall Street. É para lá que vão os re$ultado$, não para as escolas.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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