Se em São Paulo as coisas não parecem ir bem com a nomeação do futuro Secretário de Educação do Estado, como mostramos em post anterior, no plano federal também não. Em São Paulo o governador oscila entre uma representante do setor empresarial na pasta, Valeria Souza e o atual presidente do FDE, Barjas Negri. No plano federal, os rumores da indicação de Cid Gomes voltaram a circular com força maior.
Cid Gomes cumpre com rigor instruções de sua futura Chefe. Dilma detesta que suas decisões sejam antecipadas publicamente. Ciro cumpre rigorosamente com isso despistando sua provável ida para o Ministério da Educação com uma possível viagem ao exterior para assumir posto no BID.
Seu nome vem sendo cogitado para o Ministério há algum tempo. Prestou serviços inestimáveis nas últimas eleições saindo do PSB quando este se retirou da base aliada do governo Dilma para lançar Eduardo Campos. Além disso, viabilizou um petista no governo do Ceará como seu sucessor.
O namoro é antigo e até o Programa de Alfabetização na Idade Certo gestado no governo de Cid Gomes já foi copiado pelo Ministério da Educação. Só não foi igual porque o pessoal do Ministério abriu uma negociação com pesquisadores de Pernambuco que procuraram fazer algo diferente.
Cid, como Ciro, é pessoa de fala direta. Em 2011, na greve dos professores estaduais do Cerará, disse:
“Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado”. “Quem está atrás de riqueza, de dinheiro, deve procurar outro setor e não a vida pública”.
O Estado do Ceará é um dos que não pagam o piso nacional aos professores.
Para despistar sua possível ida para o Ministério, Cid tem usado a desculpa da viagem ao exterior – segundo ele, “um plano pessoal e da família” – para assumir posição no Banco Interamericano de Desenvolvimento nos Estados Unidos por um ano. No início de dezembro declarou:
“Em entrevista ao O POVO, Cid reafirmou que, para o próximo ano, seu projeto “pessoal e familiar” é ir morar nos Estados Unidos. Apesar disso, o governador não descartava “colocar o País acima de qualquer interesse pessoal”.
Mas, quinze dias depois dessa declaração, a partir do dia 17 de dezembro, os rumores voltaram com mais força.
“O governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), aceitou ontem o convite para ser ministro da Educação. Ele esteve no Palácio do Planalto para conversar com a presidente Dilma Rousseff, mas ela já tinha viajado à Argentina. Cid desistiu de assumir um posto de consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington. Trazer o cearense para a Esplanada era um desejo antigo da presidente Dilma. O Programa Alfabetização na Idade Certa, do governo federal, foi inspirado em projeto semelhante implantado pelo governo do Ceará durante a gestão do futuro ministro da Educação.”
Neste último sábado (20-12) a informação circula de forma mais assertiva:
“Pelo menos dois aliados próximos de Cid Gomes (Pros) afirmaram ontem que o governador deverá ser anunciado ministro da Educação por Dilma Rousseff (PT) na próxima segunda-feira. “Pode escrever. Eu lhe garanto, Cid vai ser chamado e ele vai aceitar”, disse, bastante confiante, uma das fontes. Pedindo para não ser identificado, ele diz que Cid ainda não recebeu convite oficial, mas que já vem sendo “sondado” pelo governo.”
E se não fosse verdade que Cid Gomes está próximo a ser convidado para o Ministério, não seria necessário que o PT do Ceará estivesse fazendo até agora campanha para que ele não seja indicado, como mostra a nota abaixo:
“FORA CID: Se depender de Luizianne Lins (PT), Cid Gomes (Pros) não assumirá o Ministério da Educação. Segundo a deputada federal diplomada, há uma campanha no PT cearense para que “esse rapaz não vá para o governo Dilma”.”
Tudo indica que na próxima semana teremos novidade.
Chama a atenção, no entanto, o silêncio das entidades educacionais ante uma possível indicação de Cid Gomes.
Em novembro, na Conferência Nacional de Educação, Dilma passou por lá. Nem uma palavra sobre Cid foi manifestada à presidenta. Um manifesto foi entregue, mas o tema não foi colocado em pauta.
Fora da CONAE, as entidades mantêm silêncio. Ou seja, Cid só não será indicado se não quiser ou se outro Ministério lhe interessar mais. Custa crer que Cid trocaria quatro anos no Ministério da Educação com um orçamento privilegiado, por uma ida de um ano ao BID. Depois o que faria para se manter em evidência na política?
A indicação de Cid Gomes é um retrocesso! Obrigado professor Luiz por nos lembrar dessas infelizes falas desse péssimo Gestor.
Esse é o rumo da educação no Brasil do neoliberalismo e das privatizações, mesmo sendo sabedores de que essa política publica de educação não dá certo eles insistem em levar adiante a ideologia burguesa, e o que é pior, um partido que tem como principio em sua cartilha o socialismo.
Concordo [mais uma vez] com você, as instituições da área educacional não se pronunciam/mobilizam/fazemqualquersinaldefumaça para indicar algum nome relevante da área educacional e afinado com o PTquequeremosnogoverno. Já sugeri o seu, o prof. Jose Clovis de Azevedo, Gaudêncio Frigotto, enfim, mas recebo um olhar de pastel esfriado, penso que nos auto deglutimos em ego e pouco conseguimos articular uma proposta comum.