USA: lógica de mercado não melhora educação

Uma das formas de privatização da educação é a adoção de vouchers destinados aos pais os quais escolhem em qual escola querem matricular seus filhos. A filosofia do sistema é que os vouchers criariam uma competição entre as escolas para receber o dinheiro dado aos pais e com isso a qualidade da educação melhoraria.

Periodicamente, relatórios são emitidos tentando mostrar a eficácia desta ideia. Ontem mais dois relatórios que tentavam mostrar os benefícios da “competição” foram derrubados pelo National Education Policy Center.

Metade de um elogio para dois relatórios

BOULDER, CO (05 janeiro de 2015) – Uma dupla recente de relatórios que defendem a escolha da escola pelos pais (vouchers) para melhorar os resultados educacionais diferem em sua utilidade relativa, mas ambos ficam aquém devido a sua fé sem fundamento nas forças de mercado para efetivamente melhorar o ensino público, de acordo com uma nova avaliação divulgada hoje.

Erin McNamara Horvat e David Everington Baugh co-autores da análise examinaram os relatórios do American Enterprise Institute e da Connecticut Coalition for Achievement Now ou ConnCAN. O Dr. Horvat é professor adjunto de Educação Urbana da Universidade Temple e estuda questões de acesso, equidade e envolvimento da família. O Dr. Baugh é superintendente de um distrito escolar que avaliou inúmeras solicitações para abertura e continuidade de escolas charters, enquanto líder de um distrito diverso e de tamanho moderado no subúrbio de Filadélfia.

O relatório ConnCAN chamado “A crise que podemos resolver: Escolas de Connecticut que fracassam e seu impacto”, baseia-se principalmente em evidência anedótica para apoiar suas crenças na escolha da escola como solução para os problemas que ele identifica no sistema público de ensino do Estado. “É apenas um documento de advocacia pró-escolha e é, portanto, de pouco valor para assuntos de reforma política sérios ou pesquisadores acadêmicos”, escrevem os revisores.

O relatório da AEI chamado “Melhores dados, melhores decisões: informando os optantes de escolas para melhorar os mercados da educação”, tem mais a oferecer, Horvat e Baugh escrevem: “Fundamenta-se em erudição sólida e dados de pesquisa existentes sobre escolha da escola, bem como em pesquisa realizada pelo autor. Faz sugestões úteis sobre como a escolha pode ser mais eficazmente implementada”.

Os revisores alertam, no entanto, que o relatório da AEI “faz alegações infundadas sobre o poder da escolha para reformar as escolas e para melhorar os resultados educacionais.”

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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