Miséria infantil: a raiz dos problemas educacionais

Os Estados Unidos tem uma miséria infantil ao redor de 25%, a Finlândia tem 4%. Os resultados destes dois países no PISA são bem diferentes. No Brasil, embora a política dos últimos anos tenha tido o efeito de retirar muita gente da “pobreza” – melhor dizer da miséria total, pois o valor para se considerar uma pessoa pobre anda na casa dos 200 reais de ingresso ao mês – a situação das crianças ainda não é nada confortável. É sempre necessário conhecer as bases dos estudos que tentam medir a pobreza e a miséria e notícias de jornal, é claro, não permitem isso. Mas o estudo apresentado pelo jornal O Globo divulga dados alarmantes. Se são corretos, deveriam receber atenção do MEC e do INEP. Mas, sobre isso, não se nota interesse em estudar e comentar.

“A parcela de pobres na população caiu de 33% em 2004 para 16% em 2015, mas a participação de crianças e adolescentes permanece a mesma, em torno de 40%. A economista Sonia Rocha, do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets), no seu estudo, calculou que a participação da faixa etária de até 14 anos na população recuou de 27,4% em 2004 para 21,2% em 2015. Mesmo assim, a parcela de crianças e adolescentes entre os pobres se manteve praticamente estável: passou de 41,9% para 38,3%.”

E isso afeta diretamente a aprendizagem das crianças nas escolas. O fato é que, como é uma variável relevante, uma piora nestas condições de vida certamente afetará os resultados das escolas nas avaliações futuras.

Para os reformadores, isso não conta. Eles alimentam a ilusão de que as crianças das classes menos favorecidas aprendam tanto quanto as das outras classes nas mesmas condições que temos hoje, bastando para tal, fazer uma base nacional comum e criar mecanismos de cobrança sobre as escolas. Mas, eles ainda precisam encontrar exemplos históricos que demonstrem esta tese, para além de milagres artificialmente produzidos por políticas de cobrança que não têm sustentabilidade e nem escala. Que as crianças pobres podem aprender isso não resta dúvida, mas as condições contam.

Leia mais sobre a pobreza das nossas crianças aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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