Avaliação de professores pelo Sistema Impact

Postado originalmente na UOL em 28/07/2012

Diane Ravitch comenta em 28/07/2012 em seu Blog o sitema IMPACT de Michelle Rhee, sob o título “O que Michelle Rhee disse ao ministro da Educação britânico“. Diz:

Você não vai se surpreender ao saber que quando Michelle Rhee foi para a Inglaterra recentemente, ela falou de seu grande sucesso na melhoria das escolas públicas de Washington.

O seu segredo? Encontrar os melhores professores e demitir os piores professores.

O único problema com sua narrativa é que ela não é verdadeira.

Seu sistema de avaliação IMPACT foi imposto em 2009. Desde então, as escolas públicas de Washington fizeram pouco progresso nos exames estaduais e nacionais.

As escolas públicas de Washington continuam a ter a maior brecha de desempenho entre negros e brancos de qualquer distrito avaliado pelo sistema NAEP do governo federal.

Não está claro se o seu método identificou os melhores e os piores professores, mas é claro que ele criou um nível de rotatividade entre os professores e diretores que é impressionante.

Um recente artigo no Washington Post diz:

Washington tem uma das maiores taxas de rotatividade de professores no país. Richard Ingersoll, da Universidade da Pensilvânia estima que, “ao nível nacional, em média, cerca de 20 por cento de novos professores de escolas públicas deixam o seu bairro para ensinar em outro distrito ou deixam de ensinar completamente dentro de um ano, um terço o faz dentro de dois anos, e 55 por cento o faz dentro de cinco anos”. “Em Washington, por outro lado, 55 por cento de novos professores deixam as escolas em seus dois primeiros anos, de acordo com uma análise de Mary Levy. Oitenta por cento saem até o final de seu sexto ano. Isso significa que a maioria dos professores trazidos durante os últimos cinco anos não estão mais lá. Em comparação, no Condado de Montgomery apenas 11,5 por cento saem até o final de seu segundo ano, e 30 por cento saem até ao final de cinco anos. Washington tornou-se uma fábrica de rotatividade de professores. Tem dificuldade em manter os professores que estão comprometidos com a escola e a comunidade a que serve.

A maioria dos diretores que Rhee pessoalmente contratou deixaram suas escolas.

Se os ingleses seguem suas sugestões, eles também poderão ter rotatividade de professores sem melhora nos resultados.”

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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