Avisem o Ministro

Publicado originalmente na Uol em 14/02/2012

Há 10 anos a lei de responsabilidade educacional americana fixava que em 2014 todas as escolas da América deveriam ter seus alunos proficientes em leitura e matemática. Nesta semana, o governo americano começou a colocar em prática aquilo que já se sabia há muito tempo, ou seja, que esta lei era impraticável.

Mas no Brasil, nosso Ministro da Educação quer todas as nossas crianças proficientes em leitura aos 8 anos. Todas ele disse. Quem o fizer, terá bônus. Nos Estados Unidos as medidas incluíram formas mais duras como fechamento de escolas e sua privatização por contrato de gestão – um tipo de privatização aceito pelo PT, diga-se de passagem.

Mesmo com tais medidas, o fracasso se instalou. 60% das escolas americanas não têm condições de cumprir a lei. Isso criou um grave problema: leis são para serem cumpridas, pelo menos por lá. E quem não as cumpre assume penalidades. Diante deste quadro, só restou ao governo Obama conceder uma espécie de “perdão” aos Estados que julgassem que não conseguiriam cumprir a lei. Houve fila. Para viabilizar moralmente o ato, Obama estabeleceu que o perdão seria concedido desde que os Estados mostrassem empenho em resolver o problema mais à frente. Procura, com isso, induzir sua própria reforma.

Obama, entretanto, perdeu uma excelente oportunidade para fazer uma mudança substancial na política educacional americana, que a levasse para a adoção de práticas mais exitosas, como as utilizadas pela Finlândia. Ao invés disso, preferiu dar mais do mesmo remédio que não funcionou. Induz, em troca do perdão, à adoção de procedimentos que implicam entre outras medidas o pagamento de professores pelo rendimento dos alunos auferido em testes. Alguns estados como a Califórnia, se recusaram.

Bush, autor da Lei original (NCLB), diz que o que faltou foi mais responsabilização – mais dura ainda.

Enquanto a lei americana patina, aqui, seus entusiastas procuram emplacar uma versão dela no Congresso.

O começo do fim para o No Child Left Behind

Por Kayla Webley | @ kaylawebley | 10 de fevereiro de 2012

O presidente Obama concedeu a 10 estados perdão das mais rigorosas exigências do No Child Left Behind nesta quinta-feira, em um movimento que ele disse combina “maior liberdade com maior responsabilidade.” Essa liberdade é fornecida na forma de uma renúncia que libera os estados de ter que cumprir metas que os educadores há muito se queixam de serem demasiado rígidas e impossíveis de cumprir, incluindo uma disposição fundamental que exigia que todos os alunos de escolas públicas sejam proficientes em matemática e leitura até 2014.

“Quando se trata de corrigir o que há de errado com o No Child Left Behind, nós oferecemos a todos os estados o mesmo acordo”, disse Obama em um discurso na Casa Branca. “Nós dizemos, se você estiver disposto a definir padrões mais elevados, mais honestos do que os que foram definidos pelo No Child Left Behind, então vamos dar-lhe a flexibilidade para atender a esses padrões.”

Leia também: Perspectivas para o No Child Left Behind, 10 anos após sua assinatura e George W. Bush fala ao TIME sobre o No Child Left Behind

Continue lendo em (Ingles):

http://swampland.time.com/2012/02/10/the-beginning-of-the-end-for-no-child-left-behind/#ixzz1mM3W9on3

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability e marcado , . Guardar link permanente.

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