Sobre o ENEM dos professores e as nossas entidades

Postado originalmente na Uol em 13/05/2011

As entidades sindicais e científicas estão no Comitê de Governança do MEC cuidando da elaboração da prova do ENEM do professor. Umas estão de acordo com o exame, outras estão sendo levadas a concordar durante o processo, outras encontrando caminhos para justificar a concordância. Mas o exame vai sair, apesar de todos estarem cientes dos riscos, pois já foram explicitados.

Como forma de lavar as mãos, algumas entidades encomendaram pareceres a seus associados sobre a aceitação ou não do exame. Típica rota de fuga. Emergindo mais de uma posição na entidade, o presidente dela fica liberado para participar e aceitar, de fato, a proposta do MEC – tudo em nome da diversidade interna de opiniões. As lideranças, não lideram, quando convém.

A lavação de mão geral será feita em um Seminário convocado pelas entidades. Certamente, não deverá rejeitar a medida mas apresentar prós e contras. Se não há definição contrária, mas só ressalvas, então fica decretado o “liberou geral”. As diretorias saem ilesas, pois não foram elas que decidiram e sim “o povo”. Houve tempo em que as diretorias tinham compromissos básicos.

Não devemos nos surpreender, portanto, quando o Forum Nacional Em Defesa da Escola Pública, não defende a escola pública em nome da unidade interna… inexistente até para isso.

Mais honestidade tem a CNTE que sempre aprovou o ENEM do professor: seu presidente diz, escreve e assina.

O momento pelo qual passa a educação brasileira não está sendo devidamente avaliado por algumas entidades importantes da área educacional. As medidas são claramente de corte neoliberal, e estavam em curso já no começo da década de 90. Elas visam destruir o núcleo da profissão, sua formação, o que repercute na destruição da sindicalização da profissão. Houve tempo em que não se precisava pedir pareceres para se saber se éramos contra ou não a medidas neoliberais destrutivas do sistema educacional. Retrocedemos.

Tal destruição se dará, entre outros fatores, porque, como já alertamos outras vezes neste blog, o Exame não será restrito: não há uma especificação de quem pode fazer o exame. Se temos duas agências que formam professores, não dá para definir e isso abre outras possibilidades. As entidades sabem disso. Logo, poderá fazer este exame quem quiser (portanto, não precisará nem ter formação em pedagogia ou na escola normal de magistério). Fico imaginando se o Ministério da Saúde, em nome de que os municípios têm dificuldades para efetuar concursos para contratar médicos, decidisse fazer um ENEM dos Médicos de alcance nacional, sem especificar quem poderia fazer a prova, permitindo até que “curandeiros” participassem… (com todo respeito a estes).

As entidades devem ter presente que este caminho é o da destruição da profissão de professor. Qualquer um poderá, se passar no exame, reivindicar dar aulas, na dependência do que decida o município. Basta preparar-se para a prova com algum Kit ENEM do Professor que estará à venda. E como foi o município que decidiu, a culpa, acreditam as entidades, será transferida para o município.  Não penso assim. As entidades continuarão sendo responsáveis junto com o MEC por terem construído a possibilidade de que qualquer pessoa vire professor, contribuindo assim para a destruição da profissão.

Foi por isso que se brigou contra o Cristovam Buarque no começo do governo Lula.

Apenas para anotar.

Prova nacional de professores será feita em agosto de 2012

O Estado de São Paulo, 12/05/2011 – São Paulo SP

Inspirado no modelo do Enem, exame será usado para seleção de docentes por Estados e municípios

Agência Brasil

A primeira edição da Prova Nacional de Concurso para Ingresso na Carreira Docentes será realizada em agosto de 2012. A informação foi divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela aplicação. O objetivo do exame é ajudar Estados e municípios na seleção de professores para trabalhar nas redes públicas. A proposta foi anunciada no ano passado pelo Ministério da Educação (MEC), a partir do diagnóstico de que os concursos para professores da rede pública eram, em geral, mal elaborados.

O modelo que está sendo desenvolvido assemelha-se ao do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O professor  interessado participa da prova e, de posse da nota, poderá ser selecionado para trabalhar nas redes de ensino dos Estados e municípios que aderirem à proposta. A previsão é que os resultados sejam divulgados em janeiro de 2013.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,prova-nacional-de-professores-sera-feita-em-agosto-de-2012,718413,0.htm

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Avaliação de professores, Postagens antigas da UOL e marcado . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s