Testes: sem confiança por aqui

Durante o debate sobre o PNE, procuramos introduzir dispositivos na lei que obrigassem o governo brasileiro a divulgar índices de confiabilidade que indicassem a segurança dos testes feitos pelos nossos jovens. Foi recusado. Muitos especialistas que poderiam ter ajudado a pressionar nesta direção calaram-se, pois muitos estão associados às empresas que prestam serviços de assessoria em avaliação. Abaixo seguem trechos de uma entrevista com um especialista americano em testes:

“Para Cizek, também presidente do Conselho Nacional de Avaliação Educacional, entidade que congrega quase 2.300 especialistas no país [USA], uma prova desassociada de seus indicadores não deve ser usada para a tomada de decisões em políticas públicas. E não deveria nem ser feita por alunos. Nos Estados Unidos, a avaliação constante dos testes padronizados realizados por órgãos públicos é prevista por diversas leis, como a Race To The Top (Corrida ao Topo, em tradução livre), aprovada pelo governo de Barack Obama em 2009. No Brasil, não há informações disponíveis sobre estudos de validade e confiabilidade no site do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A reportagem de Educação entrou em contato com o órgão ao longo de janeiro para saber se os estudos são realizados – nenhuma resposta foi recebida.”

“É importantíssimo mostrar evidências que corroborem as inferências feitas a partir dos resultados. O governo norte-americano exige que os indicadores sejam produzidos. É lei. Eu não usaria uma prova que não está acompanhada de seus indicadores para tomar decisões. Aliás, ninguém deveria fazer uma prova assim. Deve existir um trabalho grande para a produção dos indicadores antes de que a prova seja aplicada. Depois de sua primeira aplicação, o ideal é que exista um esforço contínuo para que ela seja avaliada sempre. Todo teste tem problemas. Sempre há um erro randômico. Por isso é importante monitorar e tentar melhorar o instrumento. Quando algum problema é identificado, deve-se fazer o possível para reduzi-lo – eliminá-lo é quase impossível. É preciso aceitar isso.”

Lei mais aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Enem, Prova Brasil, Saresp. Bookmark o link permanente.

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