USA: mais um relatório pró escolas charters é derrubado

Um novo relatório sobre a eficiência das escolas operadas por concessão (charters) que pretendia demonstrar seu custo-eficácia e procurava mostrá-las como mais eficazes do que as escolas públicas regulares é derrubado nos Estados Unidos pelo NEPC. Trata-se do relatório “Revisão da produtividade das escolas públicas charters “feito por Patrick J. Wolf, Albert Cheng, Meagan Batdorff, Larry Maloney, Jay F. May, Sheree & T. Speakman do Department of Education Reform, University of Arkansas em 24 julho 2014.

Gene V Glass revisou o relatório para o NEPC em 19 de agosto de 2014 e concluiu que:

“Este relatório afirma a superioridade das escolas charters por elas produzirem mais desempenho por dólar investido. Os resultados são expressos como uma relação custo-eficácia, onde o desempenho é medido através dos pontos obtidos na Avaliação Nacional do Progresso Educacional (NAEP) e os custos são medidos na forma de “receitas recebidas.”

O relatório conclui que as escolas charters obtêm 17 pontos no NAEP adicionais por cada US$ 1000 investidos em matemática e 16 pontos por US$ 1.000 dólares em leitura [acima portanto das escolas públicas regulares].

Todas as análises são realizadas com dados de 21 estados e do Distrito de Columbia. Por causa de um comentário anterior de Baker que apontou para falhas graves na parte do “custo” desta relação [desempenho x custos], a presente revisão teve como foco o desempenho.

Os efeitos das charters quando comparadas com as escolas públicas tradicionais são estimados comparando as médias estaduais de ambas mas sem  equalizá-las em variáveis demográficas, como a pobreza (elegibilidade para almoço grátis) ou o status de necessidades especiais. Não é relatado o fato de que as diferenças demográficas entre os dois setores são altamente correlacionadas com as estimativas dos efeitos diferenciais; o setor com o maior percentual de alunos pobres tem resultados mais baixos no teste NAEP.

Só esta falha já torna o relatório e suas recomendações indefensáveis. Além disso, a avaliação das despesas nos dois setores se baseia em dados não comparáveis entre os estados e em dados questionáveis dentro dos estados. Estas deficiências deixam pouca evidência sobre a qual poder basear quaisquer conclusões válidas.

Relatos desse tipo só podem ser vistos como uma pesquisa de advocacia [a favor das charters], em grande parte porque eles não conseguem conciliar as suas descobertas com a extensa literatura contrária aos seus achados.”

O relatório original de Patrick J. Wolf, Albert Cheng, Meagan Batdorff, Larry Maloney, Jay F. May, Sheree & T. Speakman está aqui.

A revisão feita por Gene V. Glass do NEPC está aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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