Charters: novo relatório não aponta superioridade

Com a finalidade de influenciar na campanha presidencial americana de 2016, o Center for Public Education acaba de divulgar documento resumindo os dados existentes e que mostram que as escolas charters e outras formas de privatização não cumprem com as promessas de serem melhor do que as escolas públicas de gestão pública. Ele conclui que:

“Em geral, nós encontramos que a escolha da escola [charters e outras formas de privatização] funciona com alguns estudantes e com outros não e que frequentemente não é nem pior nem melhor do que as escolas públicas regulares.”

Especificamente em relação às escolas charters, em leitura, apenas 25% destas escolas se desempenha melhor do que as escolas públicas regulares, 56% tem desempenho equivalente e 19% é pior do que as públicas. Ou seja, 75% das escolas privatizadas é igual ou pior que a escola pública em leitura.

Em Matemática, 29% tem desempenho melhor, 40% tem desempenho igual e 31% tem desempenho pior do que as escolas públicas regulares. Em outras palavras, 71% das escolas privatizadas é igual ou pior do que a escola pública em matemática.

Dito de outra forma, apenas 1 em cada 4 escolas privatizadas é melhor do que a escola pública.

A conclusão confere com outros estudos já divulgados, levantando a questão de por que, se os resultados não são melhores, estas formas de privatização são usadas. A razão para tal é que são formas que minimizam o impacto da crise fiscal sobre o estado pois, em geral, a privatização precariza o trabalho e permite melhorar as finanças, seja porque os gastos com a privatização não contam na lei de responsabilidade fiscal brasileira, seja porque os gastos gerais com educação tendem a ser menores, devido à própria precarização.

Neste sentido, mais do que ser uma reforma educacional a adoção destas formas de privatização é, antes de mais nada, uma reforma fiscal do estado e não tem nada a ver com o desejo alegado de melhorar a qualidade da educação pública.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Privatização, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão e marcado , . Guardar link permanente.

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