Privatização por vouchers: mais fracasso

Novo relatório de avaliação federal feito por Mark Dynarski, Ning Rui, Ann Webber, Babette Gutmann e Meredith Bachman do Institute of Education Sciences, aponta que os estudantes de baixa renda em escolas públicas que receberam vouchers para estudar em escolas particulares, não apresentaram, depois de dois anos, melhores desempenhos, conforme proclamam defensores dos vouchers.

Sumário Executivo

“O Opportunity Scholarship Program (OSP) do Distrito de Colúmbia (DC) foi criado pelo Congresso em 2004 para fornecer vouchers para pais de baixa renda que querem que seus filhos frequentem uma escola particular. Reautorizado em 2011, o programa prioriza estudantes de escolas públicas de baixo desempenho e oferece bolsas de estudo de US $ 8.000 para as séries K – 8 e US $ 12.000 para as séries 9–12 em uma escola particular participante.

Essas escolas privadas devem concordar com os requisitos em relação à não discriminação nas admissões, na responsabilidade fiscal e na contratação de professores com pelo menos um diploma de bacharel. A lei também determinou uma avaliação do programa OSP, com relatórios anuais para o Congresso. O presente relatório examina os impactos dois anos após as famílias elegíveis se inscreverem no programa envolvendo: desempenho do aluno, satisfação com as escolas, percepções de segurança escolar e envolvimento dos pais na educação – todos os resultados que a legislação exigiu que a avaliação abordasse.

Como o operador do programa selecionou os alunos para receber ofertas de bolsas de estudo usando um processo de sorteio em 2012, 2013 e 2014, a avaliação é capaz de fornecer estimativas rigorosas dos impactos do programa. Especificamente, as diferenças encontradas ao comparar os resultados para o grupo de tratamento (995 alunos selecionados por sorteio para receber ofertas de bolsas) e o grupo controle (776 alunos não selecionados para receber ofertas de bolsas) podem ser atribuídas ao programa OSP e não a outra diferença entre os dois grupos. Como os alunos contemplados com uma bolsa de estudos não necessitavam fazer uso dela, a avaliação examinou os impactos da oferta e os impactos do uso de bolsas de estudo pelos alunos.

As principais conclusões incluem: O programa de vouchers teve um impacto negativo estatisticamente significativo no desempenho em matemática após dois anos. As pontuações de matemática foram menores para os estudantes dois anos após a entrada no programa (8,0 pontos percentuais para os estudantes selecionados para bolsa de estudos, mas que não a usaram e 10,0 pontos percentuais para os estudantes selecionados e que usaram a bolsa), comparados com os que se inscreveram mas não foram selecionados para a bolsa. As pontuações de leitura foram menores (em 3,0 e 3,8 pontos percentuais, respectivamente), mas as diferenças não foram estatisticamente significativas.”

Acesse o estudo aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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