USA: a diferença entre desempenhos caiu?

Uma das promessas da reforma empresarial da educação é fechar a brecha de desempenho entre estudantes negros/hispânicos e os estudantes brancos. Relatório do Fordham Institute tenta provar que isto está ocorrendo nos Estados Unidos (após décadas de reforma), mas o National Education Policy Center diz que não é bem assim. De fato, a variável que aparece como relevante para a melhoria é a queda na redução da pobreza e o aumento do financiamento escolar – fatores que costumam ser negados pela reforma empresarial – apesar da persistência das diferenças de desempenho.

A reforma alimenta a ilusão de que padronizando a educação por bases nacionais, “alinhando” as escolas a elas e responsabilizando-as elevará o desempenho de todos a despeito da desigualdade social.

O relatório da Fordham “Fewer Children Left Behind: Lessons From the Dramatic Achievement Gains of the 1990s and 2000s” (outubro de 2019) foi revisto por Jaekyung Lee, University at Buffalo. Abaixo segue o resumo das conclusões da revisão.

Resumo

Relatório recente do T. F. Fordham Institute destaca o histórico progresso acadêmico de grupos negros e hispânicos nas últimas duas décadas no ensino fundamental no exame NAEP. A partir disso, o relatório oferece sua principal alegação, com base no teste do globo ocular do autor, de que o progresso acadêmico dos estudantes de cor é atribuível “principalmente” à redução da pobreza. O relatório, no entanto, também reconhece que a correlação não é causalidade e exige uma análise estatística mais sistemática para testar a proposição do autor.

Esta revisão responde a essa chamada, examinando a validade dos argumentos do relatório sobre o progresso e suas causas, buscando fontes de dados expandidas, incluindo renda familiar e despesas escolares.

A revisão observa padrões desiguais de desempenho nas pontuações e refuta a alegação do relatório de que as tendências planas de desempenho entre os alunos no 12º ano são resultado da redução na evasão. Minha própria análise com dados sugere que a redução da pobreza foi realmente importante, assim como o aumento do financiamento da escola. Além disso, levanto questões críticas sobre o progresso nacional em direção à excelência e à equidade. Primeiro, o progresso acadêmico no nível do ensino fundamental é prejudicado por uma queda compensatória no nível do ensino médio. Segundo, apesar do maior progresso acadêmico dos grupos de negros e hispânicos nas décadas de 1990 e 2000, as diferenças de desempenho entre negros e brancos e hispânicos-brancos permanecem substanciais em todas as séries nas disciplinas principais. Terceiro, apesar do progresso na redução da pobreza, persistem desigualdades raciais em oportunidades sociais e educacionais, bem como diferenças raciais nos retornos econômicos do investimento educacional.

No geral, o relatório ajuda a colocar atenção ao progresso acadêmico significativo de estudantes negros e hispânicos nas últimas duas décadas, embora seja incorreto subestimar as persistentes lacunas raciais ou o fenômeno da queda no ensino médio.”

Acesse aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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