Defensores da escola pública americana alertam

Primeiro o movimento privatista defende a “reforma” da escola que envolve a introdução de lógicas privatistas na escola pública e ainda a ampliação do mercado educacional que visa competir com a escola pública. Isso inclui a transferência de escolas públicas para organizações privadas (com ou sem fins lucrativos) principalmente em área de pobreza, como vemos agora as tentativas em curso no município de São Paulo e em outros. A desculpa é que estão preocupados com as criancinhas pobres.

Depois ele defende a “escolha da escola pelos pais” ancorado na ideia de que as crianças pobres que frequentam escolas públicas e têm notas baixas são produtos de professores e escolas ineficientes e têm o direito de poder ter uma boa escola privada que as retire da dependência destas.

Em seguida eles passam a defender que esta “escolha” deve ser ampliada para todos os estudantes sejam eles ricos ou pobres.

Finalmente, aparece sua real bandeira: eliminar as escolas públicas – tese defendida pelos neoliberais e apoiada pelos conservadores, pois permite para os primeiros, transferir recursos públicos para a iniciativa privada através de vouchers dados aos pais (porto seguro para o “mercado”) e para os segundos, transferir recursos públicos para as escolas religiosas via vouchers através dos pais (porto seguro do “escola sem partido”) – cada um com seu projeto de sociedade.

Oficializa-se, assim, a estratificação da qualidade da educação como regra, cujo acesso à qualidade é determinado por quanto dinheiro os pais carregam no bolso, já que vouchers sozinhos não cobrem o custo de boas escolas privadas e os pais são obrigados a complementar o valor da matrícula ou contentar-se com a que pode pagar. Ao debilitar, primeiro, e depois, extinguir a escola pública, os pais não podem mais voltar para boas escolas públicas ou sequer lutar pela contínua melhoria destas, ficando condenados às más escolas privadas que seu voucher podem pagar. Esta é a história dos pais chilenos que caíram no “conto” da “boa escola privada” paga com vouchers.

A estratégia revela, ao final, que, desde o início, nunca se tratou de “melhorar” a escola pública, mas sim de eliminá-la.

O avanço da privatização americana e seus passos é contado pelo Blog Curmudgucation.

“Estamos vendo uma escalada nas metas de discussão da política educacional, da reforma à privatização e, agora, à destruição da educação pública.”

Leia aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Homeschooling, MEC sob Bolsonaro, Militarização de escolas, Privatização, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão, Vouchers e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

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