Mais um relatório sobre a privatização não convence

Com as iniciativas de São Paulo e do Paraná que caminham na direção de radicalizar o envolvimento de empresários na realização da educação pública, aparece a necessidade de sempre retomarmos às chamadas “evidências empíricas”.

Como temos demonstrado neste blog, relatório após relatório, os resultados não referendam a utilização destas estratégias privatistas. Não se deve fazer política pública com soluções educacionais instáveis que apresentam resultados no mínimo duvidosos sobre a sua eficácia. A educação pública não comporta experimentos de escala, pois envolve a vida das crianças.

Neste post você encontra a revisão do NEPC – National Education Policy Center – de um recente relatório publicado pelo EdChoice de 2023 que pretende ser favorável a estas políticas privatistas e que reúne estudos com o objetivo de mostrar que a escolha de escola privada “funciona”.

Este relatório do EdChoice apresenta uma visão geral da investigação sobre os resultados dos programas de escolha de escola que envolvem vouchers e fornecem financiamento público para escolas privadas. Para C. Lubiensky, do NEPC, que revisou o relatório, no entanto:

“O relatório reúne pesquisas sobre o desempenho dos alunos, o acesso, os efeitos competitivos e outros tópicos, supostamente para ajudar os legisladores e os pais a avaliar os benefícios e os custos destes programas de vouchers. Alega mostrar que a escolha da escola “funciona”, com base na descoberta de mais estudos positivos do que negativos, mas utiliza uma abordagem simplista e falha que obscurece diferenças importantes nos estudos e pode criar uma narrativa enganosa sobre as evidências da investigação.”

Baixe o relatório original do EdChoice aqui.

Baixe a revisão crítica feita pelo NEPC aqui.

É preciso ter muito cuidado com os arautos da reforma empresarial, pois tendem a simplificar e super-estimar resultados de pesquisa que muitas vezes são feitas pelos próprios defensores da estratégia de privatização e que estão em “conflito de interesses”.

No Brasil é pior ainda, pois estes arautos tendem a se limitar a indicar se a média de desempenho dos alunos que estão em escolas privatizadas é maior ou menor, sem olhar atentamente para a metodologia dos estudos, da avaliação ou para outros fatores educacionais que estão envolvidos.

Como outro relatório já demonstrou, a estratégia da privatização, mais recentemente, revelou sua faceta ideológica nos Estados Unidos com a guinada das escolas privatizadas para a agenda da extrema-direita. Note-se que no Brasil estas políticas estão ficando mais agressivas exatamente em estados administrados por forças que defendem ideias de extrema direita.

Para ler sobre isso, acesse aqui o relatório da Network For Public Education (2021): “Uma forte guinada à direita: uma nova geração de escolas charters entrega a agenda conservadora

Finalmente, é importante considerar a artimanha das escolas terceirizadas que se dizem “sem fins lucrativos” mas que, de fato, desenvolveram meios de gerar lucro.

Para ler sobre isso, acesse aqui o relatório da Network For Public Education (2021): “Contratada para lucrar: o mundo oculto das escolas charters [sem fins lucrativos] operadas para obter ganhos financeiros

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About Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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