USA: exportando lendas

Os reformadores empresariais da educação repetem à exaustão que suas receitas internacionais conduzem à garantia da aprendizagem dos mais pobres e a melhorar a competitividade internacional do país. Mais equidade e riqueza.

Aqui está um estudo americano interessante comparando resultados do TIMSS – avaliação internacional – com o desempenho dos estados americanos no NAEP – avaliação nacional americana.  Como a comparação mostra dois terços dos estados americanos estão acima da média do TIMSS, “a educação americana não é medíocre, mas profundamente desigual”.

Um outro estudo do NAEP mostra que entre 2008 e 2012, anos em que se intensificou ao máximo a política de responsabilização e punição a escolas e gestores com a Lei de Responsabilidade Educacional americana, as médias estão estagnadas. Ou seja, antes da avalanche de testes padronizados e responsabilização, havia progresso na educação americana.

Veja resumo aqui.

Ou seja, não há nenhuma razão para nos entusiasmarmos com as receitas adotadas pela Lei de Responsabilidade Educacional americana e que estão sendo propostas agora para o Brasil no Congresso.

O clamor dos reformadores empresariais a favor do direito de aprendizagem das crianças pobres não se converteu em realidade nem nos Estados Unidos e nem no Chile – sucursal americana para a América Latina.

Mais ainda, a lenda de que os resultados em testes internacionais são preditores do sucesso econômico de um país, também não significa nada.

“O mais importante nas próximas décadas é a extensão em que vamos cultivar a criatividade, a engenhosidade, a curiosidade, a inovação e formas de pensar de forma diferentes. Estas qualidades têm produzido a genialidade da cultura americana. Essas características não são medidas por testes padronizados. Os alunos que aprendem a selecionar quadradinhos em uma questão de múltipla escolha não serão os inventores e inovadores do futuro.” Veja aqui.

Isso é corroborado por Levin:

“Na realidade, as relações entre os resultados medidos em testes e os ganhos de produtividade são modestas e explicam uma parcela relativamente pequena da maior ligação entre nível educacional e os resultados econômicos. O que é omitido em tais avaliações estreitas são os efeitos que a educação tem sobre o desenvolvimento das capacidades e habilidades interpessoais e intrapessoais e que afetam a qualidade e a produtividade da força de trabalho.”

Todas as receitas dos reformadores são uma cortina de fumaça para ocultar o que de fato a pesquisa tem mostrado. Se queremos melhorar a educação brasileira devemos:

Diminuir o número de alunos em sala de aula.

Combater a pobreza – não apenas a miséria extrema como temos feito.

Qualificar e pagar bem o profissional da educação.

Dotar nossas escolas de boa infraestrutura.

Alguma novidade que os professores não conheçam?

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About Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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1 Response to USA: exportando lendas

  1. Avatar de MARIA ESTELA SIGRIST BETINI MARIA ESTELA SIGRIST BETINI disse:

    Acrescentaria mais uma questão que considero importante: ter claro com que objetivo se trabalha a educação, isto é, para quem e para que é a educação da escola pública.

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