O pragmatismo do PT

Postado originalmente na Uol em 7/03/2012

A briga Tarso Genro/Mercadante mostra como o PT converteu-se em um pragmatismo assustador. Mercadante, por ofício de Ministro, tem que defender o novo piso salarial. Mas Tarso Genro é quem paga, como Governador de Estado que é. Dessa forma, considera excessivo, pois sai do seu bolso.

Pode-se imaginar que se os lugares fossem trocados, ou seja, se Tarso fosse o Ministro e se Mercadante fosso o governador, ambos estariam apenas com os argumentos trocados. Tarso defenderia o piso e Mercadante o criticaria.

É nestas horas que o discurso da importância da educação e da importância do professor se desfaz – por quem tem que pagá-lo. É uma incoerência da política brasileira. Fala-se em qualidade da educação, mas não se quer gastar 10% do Pib com ela. Aceita-se no máximo 8% e o governo está às turras com este valor. Fala-se que o professor é importante, mas na hora do salário, é muito caro. E assim vai.

O que sobra, por que é mais barato, é a pressão sobre o professor. Pressionar não custa. Daí porque proliferem as teses de que, sendo o professor fundamental no processo de ensino, é mais adequado “valorizá-lo” pagando mais de acordo com o resultado dos testes de seus alunos, através de bônus. Mas isso, não é reforma educacional, é reforma fiscal. É uma maneira de fechar as contas. Desconfiem dos discursos sobre “a importância do professor” ou sobre a “necessidade de valorizar o professor”, pelo menos até que digam como pensam fazer isso.

O confronto será cada vez mais este: pagar um salário digno a todos, ou pagar adicionais na forma de bônus para uns poucos professores considerados “bem sucedidos”. Se o que queremos é fechar as contas, ou seja fazer uma reforma fiscal e não educacional, é de se esperar, então, que o pagamento por bônus se amplie cada vez mais.

Como a lógica dos negócios não funciona em assuntos educacionais, estas medidas somente contribuirão para que a dívida educacional real fique cada vez maior no futuro.

Avatar de Desconhecido

About Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esta entrada foi publicada em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário