Bônus falha em São Paulo

Postado originalmente na Uol em 25/04/2011

Estou de acordo com a reportagem que mostra o fracasso do pagamento de bônus para a equipe da escola em S. Paulo. Falhou igualmente em Nova York, de onde foi copiado. Há exemplos internacionais, portanto, que acompanham esta tendência. Os liberais sempre dizem que vão melhorar isso e que uma modificação aqui e outra alí, melhorará o sistema. Mas sabemos que o problema é muito maior. Pagamento de bônus inclusive por métodos mais sofisticados, considerando vários anos de atuação do professor e feitos por uso de valor agregado, também não conseguem modificar a situação do desempenho dos alunos de forma consistente. O problema é que estes recursos (bônus) são importados da lógica dos negócios ou da visão de mercado. Mas, como mostra muito bem Daiane Ravitch em postagem anterior neste Blog, não há intercambiabilidade entre a área de negócios e a educação. O Estado de São Paulo foi alertado sobre a inadequação destas políticas, preferiu não ouvir. Pior, outros Estados estão se preparando para cometer o mesmo equívoco. Algo em torno de 17.

Entretanto, no caso específico de São Paulo, acho que falta um estudo mais aprofundado sobre esta política. Não basta apenas ficarmos com a impressão de que o bônus não deu certo a partir de uma genérica queda no desempenho dos alunos. Essa queda, por outros fatores, poderia não ter ocorrido. Nem por isso significaria que a política de bônus estaria correta, considerando o resultado obtido em outros países, igualmente pífio. Mas não há, para o caso de São Paulo, uma demonstração empírica entre queda de desempenho e bônus. Portanto, creio que estudos mais aprofundados deveriam demonstrar (ou não) esta relação. O fato é que as Universidades, como espaço independente e autônomo de pesquisa, estão desaparelhadas para realizar tais pesquisas, o que é uma lástima. Acabamos ficando nas mãos dos governos, os quais pesquisam aquilo que lhes interessam ou se calam quando convém.

Sem estudos mais aprofundados, ficamos ao sabor da inclinação da curva de desempenho dos alunos que, como sabemos, reage a diversificados fatores intra e extra-escolares, ou até mesmo psicométricos. E se a curva tivesse se mantido ou subido, o bônus estaria surtindo efeito?

Bônus para professores não melhoram qualidade do ensino em São Paulo

Publicada em 22/04/2011 às 23h00m

Leila Suwwan

SÃO PAULO – Lançada em 2008 como uma solução inovadora e meritocrática para melhorar a qualidade do ensino público, a política de pagamento de bônus salarial para os professores da rede estadual fracassou e levou o governo de São Paulo a repensar suas propostas educacionais. O incentivo, que pode chegar a quase três salários extras, é calculado a partir do desempenho dos alunos, baseado nos dados do fluxo escolar e das notas do Saresp, o “provão” paulista de português e matemática dos ensinos fundamental e médio.

O bônus cria uma atitude de desresponsabilização do gestor público.

Continue lendo em:

http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2011/04/22/bonus-para-professores-nao-melhoram-qualidade-do-ensino-em-sao-paulo-924303729.asp

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Links para pesquisas, Meritocracia, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability e marcado . Guardar link permanente.

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