A Educação sob controle dos “homens de negócio”…

Postado originalmente na Uol em 30/10/2010

O uso de testes de alto impacto nos Estados Unidos tem suas origens mais recentes no Business Roundtable (BRT). Foi este grupo que popularizou a educação baseada em standards e responsabilização (accountability). Era composto por executivos da General Eletric, IBM, State Farm Insurance, McGraw Hill e da General Motors. Ele desenvolveu ações em mais de 50 estados americanos com a finalidade de implantar este tipo de reforma educacional. Em 1989 o BRT colocou os postulados básicos da reforma educacional para o Governo Bush (o pai) e voltou a colocar tais pontos, em 1995, para o Governo Bush (filho). Chamava-se “Nove componentes essenciais de um sistema educacional bem sucedido”. Estes nove componentes foram encampados pelo programa No Child Left Behind – Nenhuma Criança para Trás (2002).

No Brasil, o Movimento Todos pela Educação tem desempenhado um papel equivalente ao BRT americano, ainda que com objetivos mais amplos, e não podemos esquecer que influenciaram a elaboração do Plano de Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação, ainda que sem o impacto que teve nos EUA. É patrocinado pelo Grupo Santander, DPaschoal, Unibanco, Odebrecht, Fundação Itau, Gerdau, Camargo Correa, Bradesco e Suzano Papel e Celulose.

Nos EUA o BRT organiza a “Parceria pela Excelência na Educação” que inclui as lideranças nacionais nos negócios, no governo e em organizações educacionais: o BRT, Departamento de Educação do Governo Americano, Achieve, Federação Americana dos Professores, Aliança Nacional de Negócios, Associação Nacional de Educação, Associação Nacional de Gestores e a Câmara do Comércio Americana. Este grupo defende standards, responsabilização, testes de alto-impacto e consequências para o desempenho. Ainda fazem parte do movimento o Conselho Nacional de Acreditação da Formação de Professores e o Educational Testing Service.

Esta coalizão entre governo, negócios e agências educacionais e sindicais, tem sido a âncora da teoria da responsabilização.

Embora o Governo Lula não tenha incorporado plenamente tal filosofia, ela não deixa de ter impacto em Secretarias do MEC e principalmente no INEP, órgão que permaneceu basicamente sem alterações durante o Governo Lula – implementando standards e responsabilização. Em especial os últimos Presidentes do INEP defendem a teoria da responsabilização publicamente.

O Exame Nacional de Docentes, queira ou não o MEC, enquadra-se dentro desta lógica acima exposta que nos EUA é feita pelo Conselho Nacional de Acreditação de Formação de Professores, órgão que inspeciona as instituições formadores de professores.

O fracasso desta estratégia está registrada na literatura educacional americana recente, como já comentamos antes neste blog.

Mas é importante entendermos e aprendermos com os caminhos já trilhados pelos “homens de negócio” americanos.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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