Mais crise, mais mercado…

Postado originalmente na Uol em 6/12/2010

Aí está a fala a que sempre me refiro neste Blog. Crise acompanhada de solução pelo mercado.

O texto abaixo mostra claramente esta composição. Primeiro a crise. Depois a solução: por a educação na mão do mercado.

Curiosamente, é exatamente o mercado que produz a pobreza e as condições de miséria da população brasileira e que faz com que até 60% da variabilidade das notas dos alunos seja explicada por fatores oriundos da comunidade em que o estudante se insere.

As teses de mercado se alimentam da miséria que elas mesmos produzem.

O autor pertence à Parceiros da Educação. Quem é a ONG Parceiros da Educação? Seu site o diz:

“Quem Somos

A Parceiros da Educação é uma Associação sem fins lucrativos, certificada como OSCIP, que promove e monitora parcerias entre empresas/empresários e escolas da rede pública, com métodos e processos desenvolvidos ao longo dos últimos 15 anos.

Uma parceria que funciona

A Parceiros da Educação leva à educação pública a experiência em administração e gestão de negócios dos empresários para tornar a escola pública brasileira um modelo de eficiência e de resultados, formando cidadãos mais qualificados para os desafios do nosso tempo e do futuro.

A Parceria POTENCIALIZA os investimentos públicos nas Escolas, tornando-as mais eficientes e produtivas, com um objetivo central: melhorar o aproveitamento escolar dos alunos. (Grifos meus)”

E quem é Jair Ribeiro?

Jair está ligado à CPM Braxis e é um dos Coordenadores da ONG. O site da CPM Brasis diz:

“A CPM Braxis Capgemini é a maior empresa de serviços de TI de origem brasileira, parte do sétimo maior Grupo de tecnologia da informação do mundo. Atua sob o conceito one-stop shop para 200 clientes do Brasil e do mercado global. “

Esta é a logica. Transfira para a escola pública as técnicas de gestão da iniciativa privada, e tudo se resolve. Pena que não divulguem os resultados desta estratégia nos Estados Unidos.

Confira.

Revolução na educação pública

Folha de São Paulo, 05/12/2010 – São Paulo SP

Apenas com o apoio da população poderemos cobrar da classe política as medidas imprescindíveis para atacar de frente esse grave problema

Por JAIR RIBEIRO

Sinceramente, não entendo por que mais pessoas não se sentem revoltadas diante das condições da educação pública neste país. Somos uma nação em que cerca de 50% das crianças brasileiras da 5ª série são semianalfabetas.

(…)

Educação pública é uma questão por demais relevante para se deixar apenas na mão do Estado. Há inúmeras ONGs de excelência que contribuem para a melhoria do quadro educacional brasileiro (por exemplo, o Instituto Ayrton Senna, a Fundação Bradesco ou mesmo a nossa Parceiros da Educação, para nomear algumas).

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0512201008.htm

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Postagens antigas da UOL, Privatização e marcado , . Guardar link permanente.

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