USA: razões do movimento contra testes

A resistência aos testes padronizados nos Estados Unidos explodiram nesta primavera. Os protestos em todo o pais visam três exigências: menor uso de testes nas escolas; terminar com os testes de alto impacto na vida dos estudantes e professores e a implantação de múltiplas formas de avaliação da aprendizagem dos alunos e não a restrição da avaliação a testes padronizados únicos.

Segundo Monty Neill, em informação reproduzida pelo Blog Answer Sheet, as preocupações dos pais, alunos e professores incluem:

* Há muito teste. Ele compete com outros assuntos privando as crianças de um currículo atraente e equilibrado.

* Os testes não são úteis para professores, pais e alunos porque eles não avaliam áreas importantes da aprendizagem, as perguntas e respostas são secretas, e as pontuações não são devolvidas à escola em tempo hábil .

* Pais, professores e alunos se opõem a gastar milhões de dólares em infra-estrutura de testes e computadores para testes on-line, enquanto as escolas sofrem com o aumento do tamanho das turmas e cortes nas artes, esportes e outras atividades interessantes.

* Como resultado do estresse e ansiedade, os alunos estão chorando, tendo vômitos durante os testes padronizados. As crianças têm medo de que, se eles falharem, os professores vão sofrer. Alguns justificadamente se preocupam que lhe será negada a promoção para a série seguinte ou a graduação.

* Os sistemas de computadores em todo o país estão caindo durante a administração de teste, muitas vezes agravando o estresse, especialmente para os alunos menos familiarizados com a tecnologia.

* Os testes são injustos especialmente para os alunos cuja primeira língua não é o Inglês e para os alunos com deficiência, bem como para os estudantes que frequentam escolas mal financiadas em comunidades de baixa renda.

* Os pais não gostam do uso dos resultados dos testes do estudante para julgar os professores. Eles sabem que as leis federais para avaliar os professores com base nas notas dos alunos produzem avaliações imprecisas, um grande aumento de testes, e ainda mais preparação para testes.

* Os exames são muito longos e cheios de erros: questões pouco claras, leituras e passagens obscuras, problemas de matemática apresentados em uma linguagem confusa, mais do que uma resposta certa para uma mesma questão – ou nenhuma resposta correta.

* Os pais se opõem a grandes empresas com fins lucrativos que utilizam seus filhos como “cobaias” não pagas para testar as perguntas para os testes.

As razões valem para nós. Aqui, o INEP se prepara para fazer os testes por computador, há aumento de crianças identificadas como tendo síndrome de déficit de atenção para esconder crianças com problemas de aprendizagem, os gastos com testes aumentam, o estresse das crianças igualmente aumenta, bem como a segregação de escolas e crianças. E sobre a devolução dos resultados às escolas e seu consumo por elas não precisamos comentar – é próximo de zero.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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3 respostas para USA: razões do movimento contra testes

  1. Handerson Fábio disse:

    Infelizmente a rede estadual do RJ (e outras) cada vez mais segue esse modelo de “qualidade” da educação pautado por avaliações externas.

    Torcer para que o crescimento desses movimentos de resistência tb cheguem por aqui, pois, por enquanto, os professores que não se submetem sofrem perseguições administrativas, com ameaças de perda das turmas em que tais avaliações são aplicadas.

    • As redes do sudeste, em especial SP, MG e RJ, aplicam estas ideias. Por isso penso que conhecer o que ocorre nos USA pode ser uma fonte de estímulo para que organizemos um forte e variado movimento de resistência ao uso indevido dos testes. A disponibilização destas informações pode ajudar neste primeiro momento de organização.

  2. Katia Maria Barreto disse:

    É bastante fácil inverter a lógica e culpabilizar a escola e os professores,É desumano a aplicação desse sistema em qualquer parte do mundo,principalmente em países com políticas injustas …não necessitamos de mais instrumentos institucionalizados para excluir e segregar.

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