Andres Alonso na Folha

A Folha de São Paulo abre espaço hoje, 26-5-14, para Andres Alonso, ex-superintendente de educação da cidade de Baltimore (Maryland, USA). Atualmente ele está em Harvard. Alonso, que imigrou de Cuba para os Estados Unidos na década de 1960, começou sua carreira praticando Direito em Nova York, mas logo decidiu tornar-se um educador. De 1987 a 1998, ele ensinou adolescentes com dificuldades emocionais em educação especial e alunos aprendizes de Inglês em Newark, NJ. Veio, agora, ao Brasil pela Fundação Itau Social para discutir programas de tutoria para professores.

A Folha entrevista Alonso destinando-lhe página inteira. A receita usada por ele para “consertar” a educação em Baltimore inclui:

“Eu assumi em Baltimore quando as leis começaram a mudar, tornando-se bem exigentes. Nos meus primeiros dois anos, demitimos 400 professores que não tinham a qualificação necessária. Desenvolvemos contratos que ofereciam compensações segundo resultados. Criamos quatro níveis de carreira de professor e um sistema de avaliação que poderia colocar os menos eficientes para fora”.

Mas como sempre, receitas milagrosas em educação geram sempre suspeitas. Não é diferente com a Baltimore de Andres Alonso. Segundo a Folha:

“Durante sua administração, o número de alunos que abandona o ensino médio caiu mais de 50%, e o desempenho dos estudantes melhorou em quase todas as disciplinas e séries.”

Se comparada com cidades de igual tamanho, Baltimore em testes de leitura divulgados em 2013 (média de 204 pontos) está abaixo da média destas (212). Igualmente encontra-se abaixo da média nacional que é de 221 pontos. 55% dos estudantes de quarta série estão abaixo do básico em leitura. Confira mais dados aqui.

Segundo o NAEP Dishonor Roll: Urban Edition, o teste de Baltimore:

“… exclui gritantes 77 por cento dos alunos de quarta série condenados a guetos de educação especial, sem dúvida, o mais alto nível dessa categoria; a taxa é quase cinco vezes a média nacional que é de 16 por cento para a exclusão de alunos na quarta série em educação especial. Baltimore City também exclui 60 por cento dos alunos aprendizes de inglês [filhos de imigrantes] da quarta série, sete vezes a média nacional e, mais do que qualquer outro distrito. Baltimore também exclui 74 por cento dos estudantes da oitava série em classes de educação especial, também o mais alto nível de exclusão de todos os distritos participantes nos testes de cidades grandes urbanas do NAEP; esta taxa é de cinco vezes a média nacional.”

O estudo termina assim: “Alonso e seus ex-funcionários devem ser questionados duramente tanto por reformistas como tradicionalistas sobre o que só pode ser chamado de fraude (test cheating)”.

Estes dados mostram que não podemos julgar a “boa educação” exclusivamente pelas médias e suas variações em testes.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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