COLE aprova moção de repúdio

O Congresso de Leitura promovido na UNICAMP pela Associação de Leitura do Brasil aprovou a seguinte moção.

 Moção de repúdio à atuação da empresa de consultoria privada Falconi junto à Rede Municipal de Ensino de Campinas

A assembleia geral da ALB – Associação de Leitura do Brasil – vem a público manifestar o seu repúdio ao ataque à educação pública representado pela parceria firmada entre a Secretaria Municipal de Educação de Campinas e a empresa Falconi – Consultores de Resultados. O convênio tem por objetivo a transferência do modelo de gestão empresarial para o serviço público.

O plano de trabalho da Falconi junto às escolas da Rede Municipal prevê a realização de diagnósticos dos problemas das unidades, a definição de metas, o acompanhamento das ações dos educadores para a consecução das metas, a padronização de procedimentos identificados como exitosos. Em tal modelo os indicadores de qualidade se restringem as variáveis do âmbito interno das escolas e a seus sujeitos, silenciando sobre as responsabilidades do poder público. Negando a complexidade do processo educativo escolar, o choque de gestão privada elege como principal indicador de qualidade os índices de desempenho dos alunos em testes de avaliação padronizados. O modelo sustenta a imposição de metas definidas por técnicos sem a participação da comunidade escolar, metas estas que não contemplam quaisquer indicadores que não possam ser mensuráveis.

Na lógica da gestão privada são descartados princípios caros à história da Rede Municipal de Ensino de Campinas tais como a gestão democrática e a formação humana concebida de forma ampla. Os valores do mercado – eficiência, produtividade, competitividade – substituem os valores que sustentam a esfera pública e dos direitos: participação, solidariedade, co-responsabilidade na qualificação do espaço público.

Os educadores da Rede Municipal de Campinas vêm se empenhando no fortalecimento do caráter público da educação oferecida na Rede Municipal através do trabalho coletivo de construção dos projetos político pedagógicos nas unidades, das diretrizes curriculares das diferentes modalidades de ensino, da avaliação institucional participativa. A qualificação da educação pública também se dá através da participação dos docentes em várias frentes de formação continuada e na luta pela implementação da Lei do Piso, mediante a instituição de uma jornada condizente com as atribuições docentes. Essa história e o amplo leque de variáveis envolvidas na construção de uma escola pública de qualidade social são desqualificados pela Falconi quando a empresa propõe um projeto de trabalho sustentado na ideia de que a solução para os problemas educacionais restringe-se à simples aplicação de um modelo de gestão de resultados. Estudos acadêmicos e as experiências de várias redes de ensino têm demonstrado que parcerias como a firmada entre a empresa Falconi e a Secretaria Municipal de Educação de Campinas representam a abertura dos serviços públicos aos interesses do mercado, resultando num grave ataque à educação pública.

É por todo o exposto que, reunidos em assembleia geral, repudiamos a parceria em questão.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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5 respostas para COLE aprova moção de repúdio

  1. COLE aprova Moção de Repúdio à FALCONI/COMUNITAS na rede de ensino de Campinas

  2. Pingback: COLE APROVA MOÇÃO DE REPÚDIO | Grupo de Estudos e Pesquisa em Avaliação e Organização do Trabalho Pedagógico

  3. Maria Cristina von Zuben de Arruda Camargo disse:

    Olá Luiz Carlos! Estranho que, em momento algum, a questão da educação especial é abordada por você. Estou falando de uma população crescente que, na rede municipal de ensino, não dispõe de material pedagógico como, por exemplo, material em Braille. A evasão de crianças com deficiência da rede municipal é apontada pelo MEC de forma assustadora. Hoje, estão na rede particular mais que o dobro do número de crianças com deficiência em relação à rede municipal. Por que isto vem acontecendo? As deficiências são mais frequentes em crianças com maior poder aquisitivo? Não, claro que não. Deficiência em crianças tem, basicamente, uma causa: a pobreza. São os desdobramentos do estado de absoluta miséria que traz em si as deficiências em crianças. Como, então, se mantém em escolas particulares. São educadas por CARIDADE dos proprietários das escolas e nunca pelo cumprimento dos DIREITOS que estas crianças têm por uma única razão, qual seja, cidadania.
    Gostaria de ouvir você!
    Abraço

    Cristina von Zuben

  4. Pingback: Falconi e educadores: dois projetos antagônicos | FORMAÇÃO DE PROFESSORES – BLOG DA HELENA

  5. Tamara André disse:

    Parabenizo o Blog por centralizar informações sobre uma temática contemporânea de suma importância para a educação. Gostaria de disponibilizar o artigo que publiquei recentemente que trata da adoção de cartilha de alfabetização em Foz do Iguaçu e as relações com avaliações em larga escala. Trata-se de uma crítica ao Método Fônico e às avaliações em larga escala, por produzirem práticas pedagógicas que não ajudam a lidar com as variações linguísticas. Importa ressaltar que Foz do Iguaçu obteve média 7.0 no IDEB em 2011. O título do artigo é “Avaliação em larga escala e alfabetização: a adoção do método fônico em Foz do Iguaçu”. O link é http://www.fclar.unesp.br/Home/Departamentos/CienciasdaEducacao/RevistaEletronica/artigo-1—avaliacao-em-larga…tamara-cardoso-andre.pdf Atenciosamente. Tamara Cardoso André

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