Escolas charters: relatório não se sustenta

Uma recente meta-análise dos efeitos das escolas charters publicado em agosto nos Estados Unidos exagera suas próprias conclusões, de acordo com uma nova revisão do NEPC publicada hoje, feita por Francesca López, educadora da Universidade do Arizona, que revisou a meta-análise chamada “A Meta-Analysis of the Literature on the Effect of Charter Schools on Student Achievement”. Com isso, a tendência anteriormente apontada em outros estudos de não se encontrar diferenças significativas entre as escolas charters privatizadas e as escolas públicas americanas, permanece.

O relatório foi publicado em agosto pelo Center on Reinventing Public Education at the University of Washington. O relatório sob crítica, feito por Julian R. Betts e Y. Emily Tang, baseou-se em dados de 52 estudos para concluir que as escolas charters beneficiam os alunos, especialmente em matemática.

A revisão do estudo original de Julian Betts e Y. Emily Tang, feita por López conclui que:

“… a conclusão é exagerada; os resultados reais não são positivos em leitura e não são significativos em matemática nas High School; na matemática do ensino fundamental e médio o tamanho do efeito é muito pequeno, variando de 0,03-0,08 desvio padrão.

O relatório de Betts e Tang, segundo López, faz um trabalho sólido descrevendo as limitações metodológicas dos estudos revisados, e em seguida, aparentemente, se esquece desses limites na análise. Por exemplo, os autores incluem estudos baseados na admissão por sorteio, considerando-os semelhantes na atribuição aleatória, mas admissão por sorteio só existe nas escolas charter onde são muito mais populares do que nas escolas públicas comparadas, a partir das quais os alunos são sorteados. Isso limita a utilidade do estudo em grandes comparações do conjunto das charters com as escolas públicas.

O relatório também pretende examinar se os efeitos das escolas charters mudaram ao longo do tempo. Apesar de não encontrar nenhuma alteração, os autores afirmam, inexplicavelmente, que há uma tendência positiva. Alegações de efeitos positivos quando eles não são estatisticamente significativos, o exagero da magnitude dos efeitos, estudos e extrapolação injustificada de evidência disponível para afirmar a eficácia das escolas charters torna o relatório de pouco valor para informar políticas e práticas.”

O estudo original está aqui.

A revisão do NEPC está aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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