Pernambuco: ações privatizantes

O governo do estado de Pernambuco lança um pacote de ações privatizantes na educação estadual. Em solenidade na manhã da última quinta-feira, o governador Paulo Câmara autorizou a construção de 13 escolas na Mata Sul e oficializou parcerias com instituições para realizar um estudo sobre o ensino integral e para implantação do portal Escola Conectada.

As novas escolas estaduais e municipais serão construídas em nove municípios. Já a parceria do estado será firmada com três institutos (Natura, Sonho Grande e Instituto de Co-responsabilidade pela Educação) para desenvolver um estudo sobre os custos e o desempenho das escolas em tempo integral do ensino médio na rede estadual. Com duração prevista de seis meses, a pesquisa vai apontar, por exemplo, o custo por estudante nessas unidades.

Pernambuco conta com a maior rede de ensino integral do País. São 300 unidades (incluindo o semi-integral), e cerca de 150 mil alunos matriculados.

O estudo, que terá duração de seis meses, vai avaliar a eficácia e eficiência econômica (valor do investimento para implantação da unidade, quanto custa cada estudante, a manutenção da escola e a não-qualidade do ensino), e acadêmica (aprendizado, competências sócioemocionais) do ensino integral no Estado.

Com isso, os reformadores procuram criar efeito-demonstração que leve outros estados a adotar o mesmo padrão de privatização. O Estado de São Paulo já tem o modelo do ensino médio integral de Pernambuco sendo desenvolvido também com o Instituto de Co-responsabilidade Educacional. Este é o projeto principal dos empresários paulistas.

O Portal Escola Conectada será desenvolvido em parceria com os institutos Natura, Telefônica e Inspirare para oportunizar a produção e publicação dos materiais produzidos pelos professores da rede estadual de ensino no site da Secretaria de Educação (www.educacao.pe.gov.br) e no endereço da iniciativa http://escolaconectada.educacao.pe.gov.br/ que contém coleções de videoaulas.

 Leia  aqui.

A privatização do ensino médio em Pernambuco é um dos primeiros experimentos de aplicação de alguns dos princípios das escolas charters no Brasil, financiado pelo Itau Social.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Escolas Charters, Privatização, Responsabilização/accountability. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Pernambuco: ações privatizantes

  1. Fabricio disse:

    No Estado do Rio de Janeiro tem o programa Dupla Escola, que é similar ao de
    Pernambuco. No Dupla Escola a parceria pública e privada é a materialização da publicização idealizado na Reforma gerencial do Bresser, isto é, serviço público não estatal.

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