Educação: golpe dentro do golpe

O golpe jurídico-parlamentar que levou Temer ao poder sem nunca participar de uma eleição nos coloca diante de um governo ilegítimo e biônico. Isso já seria motivo suficiente para se esperar da área educacional uma atitude enérgica de recusa ao reconhecimento deste governo. Não bastasse isso, há ainda um golpe dentro do próprio golpe quando olhamos para as indicações que estão sendo feitas para a área da Educação.

Político de carreira desde seus 20 anos, na esteira do pai, e ignorante da área da educação, se vê obrigado a entregar o Ministério ao PSDB. Este partido não quer titularidade nos ministérios do governo Temer, mas quer o controle, na prática, da política desenvolvida pelo governo. Se der certo, mérito do PSDB, se não der, culpa do PMDB. Típico do tucanato. Para complementar, ocorre que o DEM, partido do Ministro, não tem quadros na área da educação para fazer frente ao PSDB – nunca foi governo de fato. Como partido nanico que é, além de conservador, sequer poderia tirar proveito de um eventual sucesso no MEC.

Ora, a política educacional proposta pelo PSDB nas últimas eleições gerais através da candidatura de Aécio Neves foi recusada por 54 milhões de brasileiros e brasileiras. Seu programa apresentado às urnas para a área da educação e derrotado, foi feito inclusive com a participação da própria Maria Helena Castro, agora nomeada Secretária Executiva do MEC, e é uma retomada do governo de Fernando Henrique Cardoso, com os mesmos personagens e as mesmas ideias. O que temos é um golpe na educação dentro do golpe jurídico-parlamentar o que coloca oportunistamente em cena um programa educacional recusado nas urnas.

Pede o Ministro em pronunciamento que haja diálogo. Infelizmente, não é possível, pois o diálogo está condicionado a que se aceite um programa biônico em um governo biônico.

Espera-se que as entidades educacionais e sindicais sejam firmes na rejeição a este governo. Sejam firmes em não reconhecer um programa de governo que foi derrotado nas últimas eleições e que não tem legitimidade para ser implementado. Um programa que nos países onde foi implementado conduziu à ruína da educação pública e à destruição do magistério público, sem levar à prometida melhoria da qualidade da educação.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Mendonça no Ministério, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão e marcado . Guardar link permanente.

5 respostas para Educação: golpe dentro do golpe

  1. Corinta GERALDI disse:

    Típico do PSDB! Faz mas nao aparece. Sempre tem um laranja. E o DEM se presta!

  2. Virginia disse:

    Isso mesmo a mesma equipe do FHC defensores da política neoliberal, porém os treze anos de PT deram continuidade a essa mesma política tentaram mesclar com uns programas e projetos sociais tentando enganar que implantavam nova politica. Treze anos de traição a começar pelo Sr. Lula que usa um discurso populista de esquerda mas a politica no Brasil continua conservadora e a mesma desde 90. Muito mal. Apenas não entendo pq as criticas. Tiveram 13 anos para provar o contrário mas nao fizeram. Então tem de cair fora e dar a vez para outros. Quem sabe em 2018 a população acerte nas escolhas.

  3. Nisia Maria da Silva Neto disse:

    Sinceramente, não vejo como negar a competência da Professora que, será a Diretora Executiva. O senhor acredita que, o PT melhorou a Educação????

  4. Kiril disse:

    Interessante a lógica de algumas pessoas. São dois extremos. Entre meus amigos é a mesma coisa. Quem se considera de esquerda acha que o PT foi mau porque não aplicou as propostas “socialistas” que o PT, na opinião dessas pessoas, pregava. Os conservadores acham que o PT foi mau porque tentou implantar o socialismo “bolivariano” por aqui. Duas visões bastante estreitas. Luiz Freitas cansou de criticar a política educacional do governo federal, ou a falta dela, mas a questão aqui é mostrar o que está errado e por quê. Agora, ele nos mostra que vai ficar mais errado ainda, porque assim desejam os patrocinadores do golpe. Porque, assim, garantirão que não será abalada a perversa desigualdade social do Brasil, isso interessa, conscientemente, aos que estão no topo da pirâmide, e para muitos que estão no meio dela.
    Sabemos que a população não terá condições para “acertar” em suas escolhas, em 2018. Eu sei. Quem está no meio da pirâmide social e teve acesso a uma instrução razoável, também sabe. Torcer para que os eleitores “acertem” em suas escolhas é pura hipocrisia ou pura burrice.

    • Suelen Batista de Souza disse:

      Gostaria que tivesse a opção curtir a sua resposta. Concordo. Ao ler esse artigo professor Freitas, eu confesso que me emocionei. Maria Helena Castro é tudo o que não queremos na educação.

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