Frigotto: crítica da “escola sem partido”

Segue documento do professor Gaudêncio Frigotto com uma crítica ao movimento da escola sem partido. Em seu texto, chamado “Escola sem Partido”: imposição da mordaça aos educadores”, o autor diz:

“Ao por entre aspas a denominação de “Escola sem Partido” quer-se sublinhar que, ao contrário, trata-se da defesa, por seus arautos, da escola do partido absoluto e único: partido da intolerância com as diferentes ou antagônicas visões de mundo, e conhecimento, de educação, de justiça, de liberdade; partido, portanto da xenofobia nas suas diferentes facetas: de gênero, de etnia, da pobreza e dos pobres, etc. Um partido, portanto que ameaça os fundamentos da liberdade e da democracia liberal, mesmo que nos seus marcos limitados e mais formais que reais. Um partido que dissemina o ódio, a intolerância e, no limite, conduz à eliminação do diferente.”

Baixe aqui a íntegra do documento.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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5 respostas para Frigotto: crítica da “escola sem partido”

  1. Guaraci Antunes de Freitas disse:

    Escola sem partido e instituição do “Analfabetismo Político”!

  2. Renato B. disse:

    Eu acho que é mais um caso de pura cara de pau mesmo. Afinal, ideologia é como sotaque, as pessoas só reparam quando é diferente do delas.

  3. Alberto Akel disse:

    Ótimo texto.

  4. Pingback: Escola sem partido ≠ escola Livre | Unidades Imaginárias

  5. Dúnia disse:

    O movimento “escola sem partido” surgiu em 2004, com poucos anos do inicio do governo do Partido dos Trabalhadores, claramente formado pelo receio da entrada de um partido de esquerda no poder que pudesse levar as escolas publicas do país a um maior nível de consciência político/social/ideológica. Seus defensores aproveitam-se agora da onda conservadorista e golpista que assola o congresso brasileiro, como oportunidade impar para a consolidação de um “controle social” fascista.

    Sob o nome de “escola sem partido” sempre o entendi como “escola sem partido de esquerda”, mas mais ainda me atraiu o termo usado por Frigotto: “escola do partido absoluto e único: partido da intolerância com as diferentes ou antagônicas visões de mundo ”, que expressa de forma ferrenha sua posição contraria, pela crença em seu caráter intolerante e na ameaça que este representa aos fundamentos da liberdade e da democracia liberal.

    Entretanto, acredito que Frigotto se ateve apenas a uma opinião pessoal, apesar de o tema exigir e permitir muito mais do que isso, uma vez que as mudanças propostas para BNCC apresentam de forma implícita, porém bem clara, as limitações e os controles que tal mudança trarão para a educação brasileira em todos os níveis.

    A própria proposta de existir uma Base Nacional Comum é um problema, se referente ao quanto essa proposta não engloba ou trata das diferenças sociais, mas o fato de haverem em tal documento pontos específicos que impedem que tais minorias (de raça, gênero, religião etc) sejam abordadas de forma a serem compreendidas, abre pontecial para a maior segregação desses grupos, que somente nos últimos anos começaram a ser efetivamente incluídos e trabalhados com respeito dentro das esferas públicas, principalmente as escolas.

    O que acontece é que a nova proposta a BNCC, sob o aspecto de “política para todos” promove uma decisão individual de um pequeno grupo conservadorista, sobre um grande grupo de diversidades, fazendo uma exclusão seletiva, sustentada no mito de inclusão generalizada.
    Nessa perspectiva, a luta é pela busca de uma diferença constitutiva que englobe todas as diversidades e não um controle que trate a todos como “iguais”. O compromisso político deve ser com formas éticas de justiça social e qualquer proposta ou projeto de lei que possa minimamente interferir nesse processo – já lento e tardio – deve ser veementemente combatido, e cabe aos grupos segregados e principalmente aos profissionais da educação, lutarem para que esse controle fascista não seja concretizado e não encontre apoio em leis e normas, e, mesmo que isso aconteça, o combate a sua execução jamais poderá parar.

    Nas sabias palavras finais de Frigotto: “Haja cadeias, pois os docentes do Brasil, em suas organizações científicas, culturais, sindicais e por franjas de partidos políticos que atuam nos parlamentos proclamam: não somos idiotas, esta mordaça não vingará, mesmo que a insanidade ou os que não percebem o alarme da esfinge a constituam em lei.”

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