BREAKING NEWS: USP na mira da privatização?

A Associação dos Docentes da USP publica informação sobre possíveis tratativas destinadas a privatizar a Universidade de São Paulo – USP:

“Em 14/9/2016, a Adusp recebeu denuncia anônima de que a Reitoria da USP estaria em tratativas com um grupo de grandes empresários, que teriam contratado a empresa internacional de consultoria McKinsey&Company por intermédio de um “Termo de Doação de Serviços” cuja finalidade seria “criar um novo modelo de captação de recursos e gestão de orçamento para a universidade”.

Segundo a denúncia, haveria “Termo de Doação do trabalho dessa consultoria, no qual a Mckinsey consta como anuente” e a Mckinsey já teria apresentado um plano de 20 semanas de trabalho com objetivo de planejar “o futuro da universidade” e “criar um novo modelo de captação de recursos e de gestão do orçamento”, o que “indica uma possível mudança de legislação, bem como uma possível cobrança de mensalidade em cursos oferecidos pela USP”.

Quem faz a denúncia considera que, “pela magnitude, complexidade e grau de desenvolvimento do projeto em questão” trata-se “de tema de interesse não apenas de toda a comunidade USP, mas de todo cidadão, cabendo à Reitoria agir com transparência e com o devido respaldo de seus órgãos colegiados”. Pede que a Adusp “cobre da Reitoria providências para que isso assim aconteça”.”

Leia toda a notícia aqui.

A Adusp protocolou pedido de informações:

Diante da constatação de que, no dia 5/9/2016, a agenda oficial do Governador do Estado de São Paulo registrou a realização de audiência no Palácio dos Bandeirantes com as presenças dos professores Marco Antonio Zago, reitor da USP, Vahan Agopyan, vice-reitor da USP, e Américo Ceiki Sakamoto, coordenador do Projeto “USP do Futuro”; de representantes da própria empresa Mckinsey, como Patricia Ellen, Marcus Frank, Roberto Fantoni; de Nicola Calicchio Neto, presidente da Comunitas; e de dirigentes empresariais como o presidente do Conselho da Natura, o presidente do Grupo Cosan, o diretor de relações institucionais e comunicação corporativa do Itaú e um conselheiro da Ultrapar Participações S/A, o que permite considerar verossímil o teor da denúncia, a Diretoria da Adusp cuidou de protocolar em 19/9/2016 ofício ao reitor no qual solicita em termos legais “esclarecimentos sobre o objeto e os termos da relação formal estabelecida com a empresa McKinsey e os grupos empresariais citados, as informações relacionadas ao Projeto ‘USP do Futuro’, o propósito da audiência realizada no Palácio dos Bandeirantes, assim como os passos porventura planejados para divulgação e debate destas iniciativas e projeto com a sociedade, em especial com as instâncias administrativas e colegiadas desta Universidade” (confira aqui o protocolo).

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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Uma resposta para BREAKING NEWS: USP na mira da privatização?

  1. tufaile disse:

    A reitoria respondeu dizendo que está recebendo doações e planejando o projeto “A USP do Futuro. A reitoria respondeu reconhecendo a “doação”, mas até onde sabemos nada disso passou pelos colegiados da USP. Sempre me lembro que em 2011 a EACH-USP recebeu doação de serviço de terraplanagem e terra de origem desconhecida, sem que a doação fosse aprovada previamente pelo CTA.

    O professor Adrián Pablo Fanjul da FFLCH-USP comenta a resposta da reitoria:

    “Anteontem, a ADUSP divulgou, depois de protocolar na reitoria pedindo esclarecimentos, uma denúncia muito grave sobre um plano elaborado pela reitoria junto com grupos empresariais e sobre suas possíveis consequências e relações com a “nova CPA” e avaliação institucional e docente. Quem deseje abordar o assunto com objetividade, deve reconhecer que a informação se divulgou muito mais do que as comunicações corriqueiras da associação. Muitos docentes a reproduziram na página Facebook e foi replicada por blogs de amplo acesso no campo acadêmico nacional, isso apenas em 24h.
    Ontem, no final da noite, a reitoria publicou, na página de imprensa da Universidade, uma matéria que é resposta à denúncia, mas que não admite ser resposta: http://www.usp.br/imprensa/?p=60313
    Tanto o conteúdo informativo da breve nota quanto suas marcas de resposta não assumida são fundamentais e devem constituir, do meu ponto de vista, um sério alerta para tudo que diz respeito a posicionar-se diante de atuais e futuros movimentos da reitoria.
    Em primeiro lugar, a reitoria reconhece que vem trabalhando de modo furtivo, escondendo do Conselho Universitário e ainda das reuniões de “dirigentes” (que por si já são aberrantes para um espaço público) algo que vai mexer na estrutura de poder e de gestão. O que é, se não, “gestão e governança”? Também reconhece que antes de fazer o “anúncio” já teve uma reunião com o governador e os empresários. Se essa reunião aconteceu em 5 de setembro, por que é anunciada só agora? O reitor faz questão de informar e se fotografar em toda reunião com figuras do poder político, inclusive de menor cacife, por que não naquela ocasião com o governador?
    O título e o primeiro parágrafo apresentam a matéria como informando um fato novo: “A USP anuncia projeto…”. Porém, o último parágrafo evidencia o caráter de resposta e de não novidade: “A USP esclarece, ainda, que qualquer referência à cobrança de mensalidades não tem fundamento…”
    Ora, “esclarece” por quê? Não era uma simples notícia? Quem falou de “cobrança de mensalidades”? Precisamente, isso aparecia na denúncia divulgada pela ADUSP, e se a reitoria sente que deve “esclarecer” é porque reconhece que a informação foi divulgada e sentida.
    Porém, não era essa a única nem a mais importante suspeita levantada na nota da ADUSP diante deste mistério. Havia algo mais grave, por ser muito mais possível do que a eventual cobrança de mensalidades. A nota da ADUSP fazia considerações sobre a relação entre este plano secreto e os aspectos obscuros e contraditórios das propostas de avaliação institucional e docente que a reitoria tenta impor desde ano passado, encontrando forte resistência nas congregações. As idas e vindas, as formulações confusas nesses documentos, as contradições entre os membros da comissão que os elaborou nos diferentes debates aos quais foram convidados nas unidades, deixam ver algum propósito não revelado, que desperta a desconfiança e tem feito com que, inclusive setores que nunca questionam as iniciativas da administração central, continuem questionando esta. A matéria divulgada pela associação docente encontrava relações entre as necessidades de um plano de gestão empresarial e a absoluta falta de autonomia e sujeição ao poder central em que a “nova CPA” e o “estatuto do Docente”, se aprovados, deixariam o conjunto da Universidade.
    E sobre isso, a reitoria não “esclarece” nem desmente nada. Afinal, quem cala, consente.
    Por último, é sintomático, mais uma vez, o uso do termo “governança” para referir-se à estrutura de poder em uma universidade pública. E está na hora de fazermos uma retrospectiva desse termo nos dois anos e meio da gestão Zago-Vahan. Quando assumiram a reitoria, denominavam “discussão sobre a estrutura de poder e governança” um ciclo de fóruns abertos para discutir mudanças no Estatuto da USP. Foi criada uma comissão tripartite, a “CAECO”, para sistematizar propostas. Na metade de 2015, a tal CAECO foi abandonada sem maiores explicações, e anunciaram que o processo de reformas se daria no Conselho Unievrsitário. No final de 2015, diante da rejeição da congregações ao projeto do “GT Atividade Docente”, o Co também foi deixado de lado, e as mudanças estatutárias confiadas a uma comissão de pessoas próximas do reitor. Agora, a “governança da Universidade”, que implica a mudança de seu estatuto, é elaborada com a consultora McKinsey.
    Da “comunidade” ao Co, deste ao grupo de confiança, e do grupo à consultoria externa. O rumo centrífugo, em relação à Universidade, daqueles quehoje ocupam a reitoria está mais do que claro.
    Saudações
    Adrián.”

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