Primeiramente, Fora Temer; antecipadamente, Fora FHC

Há aproximadamente um mês um colega me disse ter informações de que Fernando Henrique Cardoso poderia se tornar, novamente, por meio de eleição indireta no Congresso, presidente da república ainda em 2017.

Verdade ou especulação, colocado dessa forma, me pareceu uma ideia de difícil operacionalização. Mas… há umas duas semanas, pudemos seguir pela imprensa a informação de reuniões entre figuras emblemáticas da república: Temer (atual presidente) e Gilmar Mendes (presidente do Tribunal Superior Eleitoral) e nada menos que Temer e Fernando Henrique Cardoso.

Oficialmente, Temer teria se reunido com FHC para pedir conselhos sobre economia. FHC foi o condutor do primeiro ciclo de reformas neoliberais no Brasil nos anos 90, logo após o desastre do governo Collor, seu precursor. De fato, há muito que aprender com ele na matéria e além disso, Temer é só um executor do programa do PSDB e protagoniza o maior estelionato eleitoral que se tem conhecimento: eleito com um programa, faz o da oposição  (PSDB) que perdeu para ele.

Sabe-se que, tendo passado dois anos de mandato de Dilma-Temer, não poderia haver nova eleição para presidente da república, devendo ser o novo presidente eleito indiretamente pelo Congresso, caso a denúncia que tramita no Tribunal Superior Eleitoral contra a chapa Dilma-Temer, presidido por Gilmar Mendes, avance. Aliás, há mais gente nos ministérios do governo implicada com suspeitas que ainda estão sendo processadas em delações premiadas, aumentando o alcance da turbulência.

Eis que agora, Monica Bergamo, em sua coluna de 26-10-16 na Folha, nos diz que:

“Alternativas a Temer passaram a ser aventadas e até nomes que poderiam ser eleitos pelo Congresso Nacional, num pleito indireto, em 2017, são citados. Entre eles está o de Fernando Henrique Cardoso e até o de Nelson Jobim, ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal).”

No entanto:

“Jobim, que foi ministro dos governos FHC, Lula e Dilma, teria a vantagem de circular por todos os principais partidos, conseguindo um mínimo consenso em caso de crise extrema. E um problema: ele foi contratado pela Odebrecht e atuou como consultor da empresa quando ela começou a ser investigada na Operação Lava Jato.”

Mas o que mais me convenceu de que FHC está no páreo é que: não houve o tradicional desmentido dele dizendo, por exemplo, que isso “não estaria em seus planos”. Onde há fumaça, como se diz, há fogo.

E lendo o artigo da Folha de SP de hoje (3-11-16), Volta FHC, me convenci, então, de que isso está muito além de fumaça. Já estamos em plena campanha pela eleição indireta de FHC.

Para o caso de ser verdade, antecipadamente, Fora FHC (de novo)!

Leia aqui também.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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