Escolas charters: sem desculpas…

Tem sido recorrentemente divulgado por adeptos das teses das reformas empresariais que os estudos sobre as escolas charters, estudos estes que, comparativamente às escolas públicas, medem o desempenho dos estudantes em ambas as escolas, têm tido resultados mistos, ou seja, não são conclusivos, pois alguns dizem que as escolas charters pode ir melhor que as públicas e outros dizem que não.

O uso desta informação para justificar, então, a partir da ausência de estudos conclusivos, a privatização das escolas públicas por terceirização de gestão no Brasil, constitui mero embuste científico, pois quando não se sabe se uma medida educacional produz ou não os resultados esperados, isso significa que não se deve aplicar no serviço público e que precisamos continuar a pesquisar em ambiente controlado os efeitos de tal medida. São estas mesmas pessoas que, quando convém, defendem de boca cheia a “política pública feita com evidência científica”.

Nada autoriza, portanto, a partir deste dado, advogar a favor das escolas charters americanas para implantá-las no Brasil. A escola pública brasileira não está destinada a ensaio e erro, pois ali existem crianças que não podem ser tratadas como cobaias.

Mais ainda, se os resultados são mistos quanto a desempenho, há outros efeitos colaterais que a literatura registra e que precisam ser igualmente levados em conta. E aí não há resultados mistos… Entre eles: a ampliação da segregação escolar, onde a Chile é exemplar; a destruição do sistema de escolas públicas e do próprio magistério. Todos sabemos a que vieram os processos de terceirização – baratear processos.

Já divulguei aqui inúmeras pesquisas mostrando que o crime não compensa. Basta ir para a bibliografia deste Blog e para a página de links e relatórios, para encontrar tais estudos.

Os defensores das escolas charters são extremamente tolerantes com a falta de resultados das escolas charters e seus efeitos nefastos, mas extremamente exigentes quando se trata de julgar as escolas públicas. Temos que ser exigentes sim, mas sem desculpas para as escolas charters…

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais, Escolas Charters, Meritocracia, Privatização. Bookmark o link permanente.

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