Cabral: ensino fundamental à distância?

“No Brasil, o ensino fundamental, destinado a crianças e adolescentes na faixa dos 06 aos 14 anos, deve ser presencial. Isto é, deve ocorrer entre professores e alunos presentes numa sala, num laboratório, numa biblioteca, numa quadra ou noutro ambiente adequado. Deve ocorrer entre pessoas que, com suas particularidades, interagem, convivem e, assim, na socialização, desenvolvem sua humanidade e sua individualidade. Essa é a regra. É o que estabelece a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) – nº 9.394/1996. Não é para ocorrer, portanto, à distância…”

Continue lendo aqui Guilherme Perez Cabral.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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Uma resposta para Cabral: ensino fundamental à distância?

  1. Dayane disse:

    De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (1996), o Ensino Fundamental tem como objetivo a formação básica do cidadão, e um dos aspectos a ser trabalhado nesta fase é “o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.” (Inciso IV, Art. 32).

    Este inciso traz elementos que se vinculam à educação integral, a qual, segundo Anísio Texeira (1962) entende que “a escola não pode ser parcial, meramente de instrução, mas deve oferecer à criança oportunidades completas de vida, abrangendo formação de hábitos de conviver e participar em uma sociedade democrática.”

    Ao relacionarmos a fala de Anísio com o inciso , é evidente que tanto a lei em si, quanto a ciência da educação, entendem que a educação a ser ofertada no ensino fundamental deve estar diretamente ligada, não só a processos cognitivos, mas aos aspectos afetivos e sociais do aluno.
    Visto isso, como podemos trabalhar, laços de solidariedade humana, vínculos afetivos, participação da vida em sociedade, com crianças e adolescentes, sem as relações interpessoais? Não precisa ser um cientista da educação para ver que o Ensino à Distância nesta fase é um grande equívoco e com inúmeras perdas significativas para os alunos.

    Para dar força a este argumento, podemos relatar uma situação presente no ensino fundamental que é corriqueira no cotidiano escolar: Um aluno inicializa suas aulas a respeito da história de seu país e descobre que outras crianças/adolescentes tem visões diferentes sobre os fatos ocorridos, bem como apresentam diferenças sociais que estão diretamente relacionadas com estes fatos. É evidente que podemos ver estes fatos pela internet, revistas e jornais, mas, aprender a conviver, dialogar, e presenciar as implicações sociais que isso traz, como ação formadora, só é possível, inicialmente, de forma presencial.
    Desta forma, a instituição da exceção do EaD como regra para a modalidade do Ensino Fundamental, só nos mostra mais uma forma do Estado se eximir da sua responsabilidade ou minimizar seu dever constitucional.

    Para finalizar e dar ênfase no aspecto sócio formativo do Ensino Fundamental, Ângelo Ricardo de Souza (2009) relata que “a participação na vida política é elemento importante que se aprende na prática democrática” a escola pública deve ser por excelência democrática, lugar de todos e para todos, onde há troca de conhecimentos, experiências e valorização da cultura local. E assim, entendemos que essas crianças e adolescentes devem ter participação efetiva no seu processo de aprendizagem, a participação dos alunos na escola é antes de tudo um ato político, algo que fica bem reduzido ou quase nulo se o ensino for dado EaD, ensino passado por uma tela, sem qualquer relação interpessoal e troca de conhecimentos, não considerando a individualidade de cada aluno, comprometendo ainda mais a qualidade da educação pública.

    REFERÊNCIAS
    CLEMENTINO, Ana Maria; OLIVEIRA, Dalila Andrade. Novos sujeitos docentes e suas condições de trabalho: uma comparação entre o Programa Escola Integrada e o Projeto Educação em Tempo Integral. Em Aberto, Brasília, v. 30, n. 99, p. 99-113, maio./ago. 2017.

    SOUZA, A. R. Explorando e construindo um conceito de gestão escolar democrática. Educação em Revista. 2009, vol.25, n.3, pp. 123-140.

    Lei de Diretrizes e Bases 1996

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