Henry Giroux: a escola vista como prisão (atualizado)

Em um importante artigo “Killing Children in the Age of Disposability: The Parkland Shooting Was About More Than Gun Violence” Henry A. Giroux faz uma importante reflexão para os dias de hoje, a qual vai além do tiroteio em uma escola de Pakland (USA) e revela toda uma “filosofia” que está transferindo o modelo das prisões para a escola, da qual não estamos a salvo:

“O apelo profundamente preocupante para a eliminação de zonas sem armas e o armamento dos professores chegam em um momento em que muitas escolas já foram militarizadas pela presença da polícia e pela crescente criminalização do comportamento dos estudantes. Sugerir que os professores sejam armados e transformados em potenciais instrumentos de violência estende e naturaliza a prisão como modelo para as escolas e a crescente expansão da linha direta escola-prisão.

O que está sendo deixado fora desta tragédia é que o número de policiais nas escolas dobrou na última década de 20% em 1996 para 43% hoje. Além disso, à medida que mais policiais são colocados nas escolas, mais e mais crianças são brutalizadas por eles. Não há provas de que colocar a polícia nas escolas as tenha tornado mais seguras. Em vez disso, mais e mais jovens estão tendo antecedentes criminais, estão sendo suspensos ou expulsos da escola, tudo em nome da segurança escolar. Como Sam Sinyangwe, diretor do Projeto Mapping Police Violence, observa:

“Os dados … que existem … mostram que mais policiais nas escolas levam a mais criminalização dos estudantes e, especialmente, estudantes negros e pardos. Todos os anos, cerca de 70 mil crianças são presas nas escolas … [Além disso] desde 1999, 10 mil policiais adicionais foram colocados nas escolas, sem impacto na violência. Enquanto isso, cerca de um milhão de estudantes foram presos por atos que seriam punidos anteriormente com detenção ou suspensão, e os estudantes negros têm três vezes mais chances de ser presos do que seus pares brancos.”

Leia aqui.

A pergunta que Henry A. Giroux faz é:

“O debate atual sobre tiroteios escolares revela uma ordem neoliberal que se inclinou para o autoritarismo, onde a maior medida de como uma sociedade se julga ética e politicamente não é mais sobre como ela trata e investe em seus filhos. Como explicar o fato de que os tiroteios em massa de crianças são agora discutidos em termos de conter seus efeitos e não de eliminar suas causas?”

Esta pergunta pode ser transferida a outra bastante explicativa e que está na base das reformas empresariais da educação: Como explicar o fato de que o baixo desempenho das crianças nas escolas (discriminadas e bi-discriminadas por vários fatores sociais) são agora discutidos em termos de eliminar suas notas baixas nos exames e não de eliminar as causas do baixo desempenho?

É esta “filosofia” neoliberal (uma coalizão de conservadores e liberais) que perpassa as nossas soluções no campo educacional. Até onde ela vai avançar? Deveremos esperar pelos tiroteios?

(Atualizado: houve um erro no autor do artigo e o post anterior foi substituído por este. O nome correto do autor é Henry A. Giroux.)

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão e marcado , . Guardar link permanente.

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