Educação básica: radiografia de escolas virtuais nos USA

Como indica Kenji em post anterior, uma das hipóteses possíveis para o interesse de grandes grupos econômicos em relação à educação básica é a compra de sistemas de ensino ou plataformas de aprendizagem (em papel ou virtuais).

O relatório abaixo faz uma radiografia das escolas virtuais nos Estados Unidos e mostra como o desempenho das escolas virtuais tem sido pior do que o das escolas públicas americanas. Talvez, para aqueles que estão pensando que haverá mais aprendizagem com a chegada da educação gerenciada pela iniciativa privada (presencial ou não), isso deva ser um alerta.

A entrada de grupos econômicos na educação básica brasileira vai permitir que os recursos públicos da educação sejam drenados de forma variada, incluindo escolas privadas presenciais ou não para todos os bolsos, de olho na figura dos “vouchers” (formas de distribuição de dinheiro diretamente aos pais para que escolham a escola que desejarem), já em tramitação no Congresso tanto na reformulação da PEC 15/2015 como em projeto de lei para a educação infantil.

“Este sexto Relatório Anual do NEPC sobre Educação Virtual oferece uma visão geral detalhada e um inventário de escolas virtuais em tempo integral e escolas mistas. As escolas virtuais em tempo integral fornecem todo o currículo e instrução via Internet e comunicação eletrônica, geralmente de forma assíncrona com os alunos em casa e professores em um local remoto. As escolas mistas combinam instrução virtual com instrução presencial nas salas de aula.

Evidências relacionadas aos insumos e resultados indicam que os alunos dessas escolas diferem dos alunos em escolas públicas tradicionais. Em particular, medidas de desempenho escolar para escolas virtuais e mistas indicam que elas não são tão bem sucedidas quanto as escolas públicas tradicionais. No entanto, o crescimento das matrículas continua.

Em comparação com anos anteriores, houve uma mudança na fonte de crescimento, com mais distritos escolares abrindo suas próprias escolas virtuais. No entanto, essas escolas administradas por distritos têm sido tipicamente pequenas, com matrícula limitada. Assim, enquanto grandes escolas virtuais operadas por organizações privadas de gerenciamento de educação (EMOs) com fins lucrativos perderam participação de mercado considerável, elas ainda dominam esse setor.

Este relatório fornece um censo de escolas virtuais e mistas em tempo integral. Também inclui dados demográficos dos alunos, classificações de desempenho escolar específicas por estado e, quando possível, uma análise das medidas de desempenho escolar.”

Acesse aqui o relatório do NEPC sobre as escolas virtuais nos USA.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
Esse post foi publicado em Assuntos gerais, Escolas Charters, Mendonça no Ministério, Privatização, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão, Vouchers e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

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