Sindicalizar-se é um ato de legítima defesa

As elites brasileiras resolveram adotar as teses da velharia neoliberal que circula pelo mundo desde meados da década de 70 e entregar o país às oligarquias financeiras e seus monopólios. Mas a trajetória escolhida não será um mar de rosas, pois esta velharia funciona apenas para enriquecer ainda mais o andar de cima, enquanto agrava as condições de vida da maioria da população.

Como em todo lugar onde entram as teses neoliberais, os sindicatos são seu alvo direto, com uma série de medidas que visam impedir que os trabalhadores exerçam seu legítimo direito de se organizarem para se defenderem coletivamente. Não é sem razão que Doria, no Estado de São Paulo, tratou logo nos seus primeiros dias de governo de regulamentar a lei que regula as manifestações. A desculpa são os manifestantes mascarados, mas a lei vai muito mais longe.

Mas as reações vão aparecendo. Na Índia, uma greve de no mínimo 150 milhões de trabalhadores, ocorrida nos dias 15 e 16 de janeiro, coloca em jogo a própria reeleição, em maio, do governo atual. A luta é contra a falta de empregos decentes, contra a precarização – a mesma que agora se aprofunda no Brasil. A Índia caiu sob as teses do neoliberalismo quando este se expandiu para a Ásia, atingindo tanto este país como o Japão e a China.

A greve de janeiro na Índia paralisou os setores de transporte, indústria, mineração, comércio e o funcionalismo público e também puxou o setor informal, que domina a economia do país. Embora não tivessem participado da greve, estudantes e professores declararam apoio a ela.

“Este 2019, no qual os indianos terão que passar pelas urnas, começa com o primeiro-ministro Narendra Modi enfrentando uma greve geral de entre 150 e 200 milhões de trabalhadores, dependendo de quem conta. “A participação ativa dos trabalhadores nesta greve é um indicador claro do grau de raiva e indignação dos indianos contra as políticas neoliberais e os ataques às suas condições de vida e trabalho, perpetrados pelo governo”, declarou uma das entidades organizadoras.”

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Enquanto isso, a situação nos Estados Unidos, especialmente na área educacional, dá continuidade às greves de professores de 2018. Lá os sindicatos mantiveram seu número de afiliados, desde a última investida da direita contra os sindicatos em 2018. Houve uma pequena queda de meio porcento na filiação que se manteve em mais de 7 milhões de professores ligados a sindicatos. E neste último ano tem havido mais filiações do que desfiliações. Atualmente, o campo de batalha está localizado em Los Angeles onde os professores lutam por melhores condições de aprendizagem para seus estudantes (turmas menores e mais contratação de profissionais auxiliares) e contra a privatização (escolas charters).

“A greve que dura vários dias em defesa da educação pública em Los Angeles nesta semana foi uma resposta desafiadora à crueldade e ao caos desencadeados pelo presidente Trump e pela secretária de Educação Betsy DeVos. Continuando a onda de greves de professores de 2018, ela é mais uma prova de que temos o poder de mudar tanto as políticas atuais como a tendência de longo prazo em direção à reforma da educação neoliberal que precedeu a Trump.”

Leia aqui.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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