Por que a internet não pode ser acessada como o radio?

Diane Ravitch comenta matéria do Washington Post relatando as dificuldades de acesso dos estudantes americanos à internet para atividades de ensino remoto. Diz:

“O Washington Post publicou uma matéria sobre os milhões de estudantes que tiveram sua educação negada efetivamente durante a pandemia porque suas famílias não podem pagar pelo acesso à Internet. A matéria chamou a situação de “crise nacional”. E é.

A Internet se tornou tão essencial quanto água e ar gratuitos. Por que não é um serviço público, regulamentado pela Comissão Federal de Comunicações e gratuito para todos?

Ao ligar o rádio, você tem acesso gratuito às estações AM e FM. Por que não ter acesso gratuito à Internet? Pode haver um bom motivo, mas eu não ouvi sobre isso.”

Eis aí uma ideia a qual poderia ser implementada até de forma mais modesta do que ela sugere: que tal os governos determinarem que a transmissão da rede será gratuita durante uma ou duas horas em cada período: manhã, tarde e noite, de forma a permitir, durante a pandemia, que as crianças acessem a internet em seu turno de estudo? O que impede que se fixe esta contribuição compulsória para as empresas de comunicação de forma a resolver o problema da exclusão de amplas camadas da população que, tendo sinal, não podem ter acesso por não poder pagar? As empresas não deveriam dar sua contribuição em um momento de emergência nacional?

Não se trata de defender, aqui, o ensino remoto para efeito de contagem de matéria dada, dias letivos, etc. Nem mesmo de veiculação de plataformas on line de aprendizagem. Trata-se de defender a liberação compulsória do acesso durante a pandemia para que as escolas, em determinados horários, possam se comunicar com seus estudantes, enviar-lhes alguns materiais de leitura e sobretudo, ouvir os estudantes e seus dilemas.

Mesmo que isso fosse implementado, ainda continuaremos com áreas em que não existem antenas para acesso. Mas já permitiria a inclusão daqueles que, tendo sinal, não podem pagar.

Implementada a medida, caberia aos estados o fornecimento dos meios físicos para viabilizar a captação de sinal pelos estudantes. E que tal a filantropia que está sempre querendo meter a mão nas atividades escolares, enfiar a mão no bolso, agora, e ajudar a pagar a conta dos equipamentos que os estados teriam que adquirir?

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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