Oliveira: solidariedade com reconhecimento e redistribuição

É oportuno, neste momento traumático em que se fala em “reconstrução” e “recriação” de escolas, atentarmos para o trabalho de Sara Badra de Oliveira que defendeu em 2019 a tese de doutorado: O PAPEL DA CONFIANÇA INTERPESSOAL E INSTITUCIONAL NOS PROCESSOS PARTICIPATIVOS DE AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA ESCOLA PÚBLICA, sob orientação de Mara Regina Lemes de Sordi, na Faculdade de Educação da UNICAMP.

Baixe a tese aqui.

Destaco duas considerações da autora que penso serem um alerta para este momento:

“Portanto, a literatura sobre confiança nas escolas parece enfrentar os mesmos tipos de limitações das teorias sobre capital social. A melhoria da produtividade escolar seria alcançada exclusivamente através das redes de “reciprocidade” entre os membros da comunidade escolar, relativas a obrigações e ajudas recíprocas, troca de informações e compartilhamento de normas. Ignora-se, nessa perspectiva, a importância da esfera da “redistribuição” para melhoria da qualidade educacional, do ponto de vista da oferta de condições de trabalho por parte do poder público. A esfera do “reconhecimento” via processos democráticos de negociação também não foi desenvolvida por essas teorias.” (p. 119)

Na mesma direção, diz a autora:

“No entanto, a análise dessas teorias à luz dos pressupostos da avaliação institucional participativa mostrou que para elas a confiança é um recurso que facilita a adaptação ou a adesão coletiva dos membros da comunidade escolar a reformas externamente definidas, preocupadas exclusivamente com a melhoria dos resultados acadêmicos e da eficácia organizacional. Além de ignorar as dinâmicas de negociação para produção de uma qualidade socialmente relevante, tais teorias não consideram o papel do poder público em prover melhores condições de trabalho para as escolas e seus profissionais, estando, pois, restritas às dinâmicas internas de “reciprocidade” como condição suficiente para promoção de uma qualidade educacional restrita.

Para que a confiança seja um recurso importante à avaliação institucional participativa e à transformação educacional rumo a objetivos de qualidade social, ela precisa ser concebida não só enquanto política de “reciprocidade” e “solidariedade”, mas também em articulação com os pilares da “redistribuição” e do “reconhecimento”.” (p. 257)

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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