Responsabilização por resultados: ressurreição falha

A Hoover Institution tenta produzir relatório para ressuscitar e manter o ânimo dos reformadores empresariais com suas estratégias mercadológicas de “consertar” escolas que consideram de baixo desempenho. O National Education Policy Center examinou o relatório e concluiu que ele é falho.

“BOULDER, CO (9 de fevereiro de 2021) – Um relatório recente da Education Success Initiative da Hoover Institution argumenta que as autoridades estaduais e federais devem manter o que chama de sistemas de responsabilização “baseados em resultados” que usam avaliações padronizadas de alunos, seguidas por consequências por não cumprir objetivos de desempenho. Mas não fornece as evidências necessárias para apoiar essa afirmação.

Gail L. Sunderman, co-fundadora do Maryland Equity Project, revisou o relatório da Hoover: “School Accountability—Past, Present, and Future: Findings and Recommendations for State and District Policymakers”, de autoria de Chester Finn. O relatório afirma que os sistemas de responsabilização podem ser melhorados expandindo a avaliação para mais séries, relatando esses resultados de forma transparente e concentrando-se na intervenção em escolas de baixo desempenho por meio de uma combinação de forma de intervenção e consequências orientadas pelo mercado, juntamente com um sistema de inspeção para avaliar as escolas.

Sunderman vê o relatório como não convincente por uma série de razões. Ela explica que o relatório ignora uma abundante literatura sobre o impacto deletério da responsabilização baseada em testes sobre os resultados, que poderiam fornecer uma compreensão mais apurada desses sistemas. Também o relatório não explica por que esses sistemas devem ser estendidos para incluir mais testes em mais graus.

Além disso, ela entende que o relatório não fornece nenhuma evidência sobre a eficácia de suas estratégias de reforma sugeridas para escolas de baixo desempenho, que incluem a combinação de intervenções externas com consequências impulsionadas pelo mercado. Em vez de evidências, o relatório baseia-se em teorias não comprovadas de responsabilização e reforma impulsionada pelo mercado, para fornecer uma justificativa de suas conclusões e recomendações.

Por essas razões, conclui Sunderman, os legisladores, educadores e administradores de educação dos estados não devem confiar neste relatório para sua orientação, ao examinarem estratégias para ajudar escolas e distritos de baixo desempenho.”

Acesse aqui o relatório da Hoover.

Acesse aqui a revisão de Sunderman no NPCE.

Sobre Luiz Carlos de Freitas

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - (SP) Brasil.
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